Agência Mural https://agenciamural.org.br/muralista/wellingtonnascimento/ A Agência Mural produz jornalismo sobre, para e pelas periferias, com correspondentes locais que combatem estereótipos e ampliam o acesso à informação. Thu, 02 Oct 2025 20:23:38 +0000 pt-BR hourly 1 Após críticas a nome CEU Silvio Santos, padre recebe homenagem em Cidade Ademar https://agenciamural.org.br/ceu-cidade-ademar-silvio-santos/ https://agenciamural.org.br/ceu-cidade-ademar-silvio-santos/#respond Thu, 02 Oct 2025 20:23:37 +0000 https://agenciamural.org.br/?p=76582 A entrega do primeiro CEU (Centro de Educação Unificado) em Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, ficou marcada pela escolha do nome de Silvio Santos. “Fiquei indignado”, relembra Osvaldir Barbosa, 61. Na época, moradores protestaram contra a escolha. “Quem foi Sílvio Santos aqui na nossa região? Nada contra a pessoa, mas ele não […]

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A entrega do primeiro CEU (Centro de Educação Unificado) em Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, ficou marcada pela escolha do nome de Silvio Santos. “Fiquei indignado”, relembra Osvaldir Barbosa, 61.

Na época, moradores protestaram contra a escolha. “Quem foi Sílvio Santos aqui na nossa região? Nada contra a pessoa, mas ele não fez absolutamente nada aqui”, completa. “Essa nomeação foi uma total falta de respeito com a comunidade. Em nenhum momento fomos consultados para ajudar na escolha do nome”, reclamou Clair Helena, 67.

A homenagem prestada pela Prefeitura de São Paulo ao ex-apresentador da televisão brasileira frustrou a comunidade que lutou para homenagear uma importante figura da região, o padre Anthony John Conry, conhecido como padre Tony. Ele morreu em julho de 2023 devido a problemas pulmonares.

Osvaldir, morador da Cidade Ademar ao lado de Padre Tony @Arquivo pessoal/Divulgação

O sacerdote irlandês era um grande defensor da educação e cultura dos jovens de Cidade Ademar por mais de 40 anos. Até por isso, os moradores acreditam que o nome de Tony no CEU seria mais do que uma homenagem, mas a continuidade do legado dele na região.

A luta não foi em vão. No dia da inauguração, em 10 de setembro, a população descobriu que a Escola Municipal de Ensino Fundamental, que fica dentro do espaço educacional, passou a se chamar EMEF Padre Anthony John Conry.

‘Se não fosse a mobilização da comunidade, nem a escola teria o nome dele. Então, de qualquer forma, já é um fato positivo’

Osvaldir, morador da Cidade Ademar

Nomeação surpresa

Desde o início das obras, há dois anos, Osvaldir apresentou na Câmara Municipal dois projetos de lei para nomear o equipamento de padre Tony, um dos precursores da luta pelo espaço no distrito.

Com a solicitação em curso pela Secretaria da Educação, pasta responsável pelo parecer do documento, ficou surpreso ao ver a pintura do apresentador em uma das paredes do prédio do CEU.

A reação dos moradores ocorreu de forma imediata. Mais de mil assinaturas de um abaixo-assinado online reivindicando a mudança foram colhidas entre a comunidade. O documento foi impresso e entregue a representantes da pasta durante uma reunião na subprefeitura da Cidade Ademar.

Moradores levam faixa de protesto em reunião na Subprefeitura reivindicando a mudança do nome do CEU para Padre Tony @Wellington Nascimento/Agência Mural

Mesmo com as principais demandas da população não sendo respondidas, como o porquê da escolha de Sílvio Santos e a data de inauguração do prédio. A solicitação da alteração do nome para padre Tony resultou na homenagem feita na EMEF uma semana depois.

“Infelizmente ele não viveu o suficiente para ver um projeto que ele lutou tanto. O CEU Cidade Ademar era pra ter o seu nome, por merecimento e reconhecimento do trabalho realizado aqui”, disse Cristiane Mayoroff, 55, amiga do padre.

Luta pela educação

Nascido na Irlanda, em 1938, o sacerdote formado em teologia, filosofia, letras e pedagogia, tornou-se professor. O irlandês veio para o Brasil em 1969 e oito anos depois desembarcou na Cidade Ademar, sendo responsável pela construção das primeiras igrejas no distrito.

Além do evangelho, a luta pela educação de crianças e adolescentes era frequente. Tanto que ajudou a criar o colégio São Francisco de Assis, que este ano completa 40 anos de fundação.

Padre Tony realizando missa na quadra de uma escola @Arquivo pessoal/Divulgação

“Ele queria que os jovens fossem os protagonistas da sociedade. Sempre deu apoio, desde a creche até o ensino profissionalizante”, diz Elisabeth Porto, 66, professora de ensino religioso do colégio.

Para Neide Silva, 60, o padre era uma “pessoa muito humana, humilde e cheia de luz, que enxergava o dom das pessoas”. Com 36 anos trabalhando no colégio como assistente social, ela agradece o sacerdote: “Ele ajudou muito na minha formação. Se sou o que sou hoje, devo isso a ele”, diz.

Inauguração

Com mais de dois meses de atraso do prazo previsto, o CEU Sílvio Santos, localizado na avenida Yervant Kissajikian, nº 1.256, foi aberto à população. O espaço era uma demanda de décadas de moradores, se tornando o primeiro equipamento desse porte no distrito.

Na inauguração, contou com a presença do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e das três filhos do apresentador, Sílvia, Cíntia e Renata Abravanel.

Citando o padre Tony como um “sacerdote muito respeitado na região”, Nunes falou ao público: “Esse é um espaço para cuidar das nossas crianças, jovens e idosos. É uma alegria enorme poder entregar esse equipamento e fazer essa homenagem a esse grande homem que foi um marco na história do nosso país”, disse.

O espaço de dois andares possui uma estrutura completa para a prática de atividades físicas, com piscinas descobertas, piscina semiolímpica, salas de ginástica, de dança, de circo e artes marciais, além de quadras cobertas e descobertas.

“Essas aulas são maravilhosas porque ajudam na saúde mental, espiritual e do corpo”, disse Rosália dos Santos, 62, aluna de dança do projeto Afromix, presente na aula inaugural da sala. “É mais do que uma atividade física, é uma socialização”, complementa a professora Anita Silva, 45.

A unidade também tem salas multiuso, de música e audiovisual, estúdio de gravação, telecentro, playground e bebeteca em uma área de mais de 20 mil metros quadrados. De acordo com a prefeitura de São Paulo, o local conta com uma infraestrutura moderna, com soluções sustentáveis para a economia e gestão de água e energia.

Toda a obra, iniciada em setembro de 2023 e finalizada em abril deste ano, teve investimento de R$ 82 milhões no modelo de PPP (Parceria Público-Privada).

