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Por que o SUS é tão importante no combate à Covid-19?; ouça o podcast

O SUS foi criado em 1990, mas a Constituição Federal de 1988 já garantia que a saúde era um direito de todos e um dever do estado

O SUS (Sistema Único de Saúde) é um direito de todos os brasileiros e está sendo fundamental no combate ao coronavírus no Brasil.

Nunca se falou tanto no SUS. Mas você já parou pra pensar como ele nasceu e qual a importância de termos a saúde como um direito universal? 

O “Em Quarentena” conversou com as jornalistas do coletivo ‘Nós, Mulheres das Periferias’, que lançaram um especial sobre o tema.

Mayara Penina, que faz parte desse coletivo de jornalismo independente, abriu o episódio trazendo importantes dados relacionados ao SUS. 

“Mais de 70% da população brasileira depende exclusivamente do SUS. E as mulheres, além de ser a maioria entre os usuários, são também as que assumem o papel de cuidar de seus companheiros, das crianças, dos idosos e de seus familiares”. (ouça a partir de 00:01)

Jéssica Moreira, moradora de Perus, na zona noroeste de São Paulo, contou que antes da criação do SUS, quem não tinha carteira assinada e não contribuía com a previdência, não tinha direito à saúde.

“Apenas aqueles que tinham trabalho formal e carteira assinada e, portanto, estavam inseridos no mercado financeiro de trabalho, tinham acesso à saúde. Até ali o serviço não era oferecido diretamente pelo estado, mas por meio de alguns fundos de aposentadoria. O resultado disso era a intensificação das desigualdades”. (a partir de 01:13)

Moreira enfatizou a importância de se ter um sistema gratuito e universal, ou seja, que é pra todo mundo. “O sistema privado não dá conta de todas as necessidades da população, por exemplo, vacina. As campanhas de vacinação, como sarampo e várias outras, são realizadas pelo SUS. É impossível que a gente tenha uma rede privada que cubra tudo isso”. (ouça em 02:04)

Ela reforçou ainda a relevância do acesso da população ao atendimento do SUS, neste momento de pandemia. “A gente vê quão importante é o SUS quando você olha o exemplo da Itália e de outros países. Embora a gente tenha um número baixo de leitos de UTIs e vários desafios, o SUS é ainda a política mais importante que a gente tem. Porque ela é garantida para todas as pessoas”. (em 02:48)

Lívia Lima, que mora no bairro Jardim Nordeste, falou sobre o primeiro conselho de saúde do país que surgiu, justamente, na zona leste e que tinha na linha de frente mulheres periféricas. 

“O modelo que o movimento de saúde da zona leste construiu com os conselhos de representação e participativo foi sistematizado e estruturado para ser a política pública fundamental para o SUS até hoje”. (em 03:48)

Lima contou ainda que na época, além da luta dessas mulheres pelos direitos de acesso à saúde para todos, tinha também a luta pela emancipação feminina.

“Esse processo delas se mobilizarem para ter posto de saúde e acesso à vacinas, que começou nas décadas de 70 e 80, fez essas mulheres se tornarem ativistas políticas. Antes, elas eram só donas de casa. […] Elas se tornaram mais donas das próprias histórias e das próprias vidas”. (em 04:20)

Jéssica Moreira lembrou que o sistema único de saúde ainda enfrenta muitos problemas para funcionar como deveria. “O SUS já nasceu com um super desafio. Que é o subfinanciamento, o desmonte e a gestão desse sistema. E isso impacta a política pública em saúde há anos. Tornando a questão ainda mais difícil em momentos de crise como esse que estamos vivendo”. (em 05:00)

Ela falou, inclusive, sobre a emenda constitucional conhecida como “Teto dos gastos”, aprovada em 2016, e que alterou o valor mínimo que o país aplicava em saúde e outras áreas sociais. 

“Esse congelamento do financiamento para a saúde tem corte de pessoal.  De 2019 para cá, teve vários cortes de profissionais, como por exemplo, das agentes comunitárias de saúde, que cumprem um papel muito importante de fazer essa conexão entre as Unidades Básicas de Saúde com a população”. (em 05:40)

Para continuar lendo mais sobre essa história, acesse a série de reportagens produzida pelo coletivo pelo: nosmulheresdaperiferia.com.br.

Mayara Penina deixou um recadinho para os ouvintes do podcast da Agência Mural. “Esperamos que leiam e que se reconheçam nessas histórias. E que olhem pro SUS com admiração e o defendam. E hoje ainda muito mais, no tempo que estamos vivendo”. (em 06:00)

Ouça este bate papo completo no Em Quarentena #16: Por que o SUS é tão importante no combate à Covid-19.

Podcast Em Quarentena

Viver em meio ao coronavírus não deve estar sendo fácil para ninguém. Imagina então para quem vive nas periferias. 

O “Em Quarentena” é o podcast especial que a Agência Mural de Jornalismo das Periferias criou neste momento da pandemia. Queremos informar, com notícias do dia a dia, quem mais precisa se virar meio a esse caos.

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Redação

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