Agência Mural https://agenciamural.org.br/muralista/renanomura/ A Agência Mural produz jornalismo sobre, para e pelas periferias, com correspondentes locais que combatem estereótipos e ampliam o acesso à informação. Tue, 19 May 2026 16:43:44 +0000 pt-BR hourly 1 De bike, fotógrafo de Suzano divulga e revela pontos turísticos escondidos na cidade https://agenciamural.org.br/fotografo-de-suzano-pontos-turisticos-escondidos-na-cidade/ https://agenciamural.org.br/fotografo-de-suzano-pontos-turisticos-escondidos-na-cidade/#respond Tue, 19 May 2026 16:43:42 +0000 https://agenciamural.org.br/?p=84335 Antes do sol nascer, o fotógrafo e analista de dados Ederson Rodrigues, 35, já está de pé. De bicicleta, percorre ruas vazias do Jardim Planalto, periferia de Suzano, na Grande São Paulo, até chegar no “morrão”, um dos pontos mais altos do bairro onde mora. É dali que observa e fotografa cenas cotidianas que costumam […]

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Antes do sol nascer, o fotógrafo e analista de dados Ederson Rodrigues, 35, já está de pé. De bicicleta, percorre ruas vazias do Jardim Planalto, periferia de Suzano, na Grande São Paulo, até chegar no “morrão”, um dos pontos mais altos do bairro onde mora. É dali que observa e fotografa cenas cotidianas que costumam passar despercebidas.

“O nascer do sol, o orvalho sobre os morros, os animais e a mata, mudam completamente a forma como a gente enxerga a cidade”, conta.

Formado em Comunicação Visual e Fotografia, Ederson já fotografou gastronomia, moda, eventos e shows, mas agora se dedica a uma nova ideia: usar suas fotos para divulgar os potenciais turísticos de Suzano e incentivar que a população conheça as periferias da cidade.

Ederson com a bicicleta na Represa de Taiaçupeba em Suzano @Renan Omura/Agência Mural

A Pedra do Estudante e a Represa de Taiaçupeba já fazem parte do seu roteiro fotográfico, que ele conhece tão bem como morador da cidade. Mirantes, trilhas, grutas e a vasta área de mata preservada também estão na lista de atrativos.

Para curtir e clicar os locais, ele acorda por volta das 4h30. Nesse horário, costuma pedalar com a Madalena, a bicicleta cinza que recebeu o nome em referência à música “Madalena do Jucu”, de Martinho da Vila, um dos artistas favoritos. Em seguida, vai para o trabalho de analista de dados na capital paulista.

“Pedalar e fotografar nas primeiras horas do dia me ajuda a renovar a energia, organizar a mente e manter meu lado criativo vivo”, explica. “Já fotografei de tudo um pouco, mas atualmente gosto de sair sem muita regra, só observando. É quando surgem as melhores imagens”.

Um novo olhar sobre a cidade

Criado em Suzano, Ederson usa a fotografia para registrar cenas da cidade que escapam ao olhar rotineiro. O objetivo é mostrar que o município, muitas vezes subestimado, guarda beleza e histórias em cada esquina, paisagem e detalhes.

“Existe uma máxima de que em Suzano não tem nada. A verdade é que quem diz isso às vezes não conhece, e nem busca conhecer a região. Também já pensei assim, mas hoje vejo de forma diferente”, relata.

O fotógrafo gosta de fazer imagens de trilhas, nas linhas férreas e da natureza @Renan Omura/Agência Mural

Desde que ingressou na fotografia, em 2010, Ederson passou a enxergar a cidade como um território a ser descoberto. A partir desse novo olhar, ele criou um vínculo maior com o local onde mora. “Redescobri Suzano com a fotografia”.

Para ele, o município tem um potencial que vai muito além do que se vê à primeira vista, principalmente o distrito de Palmeiras, que concentra áreas extensas de Mata Atlântica.

‘Suzano tem mirantes, trilhas, grutas e represas. Em Palmeiras, principalmente, tem uma vasta área de mata, que surpreende quem não conhece essa parte da cidade’

Ederson, fotógrafo

Entre os locais que Ederson costuma fotografar estão pontos turísticos fora do circuito tradicional de Suzano. Um deles é a Pedra do Estudante, um mirante cercado por mata nativa com vista panorâmica da cidade, localizada no bairro Fazenda Viaduto.

O fotógrafo também costuma fazer registros na Represa de Taiaçupeba, área de manancial cercada por vegetação e com amplo espelho d’água no bairro Chácara do Duchen.

No perfil do Instagram, ele compartilha as fotos e desperta a atenção tanto de quem mora em Suzano quanto de pessoas de outras cidades. Para Ederson, o alcance das publicações também reforça o potencial turístico do município.

Os cenários mais afastados do centro e pouco explorados, são justamente os que mais chamam a atenção do público nas redes sociais.

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Nascer do sol registrado no “morrão”, área mais alta do Jardim Planalto

Nascer do sol registrado no “morrão”, área mais alta do Jardim Planalto @Arquivo pessoal/Divulgação

Pássaro fotografado em voo no “morrão”, região elevada do Jardim Planalto

Pássaro fotografado em voo no “morrão”, região elevada do Jardim Planalto @Arquivo pessoal/Divulgação

Registro feito durante pôr do sol na Pedra do Elefante, em Suzano

Registro feito durante pôr do sol na Pedra do Elefante, em Suzano @Arquivo pessoal/Divulgação

Cavalo em meio à vegetação no Morrão, no distrito de Palmeiras, em Suzano

Cavalo em meio à vegetação no Morrão, no distrito de Palmeiras, em Suzano @Arquivo pessoal/Divulgação

“Quando posto um stories, a galera sempre pergunta: ‘onde você está?’, ‘é aqui em Suzano mesmo?’. Muita gente se surpreende quando descobre que sim”.

As primeiras imagens

A ligação de Ederson com a cidade nasceu ainda na infância, quando ajudava a mãe a vender verduras e legumes pelas ruas do Jardim Planalto. Isso fez com que ele desenvolvesse um olhar atento para o cotidiano do bairro.

“A gente saía cedo, batia de porta em porta ou montava nossa barraca na rua. Foi ali que comecei a criar um vínculo com o bairro e a observar detalhes que, mais tarde, seriam importantes na minha fotografia”, lembra.

Aos 17 anos, Ederson frequentava ensaios e shows de bandas locais. Não como músico, mas como observador. O irmão mais velho, que tocava em um cover de AC/DC chamado “1000 Volts”, foi sua principal referência artística. “Olhava e pensava: quero ser ele.”

Registro de apresentação musical feito por Ederson com longa exposição @Arquivo pessoal/Divulgação

Sem instrumento musical, encontrou na câmera um jeito de fazer parte daquele universo. Depois de muito insistir com a mãe, ganhou uma cybershot uma câmera digital compacta, bastante popular nos anos 2000 – e passou a fotografar amigos músicos da região de Palmeiras. Aos poucos, começou a se aproximar das bandas, fazer flyers, circular pelos bastidores e construir uma rede.

O circuito era pequeno, mas ativo, com eventos no Centro Cultural de Palmeiras e shows independentes. Foi nesse ambiente que aprendeu algo essencial para sua produção fotográfica: o tempo. “Conhecia a música, sabia a hora do ‘punch’ e esperava o instante exato, muitas vezes quase invisível no canto do palco”, lembra.

Ederson fez curso técnico de Comunicação Visual em 2015, onde teve contato acadêmico com processos fotográficos. “Foi ali que eu perdi o medo de mexer em uma câmera profissional”, lembra.

Em 2018, iniciou a graduação em Fotografia. A escolha, segundo ele, não foi apenas pela técnica, mas pela possibilidade de ampliar seu olhar. “Você entra achando que sabe tirar foto, mas sai entendendo tudo o que pode fazer com a câmera”.

Para o fotógrafo, a época da faculdade representou um marco na vida. Durante a pandemia e no último ano dos estudos, aproveitou o seguro-desemprego que estava recebendo para adquirir a primeira câmera profissional, uma Canon T5i.

‘Naquela época, foi um investimento considerável, levando em conta que estávamos vivendo uma crise econômica por causa da pandemia. Mas eu decidi arriscar’

Ederson

Nos anos de quarentena, passou a explorar o bairro de bicicleta nas primeiras horas do dia e iniciou sua trajetória profissional, oferecendo fotos para negócios locais que vendiam pelo iFood e precisam de boas imagens para divulgar seus produtos.

“Foi assim que eu fui me encontrando. Passei por estúdios, fiz fotos de bandas em bares e pubs, e hoje sigo nessa trajetória”.

O que vem pela frente

Ederson deseja cada vez mais aliar a fotografia com o turismo em Suzano. A proposta é acompanhar grupos em trilhas guiadas, realizando registros ao longo do percurso.