Agência Mural

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Prefeitura de SP corta verba de espaço cultural premiado na zona sul https://agenciamural.org.br/prefeitura-de-sp-corta-verbas-jamac-cidade-ademar/ https://agenciamural.org.br/prefeitura-de-sp-corta-verbas-jamac-cidade-ademar/#respond Tue, 04 Feb 2025 14:43:56 +0000 https://agenciamural.org.br/?p=65890 O sonho de trabalhar por conta própria e de levar cultura à população periférica fez a artista Mônica Nador, 69, sair de São José dos Campos, no interior paulista, para o distrito da Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo. Há 21 anos, Mônica fundou o Jamac (Jardim Miriam Arte Clube), um espaço cultural […]

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O sonho de trabalhar por conta própria e de levar cultura à população periférica fez a artista Mônica Nador, 69, sair de São José dos Campos, no interior paulista, para o distrito da Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo. Há 21 anos, Mônica fundou o Jamac (Jardim Miriam Arte Clube), um espaço cultural que oferece oficinas, cursos, rodas de conversa e grupos terapêuticos para moradores da região.

Após mais de duas décadas beneficiando pessoas que sofrem com a falta de equipamentos culturais no distrito, a artista foi pega de surpresa com uma notícia que pode colocar em risco a continuação das atividades do Jamac. O dinheiro de uma emenda que serviria para custear o projeto em 2025 foi negado pela Prefeitura de São Paulo.

“Nós só temos dinheiro até o final de fevereiro. Depois disso não sabemos o que vai acontecer. Não temos plano B. As pessoas sugeriram que fizéssemos um financiamento coletivo, mas seria a primeira vez. Não sabemos se vai dar certo”, conta a fundadora do Jamac.

Time de educadores do Jardim Miriam Arte Clube, da esqueda para a direita – Thaís Scabio, Isabel Gomes, Mônica Nador e Lucas Souza. @Wellington Nascimento/Agência Mural

O equipamento cultural independente fica localizado na rua Maria Balades Corrêa, número 8, no bairro Jardim Miriam. E é lá dentro que mora atualmente o seu maior sonho: “o que eu mais quero é comprar esse espaço, que é alugado, e fazer ele ficar no bairro para sempre”, diz Mônica. “Quero continuar criando pontes para as pessoas viverem juntas”, complementa.

O Jamac já recebeu diversas premiações por sua atuação nas comunidades. A mais recente delas foi o Prêmio Periferia Viva, em 2024, promovido pelo Ministério das Cidades. O prêmio valoriza ações que promovem o enfrentamento das desigualdades e a transformação dos territórios periféricos.

Corte de verba

Para o projeto continuar funcionando, é necessário ter dinheiro para pagar educadores, funcionários, materiais utilizados nas aulas e o aluguel do espaço. Uma das formas de adquirir verba é por meio de parcerias, premiações, emendas ou editais.

EMENDAS

As emendas são uma forma de destinar parte do orçamento do poder executivo e é proposto pelos legisladores. No caso, um vereador pode propor uma emenda para que a prefeitura destine dinheiro para um projeto específico. Foi o que havia ocorrido com o Jamac, mas a gestão municipal cancelou o envio do recurso.

Fachada do Jamac com pinturas feitas pelos alunos da oficina de estêncil @Wellington Nascimento/Agência Mural

O cinema, por exemplo, teve apoio do Centro Cultural da Espanha, que patrocinou o projeto por cerca de três anos. Em 2024, a oficina conseguiu ser realizada pelo recurso do edital do estado da Lei Paulo Gustavo, criado para minimizar os efeitos da pandemia de Covid-19 no setor cultural.

Em 2023, o apoio veio através de uma emenda com a prefeitura de São Paulo. Porém, no ano passado, o recurso foi negado pela Secretaria de Cultura, que alegou em nota que o “projeto teria que ser cancelado porque o valor da emenda não estava disponível para execução”.

“Fomos comunicados que a verba tinha sido aprovada em maio e apenas precisava da assinatura do prefeito, o que nunca ocorreu. A prefeitura foi adiando os meses do repasse, até que chegou em dezembro e fomos surpreendidos com essa negativa”, disse Thaís Scabio, cineasta, educadora e diretora do Jamac.

Espaço onde são realizadas as oficinas @Wellington Nascimento/Agência Mural

A Agência Mural entrou em contato com a Secretaria da Cultura para falar sobre o caso, mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta.

Na hora do aperto, Thaís conta que vende alguns produtos que são produzidos no Jamac, como os panos de prato e os quadros. Desde dezembro, algumas dessas artes ficam à venda na banca da Galeria Vermelho, na Avenida Paulista.

“A gente já tentou patrocínios para o projeto, mas qual empresa vai patrocinar um projeto de periferia? Ela quer retorno de imagem e nas comunidades é muito difícil esse retorno. O retorno que damos é para a própria periferia”, explica a educadora.

A cineasta é uma das pessoas mais antigas da casa. Entrou em 2006 após conhecer o Jamac em uma bienal. “O Jamac representa vida para o nosso lugar e nosso território. Mesmo com um futuro incerto, ainda estou confiante de que essa história tenha um final feliz”, diz a diretora.

Educadores

O projeto é desenvolvido com a ajuda de educadores, artistas e agentes culturais da região. Ao lado de Mônica, algumas pessoas ajudaram a construir a história do local durante os anos. Uma delas é Isabel Gomes, 53, que realiza trabalhos de serviço geral e de educadora.

A chegada de Isabel ao Jamac foi por acaso. Nascida em Itacarambi, em Minas Gerais, precisou vir a São Paulo cuidar do irmão que estava internado por problemas no coração no Hospital das Clínicas. Ela trabalhava com arborização, vistoriando árvores em áreas públicas e privadas.

Isabel ensinando a fazer estêncil no pano de prato @Wellington Nascimento/Agência Mural

Uma dessas vistorias aconteceu na rua do espaço cultural. Mônica cedeu o local para que ela pudesse tomar água e durante a conversa Isabel se ofereceu para varrer as folhas de árvores que ficavam caídas no ambiente. “Isso virou um emprego de carteira assinada. Desde então, nunca mais saí daqui”, conta a educadora, que tem 16 anos de casa.

Mesmo realizando serviços gerais como limpar, cozinhar e cuidar do espaço, as oficinas oferecidas pelo Jamac chamaram a atenção da funcionária. Ela participou das aulas de cinema e de estêncil, uma técnica de pintura que consiste em aplicar desenhos em superfícies com moldes vazados.

A pintura caiu no gosto de Isabel. Há 10 anos, ela dá aulas de estêncil no pano de prato no local. “Meu prazer se tornou ensinar uma pessoa que não sabe ainda”, diz a mineira. A oficina também é levada para fora do Jamac, em exposições realizadas no Parque Ibirapuera e no Serviço Social do Comércio (Sesc), por exemplo.

Outro educador do equipamento, Lucas Souza, 29, frequentava o Jamac desde os 14 anos pelas aulas de cinema. Onze anos depois, voltou como produtor do projeto de cinema digital. Hoje, também atua na parte gráfica, faz e recebe visitas técnicas de alunos e realiza conversas com a comunidade.

“Eu sou apaixonado pelo Jamac. Acredito muito nessa forma de trabalhar, onde todos podem aprender juntos”, diz Lucas. No total, o equipamento conta com onze educadores distribuídos em sete oficinas.

Pinturas de estêncil no pano de prato @Wellington Nascimento/Agência Mural

Oficinas

A maioria das pinturas nas paredes do espaço cultural são feitas pelos próprios alunos da oficina de estêncil. Uma das artes que virou marca registrada do local foi a de Juliana Reis, 32. O desenho criado por ela virou parte da pintura externa do Jamac. “Eu não sabia de nada quando entrei, desenvolvi tudo aqui”, diz a aluna.

