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Cantores de forró e sertanejo criam campanha de doações na Grande SP; ouça o podcast

A campanha “Artista também é trabalhador” tem sido uma rede de apoio para mais de 70 profissionais

Cantores, compositores e artistas de forró e sertanejo, de Osasco e região, se juntaram na campanha “Artista também é trabalhador”. Eles criaram uma rede de apoio com mais de 70 profissionais devido os impactos financeiros causados pela Covid-19

O “Em Quarentena” conversou com alguns desses artistas que falaram sobre a campanha e as dificuldades financeiras que estão enfrentando durante o isolamento social.

Ricardinho Fernandes é cantor e compositor na banda “A Máquina do Forró”. Ele vive de música desde 2001. O cantor, que costuma se apresentar em casas de show em São Paulo e no interior, iniciou partilhando que a quarentena tem afetado sua vida. 

“Eu vim da Bahia, do município de Vitória da Conquista. Trabalhei num lava-rápido por um tempo, mas minha vida era cantar. Sobrevivo da música até hoje. Mas entramos numa fase difícil”. (ouça a partir de 01:29) 

Diante da situação, Fernandes se uniu com outros amigos, todos artistas da região, e criaram a campanha para arrecadar cestas básicas, roupas e dinheiro para os artistas locais.   

Quem falou sobre a iniciativa foi Fernanda Moreira, que há 15 anos canta em bares e casas de show em Osasco. “A ideia de ajuda aos músicos veio de nossa própria vida. Como estamos vivendo sem show e sem cachê. É como nossa própria campanha já diz ‘músico também é trabalhador’. Temos família”. (a partir de 01:56) 

Fernanda falou também que está preocupada como conseguirá se manter sem cantar e sem receber seus cachês. “Nós, músicos, fomos os primeiros a parar de trabalhar e pelo jeito seremos os últimos a retornar. A nossa agenda estava marcada até agosto. Nós conseguimos remarcar alguns, porém não sabemos se conseguiremos segurar a agenda. E outros foram cancelados”. (ouça em 02:24)

Quem também compartilhou as preocupações com os boletos que seguem chegando foi Râni Andrade, que mora em Pirituba, zona noroeste de São Paulo. “A banda na qual canto tinha shows marcados até agosto. Todos foram cancelados. Eu ganhava 100 reais por show e como ficou? Não ficou nada, porque sem trabalhar, não recebemos”. (em 03:17)

O paranaense Thiago Rênold, vive no Morro do Socó, em Osasco e alertou sobre os cachês pagos para artistas como ele, que se apresenta em casas e bares dos bairros onde vivem. 

“Provavelmente quando voltar, com certeza vai baixar os cachês dos músicos aqui de Osasco. Mas nós, músicos e cantores, que trabalhamos nesta vida artística, temos que passar por isso mesmo. Porque para sustentar nossa família está difícil. Então temos que aceitar várias coisas”. (em 03:45)

Thiago é dançarino e cantor na banda Forrozão Hudson Barrous. Ele falou sobre os impactos da pandemia em seu trabalho. “Teve um impacto muito forte nessas duas áreas minhas. Mas a de cantar foi mais forte porque é o que eu amo fazer. É o que me relaxa. Sentir o calor e o carinho do povo, essas coisas são muito gratificantes para mim”. (em 04:47)

Ele comentou também sobre a campanha dos artistas. “Essa iniciativa está sendo muito importante para unir os músicos daqui de Osasco. Para que todos os músicos vejam que somos uma família. Está funcionando, pois estamos nos mobilizando bastante”.  (em 05:30)

Ouça este bate papo completo no Em Quarentena #22: Cantores de forró e sertanejo criam campanha de doações na Grande SP.

https://open.spotify.com/episode/19qsWFV1b1y6yWa9CJuHK8

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