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Terminal de ônibus do Itaim Paulista não saiu do papel

Por: Redação

Ponto de ônibus na Rua Rafael Correia da Silva, em frente a estação do Itaim Paulista (Lucas Landin/32xSP)

Todo fim de tarde a mesma cena se repete em frente a Estação Itaim Paulista da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), no extremo leste da capital paulista: são as longas filas que se formam nas calçadas, de onde partem ônibus para as extremidades do distrito, como os bairros Cidade Kemel e Jardim Nélia.

Ali não há nenhuma estrutura para os passageiros. Faltam informações sobre itinerários, bancos para sentar e até cobertura para se proteger do frio, da chuva e do sol.

“Nessa época de chuva a gente sofre, viu? Ainda mais com criança pequena”, desabafa a doméstica Kamille Pereira, 25. “Se tivesse pelo menos uma cobertura aqui, já ajudava”.

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De acordo com a pesquisa de Mobilidade Urbana 2017, realizada pela Rede Nossa São Paulo, Ibope e Cidade dos Sonhos, 47% dos moradores de São Paulo avaliaram as paradas de ônibus na cidade como péssimas.

Nas ruas centrais do Itaim Paulista, os pontos de ônibus sofrem de superlotação. No sentido bairro da avenida Marechal Tito, a prefeitura separou todas linhas em três pontos para evitar caos nas espremidas calçadas. Acontece que a distância de 350 metros entre a primeira e a terceira parada causa transtornos para os usuários.

“Tô aqui para pegar um ônibus para o Hospital Santa Marcelina. O [ônibus] Oliveira para aqui, o Kemel 1 para lá no meio e o Poá-Kemel para lá no final da avenida. Não ia facilitar se fosse tudo em um lugar só?” diz o mecânico José Silva, 59. “Passou da hora de ter um terminal aqui no Itaim”.

Esses problemas não deveriam existir desde 2016, data em que a gestão Fernando Haddad (PT) prometeu entregar o Terminal Itaim Paulista, construção que faria parte do corredor de ônibus Itaim Paulista-São Mateus. Porém, até o momento, as obras e as desapropriações no quadrilátero entre a avenida Marechal Tito e as ruas Albardão, Rafael Correia da Silva e Biacica não começaram.

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Em junho de 2014, a presidente Dilma Rousseff (PT) assinou repasse de R$ 529 milhões para obra, mas ainda assim foi barrada duas vezes pelo Tribunal de Contas do Município, por falta de verbas suficientes. Em 2017, o projeto passou a integrar o Programa de Metas 2017-2020 do prefeito João Doria (PSDB), mas ainda não há data para início de obras.

Procurada, a SPTrans não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

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