‘O Jamac é muito importante para o território já que aqui é um lugar muito escasso de cultura e arte’

Juliana, aluna

Juliana na frente da sua arte pintada na área externa do Jamac @Wellington Nascimento/Agência Mural

Além do estêncil, o Jamac oferece oficinas de serigrafia, grafite, pano de prato, literatura, cinema audiovisual, games e animação. Também são feitos grupos de terapia com psicanalistas e realizados saraus cinematográficos, uma vez ao ano, para a exibição de filmes lançados nas periferias. Este ano, o sarau vai acontecer em 8 de fevereiro.

Algumas dessas oficinas são feitas em parcerias com ONGs (Organizações não Governamentais), postos de saúde e também escolas. A marca do Jamac fica estampada em livros didáticos escolares como referência no trabalho de educação, o que faz muitos professores levarem os alunos para conhecer o centro cultural.

Agência Mural

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Comunidade se une para doar livros a vendedor que perdeu exemplares em incêndio  https://agenciamural.org.br/comunidade-se-une-para-doar-livros-a-vendedor-que-perdeu-exemplares-em-incendio/ https://agenciamural.org.br/comunidade-se-une-para-doar-livros-a-vendedor-que-perdeu-exemplares-em-incendio/#respond Tue, 20 Aug 2024 17:28:21 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=62034 Jorge Martins, 71, conhecido como ‘Seu Jorge’, é vendedor de livros há 37 anos no distrito da Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo. Todo dia pela manhã, o livreiro expõe os exemplares na praça Professora Lygia Maria Salgado Nóbrega, na Avenida Cupecê, local onde trabalhou por quase toda vida. Mas em julho deste […]

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Jorge Martins, 71, conhecido como ‘Seu Jorge’, é vendedor de livros há 37 anos no distrito da Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo. Todo dia pela manhã, o livreiro expõe os exemplares na praça Professora Lygia Maria Salgado Nóbrega, na Avenida Cupecê, local onde trabalhou por quase toda vida.

Mas em julho deste ano, um acidente mudou a rotina: um incêndio na madrugada do dia 17 destruiu todos os livros, que estavam guardados embaixo de uma lona, próximo ao local da venda.

O que parecia o fim de um trabalho de décadas se mostrou uma lição de solidariedade: imediatamente a comunidade da região começou a se mobilizar para ajudar Jorge.

Postagens em redes sociais viralizaram e amigos, vizinhos, clientes e pessoas que conheciam o trabalho dele se sensibilizaram e se uniram para doar novos livros. Em poucos dias, Jorge já tinha mais que o dobro do que possuía antes do incêndio.

“Eu tinha uns 5 mil livros, mas agora acho que já passou dos 10 mil. O povo brasileiro é muito caridoso, só tenho a agradecer”, diz.

‘Seu Jorge’ pegando livros de doações que vem recebendo após mobilização das pessoas nas redes sociais @Wellington Nascimento/Agência Mural

Além dos exemplares, o livreiro recebeu doações de brinquedos, CD’s e DVD’s, roupas e até lonas para cobrir os livros. “Não ligo para o prejuízo financeiro que tive com o incêndio, o que mais me lamentei foi a perda dos livros”, conta.

Leitura desde cedo

A paixão de Jorge pela leitura começou desde pequeno quando ainda era morador da cidade de Estiva, em Minas Gerais. Ele relembra que na época as pessoas paravam de estudar cedo para poder trabalhar e ajudar a família.

“Se você tivesse um pouquinho de cultura, ensinava os mais velhos a ler. Como eu gostava de ler, eu era um dos que ajudava”, conta.

Jorge começou a vender livros em Barra Mansa, no Rio de Janeiro. Depois, veio para São Paulo continuar o trabalho. Ele é pai de dois filhos, de 45 e 48 anos, e atualmente mora sozinho no bairro Vila Império, na Cidade Ademar. Orgulhoso, afirma que até hoje tudo o que conquistou na vida deve aos livros.

‘Quero morrer vendendo livros. Nunca trabalhei com outra coisa na vida. Paguei meu INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] com isso. É a adoração pelos livros que me faz continuar, depois de tudo o que aconteceu’

Seu Jorge, vendedor de livros

‘Seu Jorge’ trabalha por conta própria, mas em alguns dias, ao final do expediente, conta com a ajuda de amigos para cobrir os livros e protegê-los da chuva. Ele também pega materiais recicláveis do lixo e faz placas com mensagens motivacionais para pessoas que passam pela praça.

Muitas doações

Para continuar seguindo o seu sonho, Jorge teve a ajuda de moradores da Cidade Ademar e de pessoas de outras regiões da capital paulista e até de outras cidades, que se sensibilizaram com a história.

Gean Carlos, 48, conhece Jorge há mais de 30 anos e divide com ele a profissão de livreiro, mas em um sebo da zona sul de São Paulo. Quando soube do incêndio, não pensou duas vezes: “reuni meus amigos que também têm sebo e todos nós doamos parte do que tínhamos. Nesse momento qualquer ajuda é bem-vinda”, comentou.

O público que passa em frente a praça Professora Lygia Maria Salgado Nóbrega fica olhando o acervo na calçada @Wellington Nascimento/Agência Mural

Algumas pessoas que doaram já eram clientes de Jorge. Um deles é o bombeiro civil Matheus Meira, 25, que no início deste ano já havia feito doações de livros escolares para ele, por reconhecer a importância do trabalho na região.

“São raros esses pontos de venda de livros na Cidade Ademar. Moro aqui e não conheço nenhum. O mais próximo já é chegando em Diadema. Esse local é legal porque fica em uma parte do distrito que tem bastante movimento de pessoas”, conta.

A postagem que mostra Jorge pedindo doações de livros para que ele pudesse “começar de novo” viralizou nas redes sociais e, entre milhares de pessoas, alcançou Bianca Alves, 36, no Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo. De férias do trabalho, ela foi para a Cidade Ademar pela primeira vez só para conhecer a livraria a céu aberto de Jorge.

“Eu já tinha feito uma doação de livros para uma outra pessoa e estava sem exemplares, mas queria ajudar de algum jeito. Então vim para cá comprar alguns livros e dar essa força para ele”, diz.

Outras paixões

Jorge divide a paixão por livros com o time do coração, o Palmeiras. Torcedores de várias partes do estado de São Paulo se uniram em uma força-tarefa e conseguiram arrecadar centenas de livros para o vendedor. A iniciativa partiu de Renato Porto, 23, morador da Cidade Ademar e uma das lideranças do coletivo ‘Zumbi dos Palmeiras’.

Matheus Meira, morador da região fez doações de livros para colaborar com o trabalho do Seu Jorge @Wellington Nascimento/Agência Mural

Ao saber do episódio, comunicou os demais integrantes do grupo que se reuniram para iniciar a arrecadação. O ponto de coleta foi na rua Caraíbas, em frente ao estádio do clube, na zona oeste da capital.