“Minha ideia é que os visitantes levem não só a experiência, mas também imagens do passeio. A Pedra do Estudante tem uma vista linda, dá pra ver boa parte da região e isso surpreende quem não conhece”, ressalta.

Ederson utiliza a fotografia para destacar aspectos da cidade que passam despercebidos @Renan Omura/Agência Mural

Ele também desenvolve projetos autorais, como produção de scrapbooks, os álbuns artesanais que combinam fotos, textos e elementos gráficos. A intenção, segundo ele, é voltar a realizar ensaios fotográficos e, junto, oferecer o scrapbook como um diferencial.

“É uma forma de entregar algo mais pessoal, não só a imagem, mas um material que a pessoa possa guardar, revisitar e criar uma conexão com aquele momento”, afirma.

Agência Mural

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Suzano além do cartão-postal: conheça os pontos turísticos fora do centro da cidade https://agenciamural.org.br/suzano-alem-do-cartao-postal-conheca-os-pontos-turisticos-fora-do-centro-da-cidade/ https://agenciamural.org.br/suzano-alem-do-cartao-postal-conheca-os-pontos-turisticos-fora-do-centro-da-cidade/#respond Thu, 02 Apr 2026 15:23:05 +0000 https://agenciamural.org.br/?p=82948 Mirantes, trilhas, patrimônios históricos, templos religiosos e espelho d’água. Estes são exemplos de destinos pouco explorados por quem visita ou mora em Suzano, na Grande São Paulo. Muito disso, em razão desses locais estarem fora do eixo central da cidade, o que faz com que acabem passando despercebidos por grande parte das pessoas. A cidade, […]

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Mirantes, trilhas, patrimônios históricos, templos religiosos e espelho d’água. Estes são exemplos de destinos pouco explorados por quem visita ou mora em Suzano, na Grande São Paulo. Muito disso, em razão desses locais estarem fora do eixo central da cidade, o que faz com que acabem passando despercebidos por grande parte das pessoas.

A cidade, que faz aniversário neste 2 de abril, foi reconhecida como MIT (Município de Interesse Turístico) após o Projeto de Lei nº 819/2025 ser aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado) em agosto de 2025. Ainda assim, boa parte desse potencial passa despercebido, já que alguns dos atrativos estão distribuídos em regiões periféricas.

Nesta reportagem, a Agência Mural reúne pontos e trajetos que fogem do circuito tradicional, ampliando o olhar para além do centro.

Pôr do sol na Represa de Taiaçupeba, área de manancial que também se tornou ponto de visitação e contemplação da paisagem @Renan Omura/Agência Mural

Pedra do Estudante

Para o fotógrafo e analista de dados Ederson Rodrigues, 35, Suzano é subestimada. “Quando falam que a cidade não tem nada para fazer, eu discordo na hora. Tem muita coisa boa, a galera só não conhece”, afirma.

Entre os destinos que gosta de explorar, Ederson cita a trilha da Pedra do Estudante, um mirante cercado por mata nativa e com vista panorâmica da cidade. Situada na Estrada da Fazenda Viaduto, o local é ideal para quem busca lazer ao ar livre.

“Aconselho vir com tempo de sobra e, se possível, ficar até o pôr do sol. Temos uma visão maravilhosa quando não há nuvens encobrindo, mas o visual, por si só, já compensa muito”, conta Ederson.

Ederson afirma que discorda sobre a falta de opções de lazer em Suzano @Arquivo pessoal/Divulgação

Embora a trilha até a Pedra do Estudante seja considerada fácil, é importante se preparar levando água, roupas adequadas e alimentos proteicos, uma vez que o percurso até o mirante tem cerca de 4 quilômetros e 930 metros de altitude. “A trilha não apresenta dificuldades, mas sempre aconselho ir com um guia ou alguém experiente”, explica.

Pedra do Estudante

Endereço: Estrada fazenda viaduto, Fazenda Aya. Complemento: Entrada pela fazenda do Pneu

Preço: Gratuito

Represa de Taiaçupeba

Outro destino que Ederson costuma frequentar é a Represa de Taiaçupeba. Com acesso pela Estrada da Duchen, no bairro Chácara do Duchen, o reservatório integra o Sistema Produtor Alto Tietê e se destaca pelo grande espelho d’água cercado por áreas verdes.

A região é bastante frequentada por ciclistas, trilheiros, caminhantes e pescadores, sendo uma alternativa para quem procura lazer fora do circuito urbano. “É um lugar tranquilo, bom para caminhar, pedalar e observar a paisagem”, comenta.

A Represa de Taiaçupeba faz parte do Sistema Produtor Alto Tietê, conjunto de reservatórios que abastece a Região Metropolitana de São Paulo @Renan Omura/Agência Mural

Apesar do potencial turístico, Ederson reforça que a visita deve ser feita com responsabilidade. “É uma área de manancial, então é fundamental respeitar o ambiente e não deixar lixos. Além disso, recomendo não entrar na água, pois o local não é próprio para banho”.

Represa de Taiaçupeba

Endereço: Estrada da Duchen, 69, bairro Chácara Duchen, Distrito de Palmeiras

Preço: Gratuito

Trilha do SESC

O engenheiro elétrico Lucas Rodrigues, 30, mora em Ribeirão Pires, município vizinho, e costuma pedalar na Trilha do SESC em Suzano. “É um percurso bem completo, com trechos técnicos e contato direto com a natureza”, relata.

A trilha está localizada no Parque do Mirante, na avenida Katisutoshi Naito, no bairro do Sesc, na periferia de Suzano.

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Entrada para o início da trilha de XCO (Cross Country Olímpico) no Parque do Mirante

Entrada para o início da trilha de XCO (Cross Country Olímpico) no Parque do Mirante @Renan Omura/Agência Mural

Morador de Ribeirão Pires, Lucas Rodrigues costuma atravessar a região para pedalar na Trilha do SESC, em Suzano

Morador de Ribeirão Pires, Lucas Rodrigues costuma atravessar a região para pedalar na Trilha do SESC, em Suzano @Renan Omura/Agência Mural

Trilha do SESC, no Parque do Mirante, tem cerca de 4,5 km e nível de dificuldade técnica moderado

Trilha do SESC, no Parque do Mirante, tem cerca de 4,5 km e nível de dificuldade técnica moderado @Renan Omura/Agência Mural

Com cerca de 4,5 quilômetros de extensão e nível de dificuldade técnica moderado, a trilha de XCO (Cross Country Olímpico) — modalidade olímpica do mountain bike — inclui descidas, trechos em meio à floresta, terreno rochoso e diversos obstáculos.

Lucas explica que, apesar de contar com partes mais técnicas, o trajeto também pode ser percorrido por iniciantes. Segundo ele, a trilha possui trechos mais tranquilos que permitem que ciclistas com menos experiência aproveitem o percurso com segurança.

“Quem está começando consegue fazer boa parte do circuito e ir evoluindo aos poucos”, afirma.

Trilha do SESC

Endereço: Avenida Katisutoshi Naito, 976 bairro do Sesc -Parque do Mirante

Preço: Gratuito

Igreja do Baruel (Capela Nossa Senhora da Piedade)

A cerca de 20 quilômetros do centro de Suzano, a Capela Nossa Senhora da Piedade, conhecida como Igreja do Baruel, guarda parte importante da memória do município. Situada no distrito de Palmeiras, às margens da rodovia Índio Tibiriçá, o templo é considerado o ponto de origem da cidade.

A construção da capela remonta ao século 17, quando a região ainda integrava o território de Mogi das Cruzes, cidade vizinha. Além da arquitetura histórica, o espaço mantém vivas tradições religiosas e culturais que atravessam gerações, como a Festa do Baruel, realizada anualmente no fim de setembro.

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Construída no século XVII, a Igreja do Baruel preserva parte importante da história e da religiosidade de Suzano

Construída no século XVII, a Igreja do Baruel preserva parte importante da história e da religiosidade de Suzano @Renan Omura/Agência Mural

Além da arquitetura histórica, a Igreja do Baruel resgata as tradições culturais e religiosas ligadas às origens da cidade

Além da arquitetura histórica, a Igreja do Baruel resgata as tradições culturais e religiosas ligadas às origens da cidade @Renan Omura/Agência Mural

Para o padre Juviminiano Frade da Silva, pároco da Capela Nossa Senhora da Piedade, o local representa um espaço de fé, memória e união

Para o padre Juviminiano Frade da Silva, pároco da Capela Nossa Senhora da Piedade, o local representa um espaço de fé, memória e união @Renan Omura/Agência Mural

O padre Juviminiano Frade da Silva, 60, pároco responsável pela capela, explica que a igreja se tornou um refúgio espiritual para moradores da região e visitantes. “É um lugar onde as pessoas encontram tranquilidade e se reconectam com a fé”

Para ele, manter o espaço ativo também ajuda a preservar tradições antigas. “São mais de 100 anos de história. Manter esse lugar vivo é também manter viva as memórias e as raízes de Suzano”, afirma.

