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O uso obrigatório de máscaras nas periferias; ouça o podcast

No estado de São Paulo, a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais públicos está em vigor desde o início de maio

Desde o dia 7 de maio, o uso de máscaras em lugares públicos, como ruas e transporte, está sendo obrigatório no estado de São Paulo. A medida tenta diminuir a contaminação do coronavírus

O Em Quarentenaconversou com alguns moradores das periferias de São Paulo para entender como eles estão lidando com a determinação.

O educador Weslley Silva, que mora no Grajaú, no extremo sul de São Paulo, compartilhou que por lá, as crianças e os adolescentes não estão usando tanto.

“Acho que é uma questão estética. Têm alguns coletivos que estão prestando atenção nisso e estão pensando como atingir esse público. Tentam com máscaras de personagens, marcas que eles gostam e, principalmente, times”. (ouça a partir de 00:53)

Antônio Sérgio, do Jardim Helian, na zona leste, disse que está fazendo o que pode para incentivar os moradores a usarem a máscara e de forma correta. Ele relatou também que agentes de saúde e moradores têm distribuído a proteção e que até uma empresa do bairro fez uma doação. 

“Temos até uma empresa de brindes, de um rapaz aqui da vila, que até gera emprego. A empresa dele está meia fraca, por isso está tentando se virar com venda de máscaras, mas vai doar mil pra gente distribuir para os moradores”. (a partir de 01:46)

Quem também está se mobilizando para distribuir máscaras é o pessoal da favela do Jardim Colombo, na zona sul de São Paulo, onde vivem mais de 5.000 famílias.

Ester Carro é presidente do movimento popular Fazendinhando. Ela explicou que a associação montou um clube de costureiras, que foram mobilizadas por WhatsApp, e elas estão produzindo máscaras para gerar renda, mas também, para serem distribuídas entre as famílias da região.  

“Vamos tentar gerar renda dentro da comunidade, mas de uma maneira que não só gere renda para as costureiras. E, sim, que a própria comunidade possa ter acesso à essa máscara”. (ouça em 02:29)

A costureira Alda Leite está participando da confecção das máscaras. Ela contou que antes trabalhava com consertos de roupas e criava fantasias infantis.

“A pandemia chegou e eu larguei tudo para fazer máscaras. Para ajudar o pessoal que precisa, porque até então, eles não estão encontrando em outro lugar. Então achei justo parar o que estava fazendo antes para fazer algo mais útil”. (em 03:05)

Ester completou que além da comunidade do Jardim Colombo, a iniciativa está mobilizando costureiras de outras comunidades como Paraisópolis, Heliópolis, Centro, Embu e São Luís. 

“A ideia é que em quatro semanas sejam produzidas cerca de 500 mil máscaras para serem distribuídas entre os moradores e voluntários das comunidades”. (em 03:29)

O fotorrepórter da Agência Mural, Léu Britto, produziu um vídeo sobre essa campanha do Projeto Fazendinhando. Veja ele clicando aqui

O médico infectologista Alexandre Piva Sobrinho, lembrou porque é tão importante usar máscara de maneira correta. 

“Ajuda a conter a disseminação do vírus por pessoas assintomáticas, pois o coronavírus é transmitido por meio de gotículas eliminadas na tosse, no espirro ou na fala. Apesar de não filtrar o ar, as máscaras descartáveis ou caseiras podem servir de barreiras”. (em 04:37)

“A máscara deve ficar rente ao rosto e cobrir nariz e boca. Deve ser manuseada pelo elástico, sempre com as mãos higienizadas, e evitar tocá-la na parte da frente. Também não deixá-la no queixo e trocá-la a cada duas ou três horas de uso”.  (em 05:10)

O infectologista lembrou ainda que as máscaras não são 100% eficazes. “Portanto manter o distanciamento mínimo de um metro e meio de outras pessoas, evitar aglomeração e higienizar constantemente as mãos com água e sabão ou álcool gel são fundamentais para conter a disseminação da Covid-19”. (em 05:54)

Ouça este bate papo completo no Em Quarentena #39: O uso obrigatório de máscaras nas periferias.

Podcast Em Quarentena

Viver em meio ao coronavírus não deve estar sendo fácil para ninguém. Imagina então para quem vive nas periferias. 

O “Em Quarentena” é o podcast especial que a Agência Mural de Jornalismo das Periferias criou neste momento da pandemia. Queremos informar, com notícias do dia a dia, quem mais precisa se virar meio a esse caos.

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Redação

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