‘Foi um sucesso, muito maior do que eu esperava. Só mostramos que quando a comunidade se une, somos mais fortes’

Renato Porto, liderança do coletivo Zumbi dos Palmeiras

Em agosto de 2024, Cidade Ademar é ainda um dos distritos da zona sul da capital que não possui nenhum equipamento cultural, seja centros e casas de cultura, bibliotecas comunitárias ou espaços de cinemas.

A prefeitura está construindo a primeira Casa de Cultura da Cidade Ademar, com pelo menos 80% das obras concluídas, segundo o órgão. A inauguração, no entanto, estava prevista para junho. O espaço ficará localizado na Avenida Durval Pinto Ferreira, no Jardim Itacolomi.

Até por essa carência, a barraca de livros da Avenida Cupecê vira um importante e raro ponto de acesso à leitura no distrito, principalmente para as crianças que não têm condições de pagar pelos livros. “O ‘Seu Jorge’ é uma pessoa muito humilde. Eu nasci e fui criado aqui na região e posso dizer que ele mais entrega livros do que vende”, afirma Porto.

O livreiro conta que as crianças “pedem livro o dia inteiro”. “Entreguei gibis para seis crianças que queriam pagar, mas não deixei. Depois os pais delas vieram e me deram um chapéu de presente, para eu não ficar tomando sol.”

Jorge também doa livros para creches da região, seguindo seu propósito de espalhar conhecimento. “Quem tem dinheiro leva e quem não tem leva do mesmo jeito”, brinca.

Agência Mural

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Quem são os campeões do futebol de várzea de São Paulo https://agenciamural.org.br/quem-sao-os-campeoes-do-futebol-de-varzea-de-sao-paulo/ https://agenciamural.org.br/quem-sao-os-campeoes-do-futebol-de-varzea-de-sao-paulo/#respond Tue, 16 Jan 2024 16:56:35 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=55490 A temporada 2023 do futebol de várzea terminou no sábado (13) com as finais da Taça das Favelas Nacional, que consagrou as seleções do Paraná pelo masculino e Rio de Janeiro pelo feminino como os campeões da edição. Pela cidade de São Paulo, os campeonatos foram marcados pelo domínio dos times das zonas norte e […]

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A temporada 2023 do futebol de várzea terminou no sábado (13) com as finais da Taça das Favelas Nacional, que consagrou as seleções do Paraná pelo masculino e Rio de Janeiro pelo feminino como os campeões da edição.

Pela cidade de São Paulo, os campeonatos foram marcados pelo domínio dos times das zonas norte e leste, que levaram seis dos nove campeonatos mais disputados. A zona sul levou dois títulos para casa e a Grande São Paulo levantou a taça em uma oportunidade.

Os resultados da temporada foram levantados pela Agência Mural, com base em alguns dos principais torneios da região: Copa Pioneer, Copa Martins Neto, Copa da Paz, Copa do Busão, Copa Negritude, Copa Doroteia, Copa 9 de Julho e a Taça das Favelas. Contudo, não representam a totalidade, já que há torneios surgindo o tempo todo nos campos espalhados pela cidade.

CAMPEÕES DE 2023

  • Copa Pioneer: MEC Cidade Tiradentes, zona leste
  • Copa Martins Neto: Jardim Verônia, zona leste
  • Copa da Paz: Garotos da Vila, zona sul
  • Copa do Busão: Biqueira Futebol e Samba, zona norte
  • Copa Negritude: Jardim Regina, da zona norte
  • Copa Nove de Julho: Fúria Brasilândia, zona norte
  • Copa Dorotéia: EC Santa Luzia, zona sul
  • Taça das Favelas Feminina: Campanário, de Diadema, Grande SP
  • Taça das Favelas Masculina: Cidade Tiradentes, zona leste
  • Taça das Favelas Nacional: Rio de Janeiro (Feminino) e Paraná (Masculino)

Favelão

A competição de encerramento da temporada 2023 foi a Taça das Favelas Nacional, mais conhecida como Favelão, que teve as finais disputadas no estádio do Canindé, no centro da capital.

O campeonato reúne os melhores atletas das edições estaduais da Taça das Favelas e, antes da decisão, os jogos foram disputados no campo da Vila Manchester, no Carrão, na zona leste de São Paulo.

A finalíssima do lado feminino reuniu os times de São Paulo e Rio de Janeiro, em uma reedição da final de 2022. Após o empate no tempo normal por 1 a 1, as cariocas venceram as paulistas nos pênaltis e se tornaram bicampeãs do torneio.

Já na decisão masculina, o Paraná venceu o Espírito Santo por 2 a 1 e levou pela primeira vez o título de forma invicta, vencendo todos os seis jogos que disputou. A seleção paulista foi eliminada nos pênaltis pelos capixabas nas quartas de final.

Taça das Favelas Estadual

Na edição estadual da Taça das Favelas 2023, a competição consagrou dois campeões inéditos. Em uma revanche da final de 2022, a Favela do Campanário, de Diadema, venceu por 2 a 0 a Favela do Paraisópolis e levou o título para a Grande São Paulo.

O time fez uma campanha impecável e venceu todos os sete jogos, com 24 gols marcados e apenas 2 sofridos.

A Favela do Campanário também mostrou força na edição masculina, na qual chegou à decisão, mas ficou com o vice. Após um empate no tempo normal por 1 a 1 com a Cidade Tiradentes, a equipe da zona leste levou a melhor nos pênaltis e soltou o grito de campeão.

O time teve seis vitórias e dois empates ao longo da competição. As finais foram disputadas no estádio do Canindé.

Nesta edição, dois destaques da competição masculina assinaram um pré-contrato profissional para jogar pelo sub-20 da Portuguesa. Os selecionados foram Leonardo, 16, do Campanário, e Neném, 17, de Tiradentes.

Cidade Tiradentes conquistou o título masculino da Taça das Favelas @idmproducoes

Copa Pioneer

Pela primeira vez o Allianz Parque, estádio do Palmeiras, foi palco da final de um torneio de várzea. A Copa Pioneer, apelidada de “Champions League da Várzea”, levou ao estádio um clássico da zona leste entre MEC Cidade Tiradentes e Asa de Vila Prudente.

A decisão terminou sem gols no tempo normal. Após uma longa disputa de pênaltis, o MEC venceu por 10 a 9 e sagrou-se campeão, levando o prêmio de R$ 80 mil. Para 2024, a premiação ao vencedor promete chegar aos R$ 130 mil.

Jardim Verônia comemora Copa Martins Neto @tiagosousa_photo

Copa Martins Neto

Outra taça muita cobiçada pelos boleiros, a Copa Martins Neto teve um campeão inédito na temporada passada. O Jardim Verônia, da zona leste, venceu o clássico da região contra o Noroeste Vila Formosa por 1 a 0, no CDC Magnólia, e levou R$ 80 mil para a comunidade de Ermelino Matarazzo.

Copa da Paz

Conhecida como “A Mais Charmosa”, a 15ª edição da Copa da Paz reuniu dois finalistas inéditos em 2023 na Arena Palmeirinha, em Paraisópolis. O jovem time do Garotos da Vila, da zona sul, fundado em 2015, venceu a tradicional equipe do Pau no Gato, da zona leste, e ganhou o prêmio de R$ 60 mil.