Capela Nossa Senhora da Piedade

Endereço: Praça Ernestina Maria de Jesus Bianchi, 185, bairro Baruel, distrito de Palmeiras

Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira, das 9h às 17h/ Domingo Santa Missa às 10h

Templo Hare Krishna

Na região norte de Suzano, no bairro Jardim Chácara Mea, está o Templo Hare Krishna Suzano Mandir. O espaço é dedicado à filosofia védica e às práticas da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna.

A partir das 17h aos sábados, o templo recebe visitantes para o Festival Transcendental, evento aberto ao público que inclui cânticos de mantras, meditação, estudos do Bhagavad-gita e um jantar gratuito de comida vegetariana.

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Com mais de duas décadas de existência, o Templo Hare Krishna Suzano Mandir reúne devotos de diferentes cidades do Alto Tietê

Com mais de duas décadas de existência, o Templo Hare Krishna Suzano Mandir reúne devotos de diferentes cidades do Alto Tietê @Renan Omura/Agência Mural

Frequentadores participam de cânticos e meditação durante atividades no Templo Hare Krishna Suzano Mandir

Frequentadores participam de cânticos e meditação durante atividades no Templo Hare Krishna Suzano Mandir @Renan Omura/Agência Mural

A professora Maria Aparecida frequenta o Templo Hare Krishna Suzano Mandir há três anos

A professora Maria Aparecida frequenta o Templo Hare Krishna Suzano Mandir há três anos @Renan Omura/Agência Mural

O templo tem mais de duas décadas de presença no município e reúne devotos de diferentes cidades do Alto Tietê. A professora Maria Aparecida, 46, moradora de Santo André, frequenta o Suzano Mandir há três anos. “É um lugar de muita paz e acolhimento”, afirma.

Suzano Mandir

Endereço: Rua Saburô Manabe, 585, Jardim Chácara Mea

Horário de funcionamento: Aos sábados, a partir das 17h

Preço: Gratuito

Perspectivas para o turismo em Suzano

A Prefeitura de Suzano explica que o reconhecimento da cidade como Município de Interesse Turístico garantiu acesso a recursos estaduais destinados ao desenvolvimento do setor.

Além disso, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego trabalha em parceria com o Comtur (Conselho Municipal de Turismo) para traçar um planejamento a fim de alavancar o turismo na cidade.

Entre as possibilidades em estudo estão rotas ligadas à produção agrícola da região, que integra o Cinturão Verde da Região Metropolitana de São Paulo, e projetos voltados ao turismo religioso. Uma das propostas é a “Rota da Fé – Caminho das Intercessoras”, que conectaria Suzano a outros destinos da região.

Segundo a prefeitura, as iniciativas ainda estão em fase de planejamento, sem prazos ou valores definidos.

Agência Mural

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Suzano Mandir: conheça o templo Hare Krishna com mais de 25 anos de história https://agenciamural.org.br/suzano-mandir-conheca-o-templo-hare-krishna-com-mais-de-25-anos-de-historia/ https://agenciamural.org.br/suzano-mandir-conheca-o-templo-hare-krishna-com-mais-de-25-anos-de-historia/#respond Thu, 06 Nov 2025 19:18:51 +0000 https://agenciamural.org.br/?p=77763 “Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare…” O cântico entoado pelos devotos se repete em coro. O som dos instrumentos ecoam enquanto o perfume do incenso se espalha pelo salão. Essas são as primeiras impressões de quem chega ao templo Suzano Mandir, na Grande São Paulo. Com mais de 25 anos de história, o […]

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“Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare…” O cântico entoado pelos devotos se repete em coro. O som dos instrumentos ecoam enquanto o perfume do incenso se espalha pelo salão. Essas são as primeiras impressões de quem chega ao templo Suzano Mandir, na Grande São Paulo.

Com mais de 25 anos de história, o espaço religioso recebe cerca de 100 devotos que frequentam aos sábados e fica no Jardim Chácara Mea, na periferia de Suzano. O templo é dedicado às práticas espirituais da ISKCON (Sociedade Internacional da Consciência Krishna), organização que busca propagar os ensinamentos e a devoção a Krishna como suprema personalidade de Deus.

Os devotos em momento de adoração no Templo Suzano Mandir @Renan Omura/Agência Mural

“Este é um lugar para todos que buscam uma compreensão superior da consciência e querem se desprender das coisas materiais e temporárias”, afirma Jay Gokula, 72, fundador, presidente e guru do templo.

Devoto de Hare Krishna desde que o movimento chegou ao Brasil na década de 1970, Jay exerce tanto a função de líder espiritual, orientando os frequentadores nas práticas e estudos, quanto responsabilidades administrativas, garantindo o funcionamento do espaço.

‘O templo de Suzano é reconhecido como um dos principais do país por preservar as deidades (representações sagradas das divindades), trazidas da Índia’

Jay Gokula, fundador do templo

Jay, presidente e guru do templo ministrando estudo sobre Bhagavad Gita @Renan Omura/Agência Mural

Aos sábados, às 17h, o Suzano Mandir realiza o Festival Transcendental, aberto ao público. A programação inclui o Bhajan (cânticos de devoção), o estudo do “Bhagavad Gita: como ele é” (um dos principais textos sagrados do hinduísmo, que reúne os ensinamentos espirituais de Krishna) seguido do Arati (momento de adoração) e encerra com um jantar vegano gratuito.

O festival é transmitido pelo perfil do Instagram Suzano Mandir e também pelo canal no YouTube, onde o Jay Gokula compartilha ensinamentos sobre a filosofia Vaishnava, músicas devocionais e mensagens voltadas ao autoconhecimento e à espiritualidade.

Hare Krishna: o despertar da consciência

Jay Gokula explica que o Hare Krishna é uma corrente personalista do hinduísmo, conhecida como Vaishnavismo. Nesse sentido, os devotos buscam cultivar uma relação íntima e próxima com Deus, enxergando-o não de forma impessoal, mas como uma pessoa suprema dotada de qualidades e reciprocidade.

“Krishna não é uma ideia, um sentimento ou um conceito distante, mas é alguém com quem podemos nos relacionar. Ele sente, retribui e se envolve com seus devotos. Essa é a base da nossa fé: uma relação pessoal de amor e devoção”, explica o guru.

Escrito central do conhecimento védico, o Bhagavad Gita orienta sobre dharma, ação e espiritualidade @Renan Omura/Agência Mural

Nesta jornada de busca, além de recitar diariamente mantras e participar de momentos de adoração, os devotos assumem o compromisso de seguir alguns princípios reguladores, como não comer carne, peixe ou ovos; não praticar jogos de azar; não se intoxicar (com drogas, álcool) entre outras questões.

“Essa natureza de ser um ‘monge’, não é fácil. Você tem que renunciar a muita coisa e estar convencido filosoficamente do que você está fazendo. Não pode ser uma coisa superficial”, afirma Jay Gokula.

A partir da busca deste relacionamento com o divino, a consciência é gradualmente despertada, e o devoto passa a orientar os pensamentos e comportamentos pela consciência de Krishna.

Espiritualidade e rotina

Para Jay, uma sociedade sem iluminação espiritual está suscetível a ser guiada pelas circunstâncias materiais, o que a torna vulnerável a conflitos, frustrações e turbulências emocionais.

Krsna Dhama, devoto de Krishna há mais de 30 anos @Renan Omura/Agência Mural

“Aos poucos, ele (o devoto de Krishna) pensa: ‘Puxa, estou passando por tantas dificuldades, mas espera aí, eu não sou este corpo. Esta vida é temporária’. Assim, a consciência vai se clareando e se despertando”, explica.

O auxiliar administrativo Krsna Dhama, 49, é devoto de Krishna há mais de 30 anos. Ele, a esposa e os filhos, moradores de Itaquaquecetuba, município vizinho, participam ativamente das atividades do Suzano Mandir.

Ele explica que o Bhagavad Gita descreve os três modos da natureza — bondade, paixão e ignorância — que influenciam as ações e pensamentos das pessoas.

Segundo Krsna, o conhecimento espiritual ajuda o devoto a agir sob a influência do modo da bondade, cultivando paciência, equilíbrio e compaixão no dia a dia, ao invés de se deixar guiar pelos modos da paixão ou da ignorância.

Maria Aparecida afirma que os mantras auxiliam no equilíbrio e trazem paz ao longo do dia @Renan Omura/Agência Mural

“As religiões, de modo geral, principalmente o conhecimento de Krishna, nos tornam pessoas mais pacientes e tolerantes no dia a dia. Aprendemos a não olhar apenas para nós mesmos, mas a desenvolver um olhar mais empático pelos outros.”

