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Como é viver na favela durante a pandemia; ouça o podcast

Moradores das favelas Porto de Areia, em Carapicuíba e Morro do Macaco, em Cotia contam como estão lidando com a situação

No episódio de número 13 do “Em Quarentena”, publicado no dia 13 de abril, foram destacadas as iniciativas que estão acontecendo nas maiores favelas da capital, Paraisópolis e Heliópolis, onde os moradores estão se mobilizando para combater o coronavírus. Mas como estão as comunidades pequenas, com menos visibilidade?

O podcast da Agência Mural conversou com moradores das favelas Porto de Areia, em Carapicuíba e Morro do Macaco, em Cotia, para entender como estão as coisas por lá durante o isolamento social.

“Estamos vivendo sem água. O dia todo sem água. Crianças sem tomar banho e sem lavar as mãos. Não tem água!”. (ouça a partir de 00:01)

Quem abriu o 31° episódio foi Cleide, líder comunitária da Porto de Areia, uma comunidade que fica em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

Estela Alves é arquiteta, urbanista e pesquisadora na Universidade de São Paulo. Ela pontuou que no Brasil têm cerca de 13 milhões de pessoas morando em favelas e explicou quais são as maiores dificuldades para quem vive nelas.

“Os piores problemas estruturais enfrentados pelas favelas neste momento de pandemia são a falta de saneamento, principalmente o abastecimento de água, […] e a falta de equipamento público de assistência à saúde”. (a partir de 00:58)

A arquiteta enfatizou que a falta de abastecimento de água nas favelas é um problema antigo. “É um déficit histórico, mas também a gente pode falar que tem o problema da regularização da propriedade. Porque as favelas, por não serem regulares, muitas vezes não podem receber essa água pela rede pública e pelas empresas de saneamento como a Sabesp”. (ouça em 01:34)

Cleide em Carapicuíba, na Porto de Areia, contou que a população já ficou até dois dias sem água. “Aqui falta água e às vezes, falta luz. A gente sempre está na mesma briga de sempre”. (em 02:05)

A urbanista Estela reforçou o direito de todos ter acesso à água potável. E esclareceu que as prefeituras têm um dever legal de fazer chegar água de forma permanente para todas as casas do município. 

“Seja através de contrato com as empresas estaduais, seja por serviço próprio do município. É direito de todo brasileiro. Não importa se ele pode pagar ou não, se ele tem um imóvel regular ou não. Ele tem direito a receber a água encanada na sua residência”. (em 02:21)

O fotógrafo Marcos Batata mora na favela do Morro do Macaco, em Cotia, também na região metropolitana de São Paulo. Ele falou sobre a questão do espaço, ou melhor, falta de espaço nas residências das comunidades, já que o metro quadrado é muito reduzido. 

“As famílias se aglomeram em cômodos menos espaçosos do que é comum para uma totalidade de classe média ou abastada aqui no Brasil. Então a proximidade entre indivíduos dentro das favelas é meio irrisório quando a gente houve falar de isolamento social”. (em 04:43)

Marcos disse também que o coronavírus intensificou as dificuldades e os problemas com os quais os moradores das favelas já viviam antes.

“Desigualdade, falta de informação, a necessidade de se expor em trabalhos precarizados, a ausência de atendimento médico e de uma escuta especializada de saúde pro dia a dia, tudo isso é agravado. É colocado à décima potência”. (em 05:19)

Ouça este bate papo completo no Em Quarentena #31: Como é viver na favela durante a pandemia.

Podcast Em Quarentena

Viver em meio ao coronavírus não deve estar sendo fácil para ninguém. Imagina então para quem vive nas periferias. 

O “Em Quarentena” é o podcast especial que a Agência Mural de Jornalismo das Periferias criou neste momento da pandemia. Queremos informar, com notícias do dia a dia, quem mais precisa se virar meio a esse caos.

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Redação

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias tem como missão minimizar as lacunas de informação e contribuir para a desconstrução de estereótipos sobre as periferias da Grande São Paulo.

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