Copa do Busão

O torneio conhecido por dar um ônibus personalizado ao time campeão consagrou no ano passado o Biqueira de Futebol e Samba de Vila Maria, da zona norte. Em um clássico da região, derrotou na final o E.C Leão 70 por 2 a 0, time que estava invicto na competição. Todos os jogos do campeonato foram na Toca da Coruja, campo do Vila Isabel, em Osasco.

A temporada 2024 está em andamento na fase de grupos.

Copa Negritude

Outro campeonato que já está rolando e que define o primeiro campeão da temporada é a Copa Negritude.Em 2023, o Jardim Regina, de Pirituba, zona norte, venceu o Jardim São Pedro, da zona leste, por 1 a 0 e conquistou a ‘Joia de Madiba’, nome do troféu que faz referência a Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul.

A 23ª edição do campeonato está na fase de quartas de final e já tem os oito classificados: Cidade Tiradentes, Botafogo de Guaianases, Botafogo de São Miguel e Porto FC, da zona leste, Leões da Bela Vista, da zona norte, Pioneer FC, da zona sul e SFC Esquadrão e Arsenal de Guarulhos, da Grande São Paulo.

Campanário Diadema conquistou Taça das Favelas no Feminino @idmproducoes

Copa 9 de Julho

A final da 11ª edição da Copa 9 de Julho envolveu o Vem Ki Tem, de Guarulhos, e a Fúria Brasilândia, da zona norte. Após o empate no tempo normal, o time da Brasilândia venceu nos pênaltis e levou o campeonato.

Copa Dorotéia

O único torneio que dá vaga para a Copa Pioneer teve a final disputada em um clássico da zona sul. O E.C Santa Luzia foi campeão após derrotar o Santa Amélia por 2 a 0 e garantiu vaga na edição 2024 da “Champions League da Várzea”.

Agência Mural

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Professor de educação física se inspira em ‘Quebradinha’ e cria favelas em miniatura https://agenciamural.org.br/professor-de-educacao-fisica-se-inspira-em-quebradinha-e-cria-favelas-em-miniatura/ https://agenciamural.org.br/professor-de-educacao-fisica-se-inspira-em-quebradinha-e-cria-favelas-em-miniatura/#respond Mon, 17 Apr 2023 18:15:51 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=47320 Do gramado do campo de futebol do Parque Sete Campos, Marcos Yamada, 34, observa ao fundo as casas do Jardim Novo Pantanal, no distrito da Pedreira, zona sul de São Paulo. É com essa paisagem que o professor tem as principais ideias para desenvolver o hobby mais recente: construir miniaturas de favelas com materiais recicláveis. […]

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Do gramado do campo de futebol do Parque Sete Campos, Marcos Yamada, 34, observa ao fundo as casas do Jardim Novo Pantanal, no distrito da Pedreira, zona sul de São Paulo. É com essa paisagem que o professor tem as principais ideias para desenvolver o hobby mais recente: construir miniaturas de favelas com materiais recicláveis.

O interesse surgiu no início da pandemia de Covid-19 e o passatempo ajudou no controle da ansiedade, que aumentou no período.

Tudo começou em 2020 quando Yamada dava aulas de arte e educação para crianças da comunidade e ajudava elas a fazer maquetes, que são representações de obras ou projetos em tamanho reduzido. Depois de montar uma em casa para mostrar de exemplo aos alunos, o artista não parou mais.

“A primeira eu peguei uma caixa de sucrilhos e um papelão e fiz como se fosse uma banca de jornal. A criatividade era pouca, só depois que comecei a utilizar outros materiais e as formas mais próximas do que faço hoje”, explica.

Casas em miniatura das periferias nasceram como um hobby @Léu Britto/Agência Mural

Ao decidir construir miniaturas de casas e comércios de quebrada, Yamada não quis ter réplicas de lugares específicos, mas inserir nas artes algo que remeta às favelas com base na memória. Das 15 feitas até o momento estão algumas casas, um bar, uma barbearia e uma tabacaria.

“Essa ideia de fazer miniatura é também dedicar a ter detalhes perfeitos ou próximos da perfeição de um detalhe real para a galera se identificar”, diz.

Além do amor declarado pela favela, outra inspiração do hobby foi conhecer o trabalho de Marcelino Neto, o Nenê, criador do projeto ‘Quebradinha’ que também transforma materiais recicláveis em elementos de favela. “A devolutiva sempre foi muito positiva”, citando o apoio que Nenê deu ao conhecer seu trabalho.

O processo criativo das obras de Yamada começa em um pequeno escritório que tem em casa. Ele mora com o filho, Yuri Yamada, 13, e a esposa, Darlene Aparecida, 43, que opina e dá ideias desde o esboço até a arte final.

O artista é o responsável por toda a produção. Ao construir, utiliza, em sua maioria, materiais recicláveis como papelão, papel machê, canudos de refrigerante e fios de energia e os reutilizáveis como palitos de sorvete, madeiras de fundo de gaveta e argila. “Tudo que eu olho pode virar parte da arte”, conta.

Dependendo do projeto, as miniaturas ficam prontas de dois a cinco meses. As peças já foram parar em exposições do bairro e o resultado tem sido motivador. Ele comenta que as pessoas, principalmente os adultos, se identificam com elas.

“As pessoas olham as miniaturas e dizem: ‘Minha casa tem isso’ ou ‘Na minha infância eu tinha uma janela dessas’. São essas memórias afetivas que dão o prazer de fazer”.

Por se tratar de um hobby, Yamada não as comercializa, mas deixa em aberto essa possibilidade no futuro. Agora, quer se desafiar e construir apenas com materiais que encontrar nas ruas, sem usar o estoque que já tem em casa. Todos os projetos podem ser encontrados no Instagram da @arquitetura_periferica.

Artista além das miniaturas

Morador do Jardim Novo Pantanal há 29 anos, a arte acompanha a vida de Yamada em quase metade deles. Muito ativo no bairro, já organizou saraus de poesia, bibliotecas comunitárias e eventos de hip-hop, mas o resultado não era satisfatório. “Os vizinhos ligavam para a polícia por causa do barulho”, lamenta.

Yamada também é cantor de rap e autor de um livro chamado “Saudações Favela”. Ele começou na música em 2006, e hoje se apresenta no tempo livre em espaços da região. O músico comenta que não estava conseguindo atingir todas as pessoas e então decidiu priorizar a área que se encontra atualmente: o esporte.

“Alcancei um tanto de pessoas com a música, mas percebi que os jovens estavam ficando dispersos. Foi aí que morando do lado do Parque Sete Campos vi que eles desciam muito pra jogar bola. A partir daí fui deixando a música em segundo plano e entrei de cabeça no esporte.”

Há quase 10 anos envolvido com o futebol, Yamada está fazendo faculdade de educação física para se tornar um profissional na área. Durante a pandemia, precisou fazer rifas de duas miniaturas para ajudar a pagar a graduação que termina este ano. 

Ele também chegou a ficar desempregado, mas logo apareceu uma oportunidade para dar aulas de futebol para jovens do bairro, no projeto social que participa atualmente.