A professora Maria Aparecida, 46, frequenta o Suzano Mandir há três anos junto com o marido. O casal mora em Santo André e relata que o contato com os cânticos e os estudos do Bhagavad Gita a ajudaram a encontrar equilíbrio emocional em meio à rotina.

‘Como professora da rede pública, algumas semanas são bastante conturbadas e turbulentas. O que me acalma são os mantras, especialmente o maha-mantra. Eles realmente me transformam e me ajudam a superar os desafios do dia a dia’

Maria, professora

De Nova York a periferia de Suzano

O movimento Hare Krishna teve início em 1965, em Nova York, com a fundação da ISKCON por A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.

Sem recursos financeiros e viajando de navio, Prabhupada chegou aos Estados Unidos com o objetivo de difundir os ensinamentos do Vaishnavismo e os princípios contidos no Bhagavad Gita, uma das principais escrituras védicas.

Jovem entoa cânticos religiosos no templo @Renan Omura/Agência Mural

Com carisma e dedicação, conquistou rapidamente seguidores, realizou palestras ao redor do mundo e conseguiu apoio para a construção de mais de 100 templos e centros culturais internacionais.

No Brasil, o movimento chegou na década de 1970 e, desde então, tem estabelecido templos e centros de prática, como o Suzano Mandir. Não há um número oficial de devotos brasileiros do Hare Krishna, sendo a única referência os dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que contabilizaram 5.675 pessoas declarando seguir o hinduísmo.

O Censo mais recente, de 2022, não trouxe informações detalhadas sobre o hinduísmo, classificando-o como parte do grupo “outras religiões”.

Suzano Mandir

Endereço: Rua Saburô Manabe, 585, Jardim Chácara Mea, Suzano

Horário de funcionamento: Aos sábados, a partir das 17h

Preço: Gratuito

Agência Mural

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Luthier de Mogi das Cruzes preserva tradições afro-brasileiras em cada afinação https://agenciamural.org.br/luthier-mogi-das-cruzes-tradicoes-afro-brasileiras/ https://agenciamural.org.br/luthier-mogi-das-cruzes-tradicoes-afro-brasileiras/#respond Thu, 13 Feb 2025 10:24:07 +0000 https://agenciamural.org.br/?p=66068 Em uma estreita oficina no fundo de casa, o luthier e ativista cultural Agildo Fernandes Lima, 62, reforma mais um pandeiro de couro. Com olhar atento, ele questiona a qualidade do instrumento musical: “Os pandeiros de hoje em dia não são como os de antigamente”. A mão calejada e a agilidade ao manusear as ferramentas […]

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Em uma estreita oficina no fundo de casa, o luthier e ativista cultural Agildo Fernandes Lima, 62, reforma mais um pandeiro de couro. Com olhar atento, ele questiona a qualidade do instrumento musical: “Os pandeiros de hoje em dia não são como os de antigamente”.

A mão calejada e a agilidade ao manusear as ferramentas entregam a experiência de anos dedicados à luteria. Morador do bairro Vila Cintra, periferia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, Agildo é mestre na manutenção de instrumentos rítmicos populares brasileiro.

“Caixa do divino, atabaque, alfaia de maracatu, pandeiro de couro, pandeirão. Esses são alguns dos instrumentos que o pessoal traz para mim”, conta o artesão.

Agildo atende a um público diversificado, incluindo grupos de cultura popular, sambistas, capoeiristas e frequentadores de terreiros. “Atendo praticamente todas as manifestações que envolvem o tambor”, diz ele.

O trabalho do luthier não se restringe à manutenção de instrumentos, ele também ministra oficinas em escolas. “Essas oficinas são importantes para as novas gerações se conectarem com suas raízes, garantindo que o conhecimento não se perca com o passar do tempo.”

Apesar de não se considerar saudosista, ele não aprecia o forró eletrônico e prefere o tradicional.

‘Prefiro o Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino. Hoje em dia está tudo muito industrializado. Até os instrumentos perderam a qualidade’

Para Agildo, a luteria não é apenas um ofício, mas uma forma de resistência. Ele explica que em cada instrumento que constrói ou reforma há um propósito maior: manter vivo os ritmos da cultura popular brasileira.

“A gente vive um apagamento das nossas raízes. Quando conserto um atabaque, por exemplo, estou resgatando um passado de luta e ancestralidade”, relata.

Cada instrumento que passa pelas mãos de Agildo, carrega séculos de história @Renan Omura/Agência Mural

Ritmos, tradição e luta

Cada instrumento que passa pelas mãos de Agildo carrega séculos de história. O pandeirão, por exemplo, é um dos principais instrumentos nas folias de Bumba Meu Boi.

O festival, comum no Maranhão e em outras regiões do Norte e Nordeste do Brasil, é uma celebração marcada por danças, músicas e rituais. O evento homenageia personagens folclóricos como o boi e as suas várias representações.

Os primeiros registros da festividade revelam que o evento era predominantemente celebrado pela população negra, o que gerou forte resistência da sociedade elitista na época. Em 1861, o Bumba Meu Boi foi proibido, resultando em uma interrupção de sete anos.

Outro instrumento marcante é o atabaque, um tambor de formato cilíndrico, predominante em rituais de religiões afro-brasileiras, como candomblé e umbanda. Além disso, é comumente utilizado na capoeira e em ritmos populares brasileiros, como o axé e o samba.

Já a caixa do divino é um pequeno tambor, tradicionalmente utilizado nas celebrações do Divino Espírito Santo, nas congadas, no samba rural e em diversas outras festividades.

“Fomos impostos a uma cultura, a um costume, a crenças, e moldaram tudo de maneira que fôssemos levados a gostar disso. Por isso, hoje, eu luto para resgatar as nossas raízes”, explica Agildo.

Morador do bairro Vila Cintra, periferia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, Agildo é mestre na manutenção de instrumentos rítmicos populares brasileiro @Renan Omura/Agência Mural

O caminho do luthier

Morando há 44 anos em Mogi das Cruzes, Agildo se define como um “cabra de sorte”. Natural de Itaporanga, no Sertão da Paraíba, o luthier recorda a trajetória marcada por desafios e conquistas que o trouxeram até aqui.

“Sou um migrante nordestino, negro e desprovido de regalias. Cheguei até aqui com muito esforço, mas também com a ajuda de pessoas que acreditaram em mim. Por isso, me considero um cabra de sorte”

Desde cedo, Agildo foi imerso em um ambiente musical. Na cidade natal, a música estava presente, seja nas festas ou na rádio difusora que tocava pelas ruas. Aos oito anos, fez o próprio instrumento, uma bateria improvisada, inspirada na banda da cidade.

“Minha infância não foi diferente da de qualquer garoto da Paraíba. Trabalhei desde cedo na lavoura da minha família e, quando jovem, vim para São Paulo com meus pais em busca de melhores oportunidades”, relata.

Ao longo da vida, o luthier passou por diversas profissões, como operador em uma fábrica de reciclagem, almoxarife, mecânico, entre outras áreas. No entanto, foi em 2007 que ele teve o primeiro contato profissional com a música.

Djembe, tambor originário de Guiné na África Ocidental, para troca de couro @Renan Omura/Agência Mural

Na época, Agildo e a esposa foram apresentados ao tradicional grupo de cultura popular de Mogi das Cruzes, o Jabuticaqui. Logo, passaram a fazer parte do coletivo, participando ativamente das apresentações e trocas culturais.

Graças às inúmeras habilidades adquiridas nas profissões anteriores, o grupo confiou a Agildo a missão de reformar vinte duas caixas do divino, mesmo sem ele ter experiência prévia. O resultado foi surpreendente e, a partir daí, ele iniciou no ramo da luteria.

“Quando construo um atabaque, estou resgatando um passado de luta e ancestralidade dos povos”, afirma Agildo @Renan Omura/Agência Mural

Desde então, Agildo tem se dedicado não somente à construção e manutenção de instrumentos musicais, mas também na confecção de esculturas, espelhos e objetos de decoração. “Sou um cara ajeitado e gosto de fazer de tudo um pouco”, completa.

Após o falecimento da esposa em 2022 em decorrência de complicações causadas pelo parkinson, Agildo passou a praticar capoeira da angola. A atividade o ajudou a se reconectar com a energia e a buscar um novo caminho.

“Tenho muito o que fazer. A luteria é minha forma de manter viva a cultura e fortalecer as nossas raízes. Enquanto eu puder trabalhar, estarei aqui, reformando, ensinando e tocando a tradição adiante”, conclui.

