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Sem adesão, centros de acolhida na zona sul podem ser desativados; ouça o podcast

Na região existem três centros, sendo dois em Paraisópolis e outro no Jardim Ângela; nenhum opera na capacidade esperada

Os centros de acolhida são locais criados para que pessoas com sintomas leves de coronavírus possam se isolar, e assim, diminuir o risco de transmitir a doença para seus familiares. Na zona sul existem três deles que não operam na capacidade esperada e podem fechar nesta quinta-feira (30).

Gisele Alexandre, correspondente da Agência Mural no Capão Redondo, em parceria com o Lucas Veloso, fez uma matéria investigativa sobre o assunto. Ela compartilhou aqui no “Em Quarentena” o que descobriu sobre os centros de acolhimento.

A correspondente do Capão falou sobre a conversa que teve com uma funcionária do centro de acolhida do Jardim Ângela e que não quis ser identificada. “Ela me contou nessa conversa que o serviço tinha uma infraestrutura muito boa e que era um espaço muito preparado para receber e acolher esses pacientes, mas que ele estava sendo pouco utilizado. Perguntei para ela quantas pessoas tinham e ela disse que, na época, tinham três pessoas em um espaço que servia para cerca de 300”. (ouça a partir de 02:05)

Gisele contou o que descobriu em primeira mão, durante o processo de apuração da reportagem. “Ao longo da apuração, eu continuei em contato com minha fonte, ela foi me trazendo informações atualizadas sobre como estava o processo dentro do centro de acolhimento. Ela como funcionária e uma fonte com a identidade preservada, e ela me falou, certo dia, que havia tido uma demissão de vários funcionários do espaço, e que provavelmente, o espaço seria fechado no final desse mês de julho”. (a partir de 02:43)

Ana Leite, voluntária na ONG Parceiros da Educação e coordenadora dos centros de acolhida de Paraisópolis e do Jardim Ângela, falou sobre a pouca adesão da população em relação aos centros de acolhida e explicou o que a gestão fez para mudar isso. 

“As pessoas confundiram muito com os hospitais de campanha em que elas não podiam levar o celular, por exemplo, então as pessoas entravam doentes e muitas vezes eram transferidas para hospitais de maior complexidade e saiam, às vezes de lá, mortas. Então as pessoas achavam que era um hospital de campanha e a gente teve que desmistificar isso. A segunda questão que a gente entendeu é que as pessoas tinham muito preconceito com a doença. Então algumas pessoas não iam procurar as unidades de saúde com medo até de ouvir o resultado, um diagnóstico positivo. Das que iam receber tinham dois perfis. Uma delas que se escondia com medo do estigma da doença, medo de ficar, de um preconceito que existia com a doença”. (ouça em 03:28)

A coordenadora falou também sobre o isolamento. “A gente teve que fazer um trabalho de conscientização nas pessoas para que elas realmente ficassem em isolamento e de forma correta. Às vezes, a pessoa fala que vai ficar em casa, isolada, que vai cumprir a quarentena, ou também com vergonha ou medo de ir para um lugar desconhecido, mas a gente sabe que basta o cara tá em casa para ele abrir uma geladeira, mexer numa pia, encontrar num copo e com isso colocar todo mundo que mora com ele em risco”. (em 04:32)  

A matéria dos correspondentes da Agência Mural “Com pouca adesão, centros de acolhida na zona sul de Paulo podem ser desativados” foi publicada na Folha de São Paulo. 

E Gisele, como moradora da zona sul, finalizou sua participação no “Em Quarentena” compartilhando o que pensa sobre os centros. “É um espaço tão importante, já que a gente tá numa área vulnerável e com casas muito pequenas e com muitas famílias. Então é um espaço importante para o território e que poderia ter sido divulgado de uma maneira mais ampla, para que o acesso tivesse sido mais forte. Pensando que é uma infraestrutura que custou três milhões e setecentos mil reais […] É um serviço que acho que foi muito bem elaborado, enquanto propósito, mas foi pouquíssimo usado como elemento de estratégia na comunicação”. (em 05:48)

Ouça este bate papo completo no Em Quarentena #79: Sem adesão, centros de acolhida na zona Sul podem ser desativados.

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Redação

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