Agência Mural

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Futebol de várzea de SP começa temporada com novidades e já tem primeiro campeão https://agenciamural.org.br/futebol-de-varzea-de-sp-comeca-temporada-com-novidades-e-ja-tem-primeiro-campeao/ https://agenciamural.org.br/futebol-de-varzea-de-sp-comeca-temporada-com-novidades-e-ja-tem-primeiro-campeao/#respond Thu, 02 Mar 2023 16:36:41 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=45482 O futebol de várzea terá novidades no calendário no primeiro semestre de 2023. Enquanto alguns torneios já estão rolando como a Copa do Busão, a Copa 9 de Julho e a Copa Doroteia, outros começarão nos próximos dias, caso da Copa Pioneer e da Taça das Favelas Série B, novo campeonato que também será disputado […]

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O futebol de várzea terá novidades no calendário no primeiro semestre de 2023. Enquanto alguns torneios já estão rolando como a Copa do Busão, a Copa 9 de Julho e a Copa Doroteia, outros começarão nos próximos dias, caso da Copa Pioneer e da Taça das Favelas Série B, novo campeonato que também será disputado no Rio de Janeiro.

Apelidada de Liga dos Campeões da Várzea, a Super Copa Pioneer chega a sétima edição em 2023 e promete ser histórica. Disputada na Arena Santa Amélia e no CDC Doroteia, em Pedreira, na zona sul, e no estádio Distrital do Inamar, em Diadema, na Grande São Paulo, a competição reúne 80 times divididos em 16 grupos com 5 equipes em cada.

Após jogarem entre si, as duas melhores de cada chave se classificam para a fase eliminatória até restarem os finalistas para a grande decisão prevista para julho.

O palco da decisão desta temporada será no Allianz Parque, estádio do Palmeiras e uma das arenas mais modernas da América Latina, localizada na Barra Funda, zona oeste da capital.

O estádio já iria receber o evento em 2020, mas por conta da pandemia de Covid-19, a competição foi adiada na época. As entradas para a final deste ano serão gratuitas.

“A intenção de entrada gratuita é justamente proporcionar uma festa para as quebradas. Muitos amantes do futebol de várzea não conhecem o Allianz Parque e eles merecem essa oportunidade”, disse Sérgio Pioneer, organizador da Copa Pioneer.

Allianz Parque deve receber final da Copa Pioneer @Wellington Nascimento/Agência Mural

O time que erguer a ‘Orelhuda’ – Nome do troféu de campeão que é inspirado na Liga dos Campeões da Europa, também recebe o prêmio de R$ 80 mil e um selo exclusivo de campeão que será colocado nos uniformes pela primeira vez. O vice-campeão fica com R$ 20 mil. Desde 2016 sendo disputada, a competição nunca repetiu um mesmo vencedor.

A estreia da Copa Pioneer 2023 será nesta sexta (3), às 20h, no CDC Doroteia, entre dois times da região leste. O Napoli, da Vila Industrial, atual campeão do torneio, enfrenta o Mulekada, de Itaquaquecetuba (cidade da Grande SP), estreante no campeonato.

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Os dois melhores times de cada grupo avançam para a fase eliminatória

Taça das Favelas B

Ano após ano, a Taça das Favelas vem trazendo novas modalidades em seu campeonato. Além das edições estaduais e nacional, agora a várzea terá a Taça das Favelas Série B, que começa dia 4 de março no Centro Esportivo da Vila Guarani, no distrito do Jabaquara, zona sul de São Paulo.

O torneio começa apenas com a categoria masculina, que tem limite de idade entre 14 e 17 anos. Na fase inicial, serão 23 times divididos em sete grupos (Dois grupos com 4 times e cinco grupos com 3 times).

‘É um grande passo no nosso projeto. Vamos democratizar ainda mais oportunidades, recebendo novas favelas que querem estar com a gente no nosso campeonato’

Geovana Borges, diretora institucional da Taça das Favelas

A Taça começou no Rio de Janeiro, em 2012, e aos poucos foi se espalhando para outros estados. Em São Paulo chegou em 2019 e teve duas edições até o momento.

Paraisópolis comemorando a taça em 2022 @Divulgação

O Parque Santo Antônio e o Jardim Ibirapuera, times da zona sul, foram os campeões do campeonato masculino. Já no feminino, o Complexo da Casa Verde, da zona norte, e o Paraisópolis, da zona sul, levantaram a taça da competição.

No ano passado, também houve a disputa de uma edição nacional, mais conhecida como ‘Favelão’, com equipes formadas pelos melhores atletas de cada estado. A seleção de São Paulo foi campeã pelo masculino e ficou com o vice no feminino. As finais da Taça das Favelas e do Favelão são as únicas da várzea que são transmitidas na TV aberta, pela Rede Globo.

Primeiro campeão do ano

2023 só está começando, mas já teve time que soltou o grito de campeão na várzea. O Jardim Regina, de Pirituba, foi o vencedor da 22ª edição da Copa Negritude após derrotar o Jardim São Pedro, de Guaianases, pelo placar de 1 a 0. A final foi no domingo (26) no campo do Negritude.

A equipe da zona norte conquistou a ‘Joia de Madiba’, nome do troféu que faz referência a Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e considerado o mais importante líder da África Negra. Madiba é o nome do clã do qual Mandela pertencia e uma das formas mais comuns que os sul-africanos se referiam a ele.

Agência Mural

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Moradores lutam contra desapropriação para a construção do terminal Jardim Miriam, na zona sul de SP https://agenciamural.org.br/moradores-lutam-contra-desapropriacao-para-a-construcao-do-terminal-jardim-miriam-na-zona-sul-de-sp/ https://agenciamural.org.br/moradores-lutam-contra-desapropriacao-para-a-construcao-do-terminal-jardim-miriam-na-zona-sul-de-sp/#respond Fri, 16 Dec 2022 10:10:02 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=43498 “Não consigo mais dormir”. Assim tem sido as noites de Maria Emília Moraes, 60, moradora do bairro Jardim Vilas Boas, que pertence ao distrito da Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, desde que soube que sua casa faz parte dos imóveis que podem ser derrubados para a construção do terminal de ônibus do Jardim […]

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“Não consigo mais dormir”. Assim tem sido as noites de Maria Emília Moraes, 60, moradora do bairro Jardim Vilas Boas, que pertence ao distrito da Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, desde que soube que sua casa faz parte dos imóveis que podem ser derrubados para a construção do terminal de ônibus do Jardim Miriam.

Em 7 de julho, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), publicou o decreto nº 61.529 que torna uma área com cerca de 126 imóveis particulares da região como de utilidade pública, ou seja, que podem ser desapropriados pela prefeitura para viabilizar a obra do terminal. O projeto faz parte do Plano de Metas da Prefeitura de 2021 a 2024.

“Descobri o decreto através de amigos quase três meses depois”, disse João Neto, 55. Os moradores do bairro alegam que o prefeito, em nenhum momento, informou a comunidade sobre a situação, pegando todos de surpresa. “Não teve respeito e nem transparência”, diz Paulo Lima, 52.

O terminal Jardim Miriam está previsto para ser construído na Rua Gomes de Amorim, entre as ruas Luís Stolb e Francisco Alves de Azevedo, além de pegar parte da Avenida Cupecê, da altura do nº 4.721 até o 5.001, o que resultaria também no despejo de comerciantes da região.

“Aqui está minha vida, minhas raízes, onde passei momentos bons e ruins. Então nenhum dinheiro da prefeitura é viável pra mim”, diz o mecânico Jefferson Reis, 53, dono da Auto Mecânica J. Reis. Além do comércio, ele também perderia a casa que tem na mesma avenida há 44 anos.