Agência Mural

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Casa das Mandalas: conheça a história do artesão que construiu um ateliê em meio à natureza https://agenciamural.org.br/casa-das-mandalas-conheca-a-historia-do-artesao-que-construiu-um-atelie-em-meio-a-natureza/ https://agenciamural.org.br/casa-das-mandalas-conheca-a-historia-do-artesao-que-construiu-um-atelie-em-meio-a-natureza/#respond Fri, 29 Nov 2024 12:06:06 +0000 https://agenciamural.org.br/?p=64960 Ao lado de uma encruzilhada, em uma casa histórica com mais de 200 anos — que um dia também foi posto de gasolina — o artesão Leandro da Silva Pereira, vulgo Leandro Legalizado, 37, ergueu o Ateliê Casa das Mandalas. É ali, em meio à Mata Atlântica, no distrito de Quatinga, a 40 km do […]

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Ao lado de uma encruzilhada, em uma casa histórica com mais de 200 anos — que um dia também foi posto de gasolina — o artesão Leandro da Silva Pereira, vulgo Leandro Legalizado, 37, ergueu o Ateliê Casa das Mandalas. É ali, em meio à Mata Atlântica, no distrito de Quatinga, a 40 km do centro de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, que ele mora desde 2017.

Leandro confecciona filtros dos sonhos, pulseiras, colares e brincos de pedras exóticas e vende para os visitantes do local. Em cada peça, o artesão revela histórias de resistência e arte, transformando o ateliê em um ponto de encontro entre o antigo e o novo, o tradicional e o místico.

“É nessa casa com mais de dois séculos de história que eu moro e tiro meu sustento”, conta Leandro, que vê o espaço como um “refúgio místico”.

No ateliê Casa das Mandalas, Leandro Legalizado exibe um dos filtros dos sonhos que cria, combinando técnicas artesanais e elementos naturais para transmitir boas energias e proteção @Renan Omura/Agência Mural

‘A matéria-prima para criar meus artesanatos vem daqui também. Eu mesmo colho o bambu e o sisal’

O Ateliê Casa das Mandalas está situado na rota turística Caminho do Sal, que liga Mogi das Cruzes ao distrito de Paranapiacaba, em Santo André. Para se deslocar até os centros comerciais, Leandro utiliza uma moto, com a qual enfrenta as estradas de terra que cortam a densa mata.

“Não me sinto isolado. Pelo contrário, essa distância é um convite para as pessoas virem até aqui e conhecerem meu trabalho. Cada pessoa que chega aqui traz consigo uma nova história, uma nova perspectiva, e isso enriquece ainda mais o meu trabalho”, explica.

Leandro utiliza a moto que ganhou de sua mãe como meio de transporte para buscar mantimentos @Renan Omura/Agência Mural

Além de vender artesanatos, Leandro também oferece o espaço da Casa das Mandalas para camping, atraindo visitantes em busca de uma experiência única em meio à natureza. O local, cercado pela exuberância da floresta, proporciona momentos de tranquilidade e conexão com o meio ambiente.

Antigo posto de gasolina

Leandro conta que a casa onde mora atualmente foi um dos primeiros postos de gasolina de estrada do Brasil. A construção exibe elementos arquitetônicos característicos do início do século 20, como pilares largos e altos.

Apesar do passar dos anos, o artesão tem se dedicado a preservar a autenticidade do imóvel, incorporando toques de arte para realçar o charme histórico do local.

“Meu quarto, antigamente, era um galpão onde se guardavam óleos e ferramentas”, conta Leandro, enquanto aponta para o teto de madeira peroba, uma das espécies nativas da região e símbolo da construção original.

De acordo com o artesão, a casa onde mora foi um dos primeiros postos de gasolina de estrada do Brasil @Renan Omura/Agência Mural

Com o passar dos anos o antigo posto perdeu a função original. Estradas mais rápidas e eficientes desviaram o fluxo de viajantes, deixando o imóvel, aos poucos, esquecido pelo tempo.

Além disso, no século 17, durante a colonização pela coroa portuguesa, a rota conhecida como Caminho do Sal, era utilizada por tropeiros que transportavam sal para abastecer a região.

A rota também era usada para o tráfico clandestino de pedras preciosas, o que resultou em um bloqueio pelo rei na época.

“A casa passou por várias fases, até ficar praticamente abandonada. Quando eu a encontrei, sabia que precisava trazer de volta sua essência”, conta Leandro.

Hoje, a rota Caminho do Sal atrai uma variedade de visitantes, incluindo praticantes de mountain bike, motocross, trail runners e amantes da natureza em geral.

Mandalas feitas por artesão são opção para quem circula pelo caminho do sal @Renan Omura/Agência Mural

Um novo lar

Antes de morar no ateliê, Leandro vivia na periferia de Interlagos, em São Paulo. Contudo, após um desentendimento com a mãe e movido pela vontade de conquistar a independência, decidiu sair de casa e encontrar um novo lar.

Com a cara e a coragem, Leandro arrumou uma pequena mochila, levando apenas o essencial, e partiu sem um destino certo. Naquele dia, ele seguiu até um camping no Caminho do Sal, mas acabou optando por dormir em uma casa que, até então, estava abandonada.

A conexão foi instantânea. Apesar do estado de abandono em que o imóvel se encontrava, Leandro enxergou potencial.

Mesileni aguarda a aposentadoria para morar definitivamente com Leandro @Renan Omura/Agência Mural

“As paredes descascadas e o teto desgastado não me assustaram. Sabia que podia encontrar o meu lar naquele lugar. Senti algo me puxar para essa casa”, conta.

Sem eletricidade e sem um fogão, Leandro improvisava as refeições na fogueira. “Trouxe alguns mantimentos e toda manhã acendia um fogo para fazer meu café”.

Para garantir o sustento, ele começou a cultivar legumes no terreno ao redor da casa. Paralelamente, ele também trabalhou por um período em um camping próximo ao ateliê, o que ajudou a custear outras necessidades básicas enquanto estruturava sua nova vida.

Preocupada com o filho, logo que Leandro saiu de casa, a diarista e copeira Mesileni da Silva, 54, foi à procura dele, porém apenas uma amiga do artesão conhecia o paradeiro. Assim que soube, a mãe foi até a casa onde ele estava abrigado.

“Peguei um ônibus às 4 horas da manhã até Paranapiacaba e caminhei todo o trajeto. Cheguei aqui por volta das 11 horas, trazendo alguns mantimentos para ele”, afirma Mesileni.

Ao chegar no local, Mesileni relata que se deparou com uma casa sem portas e uma barraca onde Leandro estava dormindo.

Pedras semipreciosas exposas no ateliê Casa das Mandalas @Renan Omura/Agência Mural

Apesar de terem feito as pazes imediatamente, Leandro optou por continuar no local. “Eu como mãe, respeitei a decisão dele. Voltei para casa e chorei, mas acatei a decisão do meu filho”, relata;

Uma semana depois, Mesileni retornou com os familiares, tentando convencer Leandro a voltar para casa. No entanto, sem sucesso, ela respeitou a decisão do filho e passou a visitá-lo com frequência, levando mantimentos até o local.

Com o tempo, Leandro se adaptou à nova rotina, dedicando-se à produção de artesanatos que vendia aos turistas da região. Hoje, ele afirma estar realizado com sua escolha e não pensa em deixar o local. “Me encontrei nesse lugar”, relata.

Mesileni passou a apreciar a tranquilidade da região e, junto com Leandro, decidiu adquirir a propriedade. Agora, ela aguarda a aposentadoria para se mudar em definitivo para o ateliê Casa das Mandalas.

“Essa paz que encontramos aqui é algo que não tem preço! Aqui, desfrutamos de uma qualidade de vida que é difícil encontrar em outros lugares”, afirma Mesileni.

Agência Mural

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João Belmonte: conheça o educador social e artista visual que transforma geladeiras desativadas em bibliotecas https://agenciamural.org.br/joao-belmonte-conheca-o-educador-social-e-artista-visual-que-transforma-geladeiras-desativadas-em-bibliotecas/ https://agenciamural.org.br/joao-belmonte-conheca-o-educador-social-e-artista-visual-que-transforma-geladeiras-desativadas-em-bibliotecas/#respond Fri, 30 Aug 2024 14:49:12 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=62367 Uma geladeira colorida chama a atenção de quem passa pela estação Guaianases, na zona leste de São Paulo. No lugar de comida, dentro dela há livros, revistas e gibis para quem quiser ler. O projeto “geloteca” foi idealizado pelo professor de arte, poeta e artista visual João do Belmonte, 40. “A ideia é criar pontos […]

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Uma geladeira colorida chama a atenção de quem passa pela estação Guaianases, na zona leste de São Paulo. No lugar de comida, dentro dela há livros, revistas e gibis para quem quiser ler. O projeto “geloteca” foi idealizado pelo professor de arte, poeta e artista visual João do Belmonte, 40.

“A ideia é criar pontos independentes de leitura para promover a troca de conhecimentos de forma acessível e gratuita”, explica João.

