SOBRE

Os 10 Princípios da Cobertura Jornalística das Periferias foram elaborados para orientar profissionais de comunicação que produzem conteúdos relacionados às periferias.

Sem a pretensão de apresentar fórmulas prontas, os itens mencionados neste guia trazem recomendações para uma cobertura mais conectada à realidade de áreas distantes dos centros econômicos nas grandes áreas urbanas, principalmente.

Os princípios contestam a tônica presente em muitos veículos de comunicação, onde periferia surge apenas como um lugar de exclusão, violência e vitimização.

No lugar de discursos engessados e carregados de preconceitos, este guia propõe dialogar com os múltiplos sentidos das periferias, trazendo para a cobertura vozes que são pouco ouvidas na imprensa, ou seja, na arena pública de debates das grandes cidades.

A proposta é conferir um novo olhar para a pauta, que considera as periferias dentro de suas diversidades. Ao mesmo tempo em que deve ser apontada a falta de infraestrutura e serviços públicos, também é preciso dar destaque para movimentos culturais e outras iniciativas culturais, sociais, política e econômicas próprias que surgem das bordas da cidade.

Muito do que está presente nestas recomendações é resultado de observações e reflexões feitas por correspondentes locais, jornalistas e moradores da periferia ao longo de quase cinco anos de trabalho do Mural. A ideia é que esses princípios possam servir como uma ferramenta para auxiliar na desconstrução dos estereótipos associados às periferias e tornar a comunicação sobre essas áreas mais precisa e objetiva, e por isso, mais informativa.

Mesmo que alguns itens pareçam um pouco óbvios para alguns, frequentemente eles costumam ser deixados de lado nas histórias contadas no dia a dia sobre as periferias da Grande São Paulo, por enquanto, nosso território de ação.

Os princípios são, mais que tudo, um convite para retornar à essência do jornalismo de boa qualidade, que é fiel aos cidadãos ao retratar suas diferentes realidades e que promove, pela exatidão da informação, a relevância de seu papel.

PRINCÍNPIOS:

Não use a palavra “carente”.

Prefira termos sem juízo de valor.

Tome cuidado com o sensacionalismo e evite clichês.

Nunca chegue em uma pauta tentando comprovar suas próprias teses.

Ao falar com uma fonte da periferia, escute com atenção (não somente ouça) o que ela tem a dizer. Somente depois de apuradas todas as informações é possível concluir algo.

Lembre-se que as crianças da periferia, e os moradores em geral, não são “coitados”.

Tome cuidado ao abordar a ação de projetos e organizações sociais e/ou artísticas dentro destas regiões da cidade para evitar reforçar a imagem de vítima que recai de forma geral sobre os residentes de áreas de baixa renda.

Fuja dos lugares-comuns ao falar sobre os moradores da periferia.

Todos possuem cor, formação profissional, nível escolar, valores, núcleo familiar, entre outros, tão diversos quanto os dos cidadãos de outros bairros de São Paulo.

Não subestime a capacidade política dos moradores da periferia.

Eles não são uma "massa uniforme" que vota da mesma forma, apenas para começar.

Na periferia há níveis de renda distintos.

Lembre-se disso ao falar com um morador.

A periferia não é só violência e escassez de infraestrutura.

Ao tratar de algum tema relacionado à periferia, tenha o cuidado de ouvir a voz de quem mora na região.

Não dê ouvidos somente para as fontes oficiais.

Não se esqueça que os bairros localizados na periferia fazem parte da cidade como qualquer outro bairro.