Jefferson Reis tem a oficina mecânica na região há 22 anos @Wellington Nascimento/Agência Mural

Desde setembro, quando ficaram sabendo da desapropriação, moradores e comerciantes da região têm se mobilizado para tentar reverter a decisão de Ricardo Nunes. Maria, João e Paulo, que vivem na Gomes de Amorim há mais de 46 anos, são algumas das lideranças desse movimento.

O grupo tentou argumentar que há áreas públicas no distrito que poderiam receber o terminal, sem a necessidade de desapropriar os terrenos particulares. Contudo, as conversas com a subprefeitura da Cidade Ademar e com a SPTrans não avançaram.

Maria ressalta que ela e os moradores não são contra a construção de um terminal de ônibus na região. No entanto, discordam da escolha do local e de como o processo foi conduzido.

No final de setembro, o vereador Celso Giannazi (PSOL) apresentou na Câmara Municipal um PDL (Projeto de Decreto Legislativo) que tenta anular o decreto do prefeito Ricardo Nunes. Ele está em tramitação e precisa passar por quatro comissões antes de ser votado. Para ser aprovado, é necessário o voto de 28 dos 55 vereadores da casa.

O documento cita a ausência de publicidade sobre o planejamento do projeto e de relatórios de impactos sociais e ambientais por parte da SPTrans que são “imprescindíveis” para escolher um local de implementação de um terminal de ônibus.

Moradores do Jardim Vilas Boas estendem faixa em protesto contra a SPTrans e a prefeitura @Wellington Nascimento/Agência Mural

Em entrevista à Agência Mural, Celso Giannazi afirma que o decreto também contraria o PDE (Plano Diretor Estratégico) do Município de São Paulo, de 2014, que previa a construção do terminal Jardim Miriam em um outro espaço na região, entre a travessa João Tenerem e a Rua Leopoldo Lugones. A reclamação dos moradores é de que agora o terminal está sendo planejado no bairro Jardim Vilas Boas, saindo da área do Jardim Miriam.

“É um decreto arbitrário. Desde a falta de diálogo com a comunidade até o seu conteúdo, ele teve tudo de errado de que uma administração pode fazer”, diz o vereador.

Além do PDL, Giannazi comenta que já acionou o Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP) e o Ministério Público para ajudar na revogação do decreto.

Em novembro, Maria, João, Paulo e demais moradores do Jardim Vilas Boas participaram da audiência pública de Comissão de Finanças e Orçamento para 2023 na Câmara Municipal em que questionaram o secretário adjunto de Mobilidade e Trânsito, Alexandre Trunkl, sobre a escolha. Ele participou da reunião de forma virtual.

O que diz a SPTrans?

O diretor de administração de infraestrutura da SPTrans, Anderson Clayton Maia, afirma que as propostas apresentadas pelos moradores à SPTrans sobre novos terrenos para a construção do terminal Jardim Miriam estão sendo estudadas.

“Nos passaram quatro projetos de locais diferentes para estudos, mas dois já haviam tido uma negativa. Os outros dois ainda não tenho uma conclusão. O intuito é achar uma solução que tenha o menor impacto e que seja a menos invasiva possível”, disse o diretor sem citar quais são os locais na região que estão em análise.

Parte da avenida Cupecê onde está previsto o novo terminal @Wellington Nascimento/Agência Mural

Ao ser questionada pela Agência Mural sobre o porquê escolheram fazer o terminal na Rua Gomes de Amorim, a assessoria de imprensa da SPTrans respondeu em nota que a área atende “aspectos técnicos e sociais como topografia plana, condições e disponibilidade da oferta de transportes, possibilidade de conexão com outros modos de transporte, localização propícia para atender aos interesses de deslocamento e proximidade aos eixos de serviços essenciais já instalados como saúde, educação e empregos”.

Além disso, sem citar datas, a assessoria informou que “já foi aberto o processo licitatório para contratação dos estudos ambientais e territoriais necessários para a implantação do terminal.”

Em reunião realizada nesta quinta-feira (15) com o Secretário Municipal de Mobilidade e Trânsito, Ricardo Teixeira, juntamente com moradores do Jardim Vilas Boas, o vereador Celso Giannazi comunicou que a Secretaria de Transportes se comprometeu a realizar novos estudos de locais para a construção do terminal Jardim Miriam.

Morador do bairro, Paulo diz que pretende fazer uma mobilização com a comunidade para irem até o gabinete do prefeito Ricardo Nunes cobrar a suspensão do decreto. Sem planos B para uma possível desapropriação, ele, Maria e João não veem outra alternativa a não ser continuar lutando por suas moradias.

“Meu pai e minha mãe, que já morreram, lutaram para ter aquela casa. Então não é apego material, é uma necessidade aliada a história da minha família”, diz Maria.

Agência Mural

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Nos pênaltis, São Paulo vence Goiás e leva Taça das Favelas Nacional https://agenciamural.org.br/taca-das-favelas-nacional-masculino-sp-x-goias/ https://agenciamural.org.br/taca-das-favelas-nacional-masculino-sp-x-goias/#respond Sat, 19 Nov 2022 20:21:39 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=42741 A seleção de São Paulo venceu Goiás nos pênaltis, após o empate por 0 a 0 no tempo normal, e conquistou o troféu Jair da Matta da edição nacional da Taça das Favelas, o Favelão, no masculino. Danilinho, o camisa 10 do Jardim Ibirapuera, fez o gol da cobrança decisiva que deu o título da […]

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A seleção de São Paulo venceu Goiás nos pênaltis, após o empate por 0 a 0 no tempo normal, e conquistou o troféu Jair da Matta da edição nacional da Taça das Favelas, o Favelão, no masculino. Danilinho, o camisa 10 do Jardim Ibirapuera, fez o gol da cobrança decisiva que deu o título da primeira edição do torneio aos paulistas.

A decisão foi neste sábado (19), na Arena Barueri, na Grande São Paulo, e foi realizada depois da decisão feminina, quando o Rio de Janeiro venceu a equipe paulista.

O jogo foi equilibrado e teve poucas finalizações para ambos os lados. Apesar dos goleiros trabalharem pouco, foi a seleção goiana que chegou mais vezes com perigo ao gol adversário.

O desempenho da seleção de São Paulo não agradava ao técnico Arnaldo Pastel, também do Jardim Ibirapuera, que fez sete substituições na equipe até a metade do segundo tempo. Na Taça das Favelas, não há limite de substituições.

Apesar disso, o panorama não mudou na etapa final e o jogo terminou empatado. Nos pênaltis, Miquéias, do Parque Santo Antônio, pegou uma cobrança, enquanto os paulistas acertaram todos os chutes, vencendo por 5 a 4.

São Paulo foi campeão invicto do Favelão. Na fase de grupos, a equipe venceu as seleções de Sergipe e Brasília e empatou contra o Paraná. Na semifinal, eliminou o Ceará por 2 a 0.

Os atletas que disputam o Favelão foram selecionados em peneiras realizadas em cada estado participante com quem jogou a Taça das Favelas deste ano. Em São Paulo, o Paraisópolis, pelo feminino, e o Jardim Ibirapuera, no masculino, times da zona sul, conquistaram os títulos e tiveram atletas inscritos para disputar o torneio nacional.