Em oito anos de atuação, o projeto Geloteca, criado por João, já instalou cerca de 390 bibliotecas móveis em São Paulo, distribuindo 35 mil livros pelo estado. Iniciativas semelhantes no Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais, Pará e Pernambuco elevam o número de geladeiras transformadas em pontos de leitura para 700 em todo o Brasil.

“Tenho parcerias com outros projetos pelo Brasil. Inclusive, o Projeto Geloteca BH, em Minas Gerais, eu ajudei a fazer a primeira geladeira e eles continuaram com o trabalho. Também tem outros projetos espalhados pelo país como O Pará Que Lê, no Pará, Projeto Geloteca RS, no Rio Grande do Sul e muitos outros”, conta.

João do Belmonte, idealizador e criador do projeto Geloteca @Renan Omura/Agência Mural

Além de incentivar a leitura, o projeto busca engajar a comunidade. João explica que o processo de criação de uma geloteca envolve a participação de moradores na confecção das bibliotecas ambulantes.

‘Primeiro a gente pega uma geladeira velha, de preferência doada, e depenamos ela. Tiramos o motor e toda parte de ferro. Construímos as prateleiras e depois confeccionamos. Nesse processo, toda a galera do bairro participa’

João Belmonte, educador social

Espalhadas por escolas, praças, hospitais, estações de trem e metrô, as gelotecas são constantemente abastecidas por João e pelos leitores que apoiam a iniciativa. Todos os livros são provenientes de doações de pessoas e empresas parceiras. Isso garante que as geladeiras permaneçam sempre cheias de livros.

“Sei que a Geloteca não vai mudar o mundo. Até porque é só um projeto de incentivo à leitura. Mas, ao oferecer acesso a livros e promover a leitura, estamos contribuindo para um ambiente onde o conhecimento tem a chance de crescer”, afirma João.

Esta iniciativa já provoca mudanças significativas na vida dos leitores. Um exemplo disso é o caso de um haitiano que abriu a própria empresa de tecnologia após ler um livro sobre empreendedorismo obtido na Geloteca de um ponto de ônibus em Guaianases.

“As gelotecas contribuem na construção de um ambiente onde o conhecimento têm a chance de crescer”, afirma João @Renan Omura/Agência Mural

Hoje, o empreendedor mora nos Estados Unidos, mas em uma das visitas ao Brasil, encontrou-se com João na Expo Favela e expressou a gratidão pelo projeto. Para o criador da Geloteca, os impactos se revelam gradualmente ao longo do tempo.

“Percebo o impacto principalmente nas crianças, pelo lado lúdico da coisa. Elas encontram na geladeira um espaço que deveria guardar comida, mas que oferece alimento para a mente. Lá dentro, há várias histórias e aventuras esperando por elas”, afirma.

A assistente administrativa Nicole Abreu, 39, residente de Cidade Tiradentes, na zona leste, é uma das leitoras e apoiadoras do projeto. Ela destaca os benefícios da leitura para os jovens.

“Quando elas leem livros físicos, acabam criando memórias muito mais marcantes do que com as versões digitais. Os livros ajudam a melhorar a compreensão, a imaginação e até a concentração delas”, destaca.

Geralmente, cada geloteca conta com um embaixador, uma espécie de “guardião” que assume a responsabilidade pela manutenção da biblioteca e cuidar para que esteja sempre organizada, com livros em bom estado e acessíveis para todos.

Geloteca na estação de Suzano, na Grande SP, homenageando o professor e poeta Vandei Oliveira, mais conhecido como Poeta Seu Zé @Renan Omura/Agência Mural

O início do projeto

A ideia de transformar geladeiras em bibliotecas ambulantes surgiu quando João viu um projeto semelhante fora do Brasil. Porém, nessa iniciativa a geladeira tinha um cadeado e a pessoa precisava chamar o proprietário para destrancar a biblioteca.

João achou a iniciativa interessante, mas queria fazer algo diferente. Ele colocou as geladeiras na rua, sem nenhuma supervisão, e deixou que a própria comunidade cuidasse delas.

Antes de criar a Geloteca, ele ministrava aulas para crianças em um projeto chamado Sarau da Quebrada, em Guaianases. Durante as atividades, havia muitos livros disponíveis para os moradores da região. Foi a partir desse acervo inicial que ele deu origem à primeira biblioteca ambulante.

João explica que, no início, a ideia era transformar Guaianases, bairro onde ele reside, em um dos maiores polos de leitura independente da América Latina. Começou instalando oito gelotecas pelo distrito. O primeiro deles, foi na frente da barbearia de um amigo.

Logo, o projeto se expandiu para outras cidades e começou a atrair parceiros em outros estados. Hoje, João destaca que já estabeleceu colaborações com iniciativas semelhantes em várias regiões do Brasil, inclusive conta com parceiros no Uruguai.

Hoje, ele pensa em como fazer para o projeto chegar mais longe. “Acredito que podemos expandir essa ideia e criar um formato que seja replicável para empresas ou outros locais, utilizando a temática das gelotecas. Estou focado em formalizar todos esses processos”, explica João.

Agência Mural

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Olha o rélo: Encontro de pipeiros em Mogi das Cruzes https://agenciamural.org.br/olha-o-relo-encontro-de-pipeiros-em-mogi-das-cruzes/ https://agenciamural.org.br/olha-o-relo-encontro-de-pipeiros-em-mogi-das-cruzes/#respond Tue, 25 Jun 2024 21:42:18 +0000 https://agenciamural.org.br/?p=60060 Em Jundiapeba, bairro de Mogi das Cruzes, zona leste de São Paulo, um encontro de pipeiros vem arrastando multidões para um combate em campinho aberto e super seguro. No vídeo, “pipeiros” falam sobre sua paixão pelas pipas, a importância da brincadeira para a quebrada e como se dão os combates no céu. Agência Mural

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Em Jundiapeba, bairro de Mogi das Cruzes, zona leste de São Paulo, um encontro de pipeiros vem arrastando multidões para um combate em campinho aberto e super seguro. No vídeo, “pipeiros” falam sobre sua paixão pelas pipas, a importância da brincadeira para a quebrada e como se dão os combates no céu.

Agência Mural

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Olha o rélo: encontro de pipeiros reúne centenas de pessoas em Mogi das Cruzes https://agenciamural.org.br/olha-o-relo-encontro-de-pipeiros-reune-centenas-de-pessoas-em-mogi-das-cruzes/ https://agenciamural.org.br/olha-o-relo-encontro-de-pipeiros-reune-centenas-de-pessoas-em-mogi-das-cruzes/#respond Tue, 28 May 2024 21:42:06 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=59488 Quem atravessa a Avenida das Orquídeas nos fins de semana, em Jundiapeba, periferia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, vê dezenas de pipas colorindo o céu. O encontro de pipeiros costuma reunir uma multidão em um campo aberto de quase 100 mil metros quadrados. O serralheiro Wagner da Silva, 48, foi um dos […]

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Quem atravessa a Avenida das Orquídeas nos fins de semana, em Jundiapeba, periferia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, vê dezenas de pipas colorindo o céu. O encontro de pipeiros costuma reunir uma multidão em um campo aberto de quase 100 mil metros quadrados.

O serralheiro Wagner da Silva, 48, foi um dos primeiros a começar a frequentar o local em 2018. Morador do bairro Jardim Universo, ele explica que o encontro já é uma tradição.

“Depois do expediente de trabalho eu volto pra casa e começo os preparativos. Faço minhas pipas e rabiolas e deixo tudo no jeito pra sábado e domingo. É uma forma saudável de me divertir”, relata.

Habilidoso, Wagner construiu a própria carretilha, carretel utilizado para enrolar e desenrolar a linha. Ele criou o dispositivo para não machucar os dedos na hora do combate.

Wagner da Silva construiu a própria carretilha, carretel utilizado para enrolar e desenrolar a linha @Renan Omura/ Agência Mural

“Aqui não tem regra. Tá no alto é pra cortar! Não podemos dar mole nem para as crianças. Quando você menos espera elas vêm e te cortam.”

No porta-malas e no banco de trás do carro, Wagner guarda caixas de papelão cheias de pipas que ele mesmo fez ao longo da semana. Assim, ao levar um rélo (quando a pipa é cortada), rapidamente pega outra e coloca no ar.

Wagner esclarece que não se trata de um evento, pois não há um organizador, horários ou datas pré-estabelecidas. Por isso, trata-se de um encontro.

‘O local é aberto. Geralmente, acontece aos sábados e domingos, e às vezes às sextas-feiras. O pessoal começa a chegar aos poucos, por volta das 10h, e vai enchendo. Na temporada de férias passa de cem pessoas fácil’

Wagner da Silva, morador do Jardim Universo

De acordo com Wagner, o extenso terreno que fica à margem da avenida das Orquídeas onde ocorre o encontro pertencia a um empresário de Mogi das Cruzes, já falecido. Com o tempo, os moradores locais passaram a ir no lugar para empinar pipa.

