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‘Ação na pandemia pode influenciar votação nas periferias’, aponta cientista político

Cientista político indica que participação em ações no combate à Covid-19 pode favorecer nomes, mas candidatos à reeleição saem na frente; veja as datas

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Notícia

Por: Lucas Veloso | Paulo Talarico

Publicado em 09.07.2020 | 15:39 | Alterado em 03.10.2020 | 13:35

RESUMO

Cientista político indica que participação em ações no combate à Covid-19 pode favorecer nomes, mas candidatos à reeleição saem na frente; veja as datas

Tempo de leitura: 4 minutos

O adiamento das eleições 2020 para prefeito e vereador, promulgado pelo Congresso Nacional na semana passada estabelece também novos prazos para o início da campanha eleitoral e prevê um período emergencial para os lugares onde a crise da Covid-19 não estiver sob controle. 

A eleição deste ano definirá os prefeitos e vereadores que assumirão entre 2021 e 2024. Só na Grande São Paulo, a disputa envolve os cargos de 39 prefeitos e vice-prefeitos, além de 664 vereadores – 55 na capital paulista. 

Por conta da pandemia do novo coronavírus que já vitimou mais de 60 mil brasileiros, a Justiça Eleitoral sugeriu o adiamento da disputa. Deputados e senadores fizeram um novo texto que estabelece novas datas. 

Além da data da votação, transferidas para 15 e 29 de novembro [datas de primeiro e segundo turno], outras datas foram confirmadas. Mas como essas mudanças afetam as disputas nas periferias?

 

Para o cientista político Marcos Agostinho Silva, o momento do país pode dificultar a chegada de novos nomes e de moradores das periferias, na comparação com candidatos que já estão no poder e com mais visibilidade. 

Por outro lado, observa que quem tiver envolvimento comunitário ou base eleitoral encontrará mais chances de eleição. “Nas últimas eleições, o mote foi ‘atirar para matar’, mas agora veio à tona um debate racial e social que pode propiciar mais mulheres na política partidária”, avalia Agostinho, que é diretor do Instituto MAS, em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

O cientista político diz acreditar na maior participação das mulheres negras na política porque são seus filhos assassinados e são elas as maiores vítimas da sociedade. 

Essa atuação tem sido decisiva nas periferias nesse momento de pandemia, quando as comunidades tiveram de construir uma forma de sobrevivência, o que gerou novas lideranças. “A organização da periferia e da população negra para manter se viva foi usada neste momento. Na política cotidiana e na periferia, as mulheres negras conduzem e foram protagonistas”, ressalta Agostinho.

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Marcos Agostinho é cientista político na região de Carapicuíba, na Grande SP @Divulgação

Um estudo do Instituto Update sobre candidaturas das periferias também aponta para este cenário. Entre as pré-candidaturas mapeadas em seis capitais, a maior parte eram de mulheres negras. “Isso pode nos trazer uma reflexão de que essas candidaturas fazem parte de um movimento de resposta a exclusão de mulheres negras dos espaços institucionais e das políticas públicas”, diz o estudo.

Sobre a atuação comunitária, as redes de solidariedade e de controle da pandemia feita por essas novas lideranças podem ser relevantes na hora da disputa.

Em junho, uma análise do Instituto Pólis mostrou que, em Paraisópolis, a segunda maior favela da capital, a implementação de um conjunto de ações comunitárias para conter a difusão da pandemia rendeu resultados positivos. A comunidade teve melhor controle da pandemia do que a média no município de São Paulo.  

As estratégias permitiram que a favela apresentasse, em 18 de maio de 2020, taxa de mortalidade por Covid-19 de 21,7 pessoas por 100 mil habitantes, enquanto a Vila Andrade como um todo registrava 30,6 mortes a cada 100 mil habitantes. O índice também está abaixo da média municipal (56,2) e de outros distritos vulneráveis como o Pari (127), o Brás (105,9), a Brasilândia (78) e Sapopemba (72).

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FAVORÁVEL PARA REELEIÇÃO

No entanto, o poder econômico de quem já está no poder deve pesar novamente, aponta Agostinho.  “Quem está no poder e que estava com bom desempenho, nos serviços básicos, como saúde e educação, teve mais verba para políticas públicas”, comenta. 

O adiamento da votação ajuda nesse sentido. Quem tinha obras e serviços em andamento, terá mais tempo para concluir os projetos. Com semanas a mais, haverá mais espaço para influenciar no aumento dos votos. 

As inaugurações que eram permitidas apenas até 4 de julho, agora terão mais 42 dias para serem realizadas. Por outro lado, prefeitos têm feito mais atos pela internet, por conta das medidas de distanciamento social necessárias por causa da Covid-19. Ao menos quatro prefeitos foram contaminados pelo novo coronavírus no período.  

Por causa da pandemia, os governos municipais receberam mais recursos públicos para ações de combate à Covid-19, o que aumentou a presença de políticos nas periferias. “O dinheiro para políticas públicas foi maior e atende mais pessoas. Um vereador consegue atuar com cestas básicas ou no cadastramento das famílias pobres em busca de ajuda”. 

Agostinho aponta que as eleições municipais são importantes porque trata do dia a dia dos moradores. É a ‘política feita sobre a necessidade das pessoas’. Ele cita que as demandas são municipais e que as pessoas  buscam políticos do cotidiano para que sejam pressionados e que conheçam a realidade dos bairros.

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Paulo Talarico

Editor-chefe de jornalismo na Agência Mural. É formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu e em História pela Universidade de São Paulo. Tem pós-graduação em jornalismo esportivo e curso técnico de locução para rádio e TV. É também membro associado do Projor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo). Gosta de café, Osasco, livros, futebol e cinema. Cofundador e correspondente de Osasco desde 2011.

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