Agência Mural

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Taça das Favelas: Rio de Janeiro segura SP, vence por 1 a 0 e conquista Favelão feminino https://agenciamural.org.br/taca-das-favelas-nacional-feminino-rj-x-sp/ https://agenciamural.org.br/taca-das-favelas-nacional-feminino-rj-x-sp/#respond Sat, 19 Nov 2022 18:57:00 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=42709 Foi preciso apenas um chute durante todo o jogo para garantir o título. Com um gol da atacante Tuane, no segundo tempo, a seleção do Rio de Janeiro venceu São Paulo por 1 a 0 e se sagrou a primeira campeã do troféu feminino Marina Soares da Taça das Favelas Nacional, o Favelão. A final […]

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Foi preciso apenas um chute durante todo o jogo para garantir o título. Com um gol da atacante Tuane, no segundo tempo, a seleção do Rio de Janeiro venceu São Paulo por 1 a 0 e se sagrou a primeira campeã do troféu feminino Marina Soares da Taça das Favelas Nacional, o Favelão. A final foi neste sábado (19), na Arena Barueri, na Grande São Paulo.

As donas da casa perderam várias chances de gol ao longo da partida. A principal delas veio logo no início do primeiro tempo, com a atacante Kero Kero, de Paraisópolis, que ficou cara a cara com a goleira Dayane e chutou para fora. Dayane foi um dos grandes personagens da partida e fez boas defesas para garantir o 0 do placar.

Na etapa final, o time paulista seguiu com o domínio da posse de bola, mas no único momento de desatenção, Tuane acertou um belo chute de fora da área. Após o gol da camisa 9, as jogadoras de São Paulo ainda tentaram, mas a seleção carioca soube segurar o resultado.

Decisão foi na Arena Barueri e teve vitória das cariocas @deeh_fotografia13

Os atletas que disputam o Favelão foram selecionados em peneiras realizadas em cada estado participante com quem jogou a Taça das Favelas deste ano. Em São Paulo, o Paraisópolis, pelo feminino, e o Jardim Ibirapuera, no masculino, times da zona sul, conquistaram os títulos e tiveram atletas inscritos para disputar o torneio nacional.

Com o vice-campeonato, São Paulo deixa o Favelão com a melhor campanha da fase de grupos e com a artilheira da competição, Suellen, de Paraisópolis, que fez 5 gols.

Já o título das cariocas premiou uma campanha invicta. Na fase de grupos, o time venceu as seleções de Goiás e Paraná, além do empate com a seleção do Piauí. Na semifinal, bateu o Brasília por 1 a 0.

O Rio de Janeiro tem tradição na Taça das Favelas, já que foi lá onde tudo começou, em 2012. Aqui em São Paulo, o torneio só passou a ser disputado em 2019.

https://www.instagram.com/p/ClJzMn5jnWg/
Agência Mural

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Taça das Favelas Nacional: equipes de São Paulo entram em campo pelo título do Favelão https://agenciamural.org.br/taca-das-favelas-nacional-equipes-de-sao-paulo-entram-em-campo-pelo-titulo-do-favelao/ https://agenciamural.org.br/taca-das-favelas-nacional-equipes-de-sao-paulo-entram-em-campo-pelo-titulo-do-favelao/#respond Tue, 15 Nov 2022 11:39:05 +0000 https://www.agenciamural.org.br/?p=42445 As equipes feminina e masculina de São Paulo estão na final da primeira edição da Taça das Favelas Nacional, o Favelão. Seleções de 16 estados participaram do torneio disputado até aqui, entre 3 e 10 de novembro, na Vila Manchester, zona leste da capital. As finais serão no sábado (19), na Arena Barueri, na Grande […]

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As equipes feminina e masculina de São Paulo estão na final da primeira edição da Taça das Favelas Nacional, o Favelão. Seleções de 16 estados participaram do torneio disputado até aqui, entre 3 e 10 de novembro, na Vila Manchester, zona leste da capital.

As finais serão no sábado (19), na Arena Barueri, na Grande São Paulo, com transmissão ao vivo da TV Globo a partir das 14h. A entrada será gratuita, mas para garantir o acesso ao evento, é necessário retirar o ingresso antecipadamente no próprio estádio ou nas comunidades. 

Os atletas que disputam o Favelão foram selecionados em peneiras realizadas em cada estado participante com quem jogou a Taça das Favelas deste ano. Em São Paulo, o Paraisópolis, pelo feminino, e o Jardim Ibirapuera, no masculino, times da zona sul, conquistaram os títulos.

Lance da partida entre São Paulo e Minas Gerais @Paulo Henrique/Instagram

Clássico regional

No lado feminino, São Paulo e Rio de Janeiro medirão forças em um clássico da região sudeste. As cariocas venceram na semifinal a seleção de Brasília, do centro-oeste, por 1 a 0, enquanto as paulistas passaram por Minas Gerais, também do sudeste, pelo placar de 2 a 1.

Os dois gols da seleção paulista foram marcados por Suellen, atacante do Paraisópolis. A jogadora é a artilheira isolada do Favelão com 5 gols. Além disso, outro destaque da equipe é o setor defensivo, já que levou apenas 1 gol em quatro jogos.

São Paulo chega à decisão com a melhor campanha da fase de grupos. Após vitórias contra Ceará e Mato Grosso e um empate contra Brasília, avançou em primeiro no grupo C com 7 pontos.

Paulistas eliminaram Ceará na semifinal e enfrentam o Goiás @Arquivo Pessoal

Favelas de SP e Centro Oeste

No masculino, temos o único representante fora da região sudeste na decisão. O Goiás, do centro-oeste, derrotou o Rio de Janeiro nos pênaltis após o empate por 1 a 1 no tempo normal e irá encarar a seleção das favelas paulistas, donos da casa.

Os paulistas eliminaram o Ceará, do Nordeste, com uma vitória por 2 a 0 na semifinal. Kauã Henrique, atacante do Jardim Irene, da zona sul, e Felipe Alcântara, atacante do Jardim Ibirapuera, fizeram os gols que colocaram São Paulo na decisão.

Goiás é a única seleção fora da região sudeste na final do Favelão @Angélica Alves/Divulgação

Entendendo o Favelão

Diferentemente das edições estaduais da Taça das Favelas em que os jogos são todos eliminatórios, o Favelão conta com o formato de fase de grupos antes do mata-mata.

Neste ano, 12 seleções femininas e 16 seleções masculinas participaram da edição. De acordo com a categoria, elas foram divididas em três e quatro grupos com quatro seleções em cada, respectivamente.

A melhor seleção de cada grupo avançou às semifinais. Na competição feminina, a melhor segunda colocada entre todos os grupos também se classificou.

Final do Favelão

Decisão feminina: São Paulo x Rio de Janeiro

Data e horário: Sábado (19), 14h

Decisão masculina: São Paulo x Goiás

Data e horário: 15h30

Endereço: Arena Barueri: Av. Pref. João Vila-Lobos Quero, 1001 – Jardim Belval, Barueri

Preço: A entrada será gratuita, mas para garantir o acesso ao evento, é necessário retirar o ingresso antecipadamente no próprio estádio ou nas comunidades

Agência Mural

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