Jurandir Barros da Silva, 30, estudante de direito, frequenta o encontro há um ano e meio. Ele mora em Jundiapeba e costuma ir na reunião de pipeiros quase todos os sábados e domingos.

“Aqui, (no encontro) é mais seguro do que as ruas. Além de não ter postes de luz, também evitamos acidentes com os motociclistas”, comenta.

Jurandir Barros da Silva afirma que o encontro é um dos maiores de São Paulo e reúne pipeiros de diversas regiões @Renan Omura/ Agência Mural

De acordo com Jurandir, o encontro é um dos maiores de São Paulo e reúne pipeiros de diversas regiões. Ele conta que vêm pessoas de Guaianases, Itaquera, Ferraz de Vasconcelos e outros municípios.

De volta à infância

Para o autônomo Roger Silva de Paiva, 36, morador do bairro Vila Brasileira, em Mogi das Cruzes, o encontro é uma forma de resgatar a magia da infância. “Sinto que eu volto a ser criança”, diz. “Aliás, não só eu, se você olhar em volta, todos estão sorrindo e se divertindo. Você vê que todas essas pessoas voltam para a infância”, relata.

Roger ainda destaca que o encontro proporciona um momento de descontração e união entre as pessoas. Ele nunca testemunhou discussões ou brigas nas vezes em que esteve presente na reunião de pipeiros.

“Toda vez que eu venho para esse lugar, eu sinto que eu volto a ser criança”, diz Roger Silva @Renan Omura/ Agência Mural

Michael Clodoaldo da Silva, 38, tem uma loja de pipas em Jundiapeba. Sempre que está de folga, costuma ir ao encontro. Para ele, o evento é uma forma saudável de lazer e interação social, além de ser uma oportunidade para trocar experiências e aprender novas técnicas com outros entusiastas.

“Aqui as crianças se divertem, livres dos perigos da rua. Também é um momento divertido para nós que amamos soltar pipa”.

Agência Mural

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Em Suzano, pais de crianças com autismo não conseguem acompanhamento psicológico https://agenciamural.org.br/em-suzano-pais-de-criancas-com-autismo-nao-conseguem-acompanhamento-psicologico/ https://agenciamural.org.br/em-suzano-pais-de-criancas-com-autismo-nao-conseguem-acompanhamento-psicologico/#respond Tue, 02 Apr 2024 15:35:49 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=58062 Valquíria dos Santos, 34, é mãe de Theo Lorenzo dos Santos, 5, diagnosticado em fevereiro de 2024 com TEA (Transtorno do Espectro Autista), nível 1 de suporte. Moradora do Gardênia Azul, bairro periférico de Suzano, na Grande São Paulo, ela tem se deparado com obstáculos para obter o acompanhamento médico necessário, um direito de quem […]

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Valquíria dos Santos, 34, é mãe de Theo Lorenzo dos Santos, 5, diagnosticado em fevereiro de 2024 com TEA (Transtorno do Espectro Autista), nível 1 de suporte. Moradora do Gardênia Azul, bairro periférico de Suzano, na Grande São Paulo, ela tem se deparado com obstáculos para obter o acompanhamento médico necessário, um direito de quem tem TEA.

“Foram 10 meses de espera para ser atendida pelo neurologista e conseguir o diagnóstico do meu filho”, afirma. Atualmente, ela e o marido dependem do SUS (Sistema Único de Saúde) e da rede municipal para garantir o tratamento adequado à criança.

Mesmo com o diagnóstico, Valquíria relata que não está conseguindo uma vaga na UBS Jardim Alterópolis, que é o posto mais próximo de casa. Ela tem procurado o atendimento desde fevereiro e, em março, ouviu da enfermeira que iriam avaliar se o filho dela “realmente necessita do acompanhamento.”

Valquiria deixou o emprego como cuidadora para se dedicar integralmente aos cuidados de Théo. O menino nasceu com espinha bífida, uma condição em que a medula espinhal do bebê não se desenvolve normalmente durante a gestação, com isso, ele enfrenta dificuldades de locomoção.

Valquíria dos Santos, 34, e Théo Lorenzo, 5, diagnosticado com TEA @Arquivo pessoal

Desde os primeiros anos de vida do filho, Valquíria tem buscado por um cirurgião pediátrico pelo SUS para realizar uma reparação na coluna. No entanto, de acordo com ela, devido à escassez de especialistas disponíveis na rede pública de saúde, não tem conseguido prosseguir com o tratamento.

Além da dificuldade de acesso à saúde, Valquíria também enfrenta desafios na educação. Matriculado na Emef (Escola Municipal de Ensino Infantil e Ensino Fundamental) Esther Hidalgo Leite Rondinelli, ele não tem o acompanhamento de um AAI (Agente de Apoio à Inclusão), o que dificulta o aprendizado.

Théo tem transtorno alimentar seletivo, uma condição comum em crianças com TEA, em que apresenta uma preferência restrita por certos alimentos e recusa de outros. Por esses motivos, Valquíria está solicitando, há alguns meses, a presença de um agente, mas também não obteve sucesso.

Questionada pela mãe, a responsável pelo AEE (Atendimento Educacional Especializado) da escola informou que não há necessidade de um auxiliar de apoio, pois Théo está recebendo a assistência necessária para se alimentar.

“O Théo precisa da assistência de um agente, não apenas de ajuda das ‘tias’ da escola para comer”, relata Valquíria.

Vale ressaltar que a Lei Berenice Piana (Lei 12.764/12), que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, determina que as crianças diagnosticadas com TEA têm o direito à disponibilização de um acompanhante especializado em sala de aula quando constatado a necessidade.

Dia 2 de abril é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo @Magno Borges/Agência Mural

De acordo com dados divulgados em fevereiro pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) em parceria com o MEC (Ministério da Educação (MEC), as matrículas na educação especial ultrapassaram 1,7 milhão em 2023. Em comparação com 2022, houve um aumento 0,8%.

Apesar desses números, os obstáculos ainda estão presentes no dia a dia. “Confesso que eu cansei. Já tentei contato com a Secretaria de Educação de Suzano para pedir o apoio de um auxiliar em sala de aula, mas não consegui nada”.

Outras histórias, os mesmos desafios

Valéria dos Santos, 37, é mãe solo de Nathan dos Santos, 10, diagnosticado aos 4 com TEA, nível 1. Moradora do bairro Jardim Varan, outra periferia de Suzano, ela depende dos serviços da rede municipal para assegurar o acompanhamento médico para o filho.

Valéria dos Santos, 37, e Nathan dos Santos, 10, diagnosticado com TEA @Arquivo Pessoal

Nathan passou cerca de quatro anos sem terapia com psicólogo, o que resultou em um retrocesso no tratamento dele. Valéria conta que até 2020 ele fazia sessões na UBS Jardim Alterópolis, mas após o período de quarentena da pandemia, não conseguiu mais.

‘A psicóloga do posto me disse que não poderia atender o meu filho, pois a unidade está sem estrutura, mas não entendo por que antes da pandemia [de Covid-19] tinha’

Atualmente, depois de muita insistência, Valéria conseguiu um acompanhamento psicológico em grupo quinzenalmente. No entanto, ela ressalta que o período em que Nathan ficou sem esse auxílio prejudicou o desenvolvimento e ele passou a ter algumas crises.

“Na escola, por exemplo, devido ao som alto, ele precisa andar com abafador no ouvido. Isso representa um retrocesso no tratamento para mim”, afirma.

Além disso, Valéria está enfrentando dificuldades para adquirir os medicamentos receitados pelo neuropediatra. Nathan precisa tomar diariamente risperidona, centralina, entre outros remédios.

“Eu vou à UBS e dizem que esses remédios estão em falta. Não tenho condições de comprar todos esses medicamentos. Isso me preocupa bastante, pois esse mês eu conseguir me virar e comprar, mas e no mês que vem?”, questiona.

Abrindo os olhos para o autismo

O projetista mecânico Osmar Matsuki Tobita, 29, e Rayanne Castro, 31, autônoma, são pais de Arthur Matsuki, 5, diagnosticado com TEA, nível 1. Moradores do bairro Jardim América, eles estão em busca de um psicólogo infantil, mas não estão encontrando um profissional da rede municipal disponível na região. Eles lamentam a escassez de profissionais em Suzano.

“Sinto que os poucos profissionais disponíveis estão bastante sobrecarregados”, comenta Osmar.

Hoje, após muita luta, Arthur conseguiu realizar sessões quinzenais com o fonoaudiólogo na UBS Palmeiras. Os pais ressaltam a importância desse especialista no desenvolvimento da fala e expressam o desejo de que as sessões ocorressem semanalmente.

Tobita Matsuki e Rayanne Matsuki, pais de Arthur, diagnosticado com TEA @Renan Omura/Agência Mural

Rayanne lamenta a falta de compreensão da população sobre o Transtorno do Espectro Autista, pois já testemunhou expressões de desaprovação quando Arthur está em crise em locais públicos.

‘As pessoas que não conhecem TEA, associam as crises do Arthur como se fosse pirraça, mas está longe de ser isso. Claro que isso é reflexo da falta de conhecimento, mas é preciso abrir os olhos para o autismo’

Situação atual de Suzano

Em relação à falta de fonoaudiólogos e psicólogos na UBS Jardim Alterópolis, a Secretaria de Saúde de Suzano afirma que aguarda a apresentação de dois novos profissionais para dar continuidade à reorganização das agendas. Porém, não informou uma previsão de chegada.

A pasta ainda acrescentou que todas as 24 unidades da Atenção Básica contam com psicólogos. No entanto, os casos são priorizados de acordo com a gravidade, o que acaba influenciando no tempo de espera para início do tratamento.

Em relação à cirurgia de Théo para correção da espinha bífida, a secretaria afirmou que em 2018 foi solicitada à Secretaria de Estado da Saúde uma vaga para consulta com neurocirurgião pediatra. No entanto, a pasta estadual vem tentando contato com os pais desde 2022, mas não obtiveram retorno. Mesmo assim, o município tem renovado o pedido.

Sobre a solicitação dos auxiliares na EMEIF, a Secretaria de Educação diz que a Equipe do Atendimento Educacional Especializado avalia a necessidade do Agente de Apoio à Inclusão, mas foi verificado que a criança tem boa autonomia, por isso não foi indicado um AAI.

Quanto à falta de medicamentos na UBS Jardim Alterópolis, a Prefeitura afirmou que esta unidade não conta com dispensação de medicamentos sob controle especial, sendo necessário adquirir em outras unidades.

Além disso, em março, o medicamento risperidona em comprimidos sofreu um atraso na entrega por parte do fornecedor, que solicitou prorrogação no prazo e está sendo notificado para normalizar a situação.

Já em relação à ausência de psicólogos infantis na UBS Palmeiras, a pasta relatou que a Secretaria Municipal de Saúde não informa ao público não ter psicólogo infantil, pois os profissionais lotados nas 24 unidades da Atenção Básica são generalistas e atendem pessoas de todas as idades.

Agência Mural

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Das ruas de Suzano à China: pirofagista leva arte circense ao público oriental https://agenciamural.org.br/suzano-pirofagista/ https://agenciamural.org.br/suzano-pirofagista/#respond Tue, 10 Oct 2023 20:38:37 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=52658 O artista circense Wesley Cavalcanti dos Passos, 23, morava no Jardim Revista, periferia de Suzano, na Grande São Paulo. No entanto, há 4 meses, seu novo endereço é Wuhan, município da região central da China, cidade que ficou mundialmente conhecida pelo primeiro caso de Covid-19. A ideia de viajar para a China surgiu em 2020, […]

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O artista circense Wesley Cavalcanti dos Passos, 23, morava no Jardim Revista, periferia de Suzano, na Grande São Paulo. No entanto, há 4 meses, seu novo endereço é Wuhan, município da região central da China, cidade que ficou mundialmente conhecida pelo primeiro caso de Covid-19.

A ideia de viajar para a China surgiu em 2020, quando ele recebeu um convite de um amigo brasileiro que já estava no país asiático para participar de um processo seletivo. Na ocasião, a empresa contratante buscava profissionais qualificados de outros países para integrar a equipe, especificamente um pirofagista.

No entanto, devido às restrições impostas pela quarentena, ele não conseguiu seguir com o processo de seleção. Wesley aproveitou esse período para regulamentar os documentos e estudar inglês e mandarim.

Wesley Cavalcanti dos Passos faz parte dos espetáculos do parque aquático Haichang Ocean Polar Park, na China @Arquivo Pessoal

Em março deste ano, ele recebeu outra proposta, mas dessa vez era para atuar com palhaçaria. Mesmo não sendo a sua especialidade, o artista passou no processo seletivo e assinou um contrato temporário de 6 meses.

“Inicialmente, estavam selecionados profissionais ucranianos por estar mais próximo da China. Mas, devido ao conflito com a Rússia, passaram a considerar candidatos do Brasil”, explica.

O início na arte

Antes de residir no país asiático, Wesley se apresentava nos semáforos de Suzano, onde se especializou na arte da pirofagia. A paixão pela arte começou aos 16 anos, inicialmente na escrita de poesias e depois na música. No entanto, foi por volta de 2017 que conheceu a magia do circo, e desde então, tem se dedicado integralmente.

Logo após adquirir algumas técnicas básicas de malabarismo com a ajuda de um amigo, Wesley começou a realizar performances nas ruas de Suzano.

“De manhã eu ia fazer as minhas apresentações e à noite eu ia para escola. O dinheiro que eu ganhava ajudava a minha mãe quitar as contas em atraso”, explica.

Nesse período, Wesley conta que enfrentou alguns desafios nas ruas. Como uma vez que quase foi atropelado por um motorista que se incomodou com a apresentação.

“Viver da arte não é fácil. Mas eu nunca pensei em desistir, não. Até porque a maioria das pessoas respeita o nosso trabalho”

Wesley Cavalcanti dos Passos, pirofagista

“Tem a questão da instabilidade financeira também, mas estou conseguindo me virar bem”, completa.

O dia a dia na China

Hoje, ele atua como palhaço no parque aquático Haichang Ocean Polar Park, em Wuhan. Mas também pratica o malabarismo, perna de pau e se especializou na pirofagia. Passou anos estudando e aperfeiçoando as habilidades até dominar as técnicas.

“Eu tive excelentes amigos que me ensinaram muito. Hoje, eu sou especialista em pirofagia, mas acabo fazendo de tudo”, relata.

Personagem que Wesley interpreta é palhaço viajante Xiao Lan, que significa o pequeno azul @Arquivo Pessoal

Em média, o artista faz de 3 a 5 apresentações por dia e conta que, embora esteja bastante corrido, está gostando das novas experiências. “Às vezes eu nem sinto a diferença do público chinês com o brasileiro.”

Apesar do choque cultural, ele relata que está conseguindo superar os obstáculos. Para conversar com os chineses utiliza aplicativos de tradução, mas afirma estar empenhado em aprender o idioma local. O jovem fala inglês e espanhol.

Recentemente, a empresa em que ele trabalha contratou intérpretes, o que facilitou a comunicação com os companheiros de equipe, que possui membros russos.

O espetáculo no qual Wesley faz parte conta a história de três figuras místicas: Robin, o protetor da natureza; o SábioBelugaBranco, um ser que tem a habilidade de conversar com os animais e o vilão Lèsè de Léi, o rei do lixo.

Na trama, Robin e o SábioBelugaBranco lutam contra o Lèsè de Léi para proteger o meio ambiente contra os danos da poluição.

O personagem que Wesley interpreta é o palhaço viajante Xiaolan, que significa o pequeno azul. Ele atua junto com outro artista do Brasil que faz o personagem Da Bai, o grande branco. O papel dos dois brasileiros é interagir e conduzir o público durante as performances.

“Fui orientado pelo contratante a não ter contato físico com o público durante as apresentações. No máximo um aperto de mão ou toque no ombro. Só que eles são tão carismáticos quanto os brasileiros e nos abraçam o tempo todo”, conta Wesley.

Antes de se mudar para China, Wesley se apresentava nos semáforos de Suzano @Arquivo Pessoal

Fora do palco, o artista também está conseguindo se adaptar à nova realidade. Nos primeiros meses, conta que foi difícil, mas afirma que têm superado os desafios.

“A comida brasileira sempre vai ser a melhor! Aqui tem alguns pratos bastante gostosos também e, outros bem estranhos, por exemplo, carne de burro. Mas no geral, consigo aproveitar bastante as minhas folgas”, comenta.

O artista circense está orgulhoso da própria trajetória e pretende renovar o contrato de 6 meses. Para ele, o seu principal diferencial está na capacidade de se adaptar a qualquer tipo de situação.

“A imprevisibilidade das ruas me ensinou a lidar com todos os tipos de situações. Afinal, quando se trata da rua, tudo pode acontecer”.

O artista brasileiro sempre sonhou em viajar pelo mundo, antes mesmo de se tornar pirofagista. Hoje, ele afirma que está vivendo uma das melhores fases da vida.

“Ralei muito para estar aqui, mas eu cheguei! Por isso, a gente que vem da quebrada não pode desistir, não. Tem que perseverar”, conclui.

Agência Mural

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