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Agência de Jornalismo das periferias
Acontece Mural

Editor da Agência Mural fala sobre jornalismo local no Congresso da Abraji

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Publicado em 02.07.2018 | 18:26 | Alterado em 22.11.2021 | 16:43

Tempo de leitura: 3 minutos

O Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado de 28 a 30 de junho, teve como tema principal “A importância da colaboração para o futuro do jornalismo no Brasil e no mundo”. A 13ª edição contou com a participação da Agência Mural no painel “Mostre e conte: a nova geração de jornalistas” e na roda de conversa “Os desafios do jornalismo local”.

No segundo dia do Congresso, Paloma Vasconcelos, correspondente da Vila Nova Cachoeirinha, participou do painel “Mostre e Conte”. Ela detalhou como produziu o livro “Transresistência: Histórias de Pessoas Trans no Mercado Formal de Trabalho”.

O livro trata da busca de transexuais por emprego a partir de dados e da trajetória de pessoas trans que conseguiram um trabalho. Neste painel participaram mais 16 recém-formados em jornalismo que também falaram sobre os trabalhos de conclusão de curso.

“A mensagem que ficou é do quanto o jornalismo tem que olhar para essas pessoas de forma sensível. Eu li muitas reportagens e normalmente não tinha uma sensibilidade de ouvir aquela pessoa e a história dela”, contou Vasconcelos.

E para abordar sobre o jornalismo local, o editor-chefe da Agência Mural, Paulo Talarico, falou sobre reportagens produzidas e explicou como funciona a cobertura e a rede de correspondentes.

Durante o bate-papo, o editor do The Intercept Brasil, Alexandre de Santi, perguntou como funciona a rede de colaboradores e disse que se impressionou com o número de jornalistas da Agência Mural.

Talarico explicou que há um contato constante com os correspondentes sobre o que está acontecendo nas regiões diariamente e um encontro presencial uma vez por mês.

“Os repórteres são correspondentes locais, uma característica da Mural, pois é ele quem sabe da realidade que vive. Há mais contato com os moradores e o que acontece ao seu redor. Nossa missão é desconstruir estereótipos e fazer com que as vozes das periferias cheguem na grande imprensa”, declara o editor.

Na mesma roda mediada pela jornalista Angela Pimenta, do Projor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo), estiveram Lilia Camargo, da TV Rio Branco, filial do SBT no Acre, e jornalista do site Ac24hs, e João Henrique da Silva, da página ‘Caruaru no Face’.

Ambos falaram do preconceito por não serem jornalistas de formação e da credibilidade e confiança que conquistaram da população local por meio da apuração e conteúdo nas redes sociais.

“A principal dificuldade é o acesso à informação das prefeituras, governo, secretaria de segurança. Outra dificuldade é ser mulher, ser da rede social independente, morar numa cidade com 10 mil habitantes em que a grande parte dos adolescentes são das facções criminosas. Tem que ter muito pulso para trabalhar, coragem para ir na rua, ser ameaçada e mesmo assim continuar”, pontua Lilia.

Para encerrar o Congresso, Stephen Engelberg, editor-chefe da ProPublica, uma agência de jornalismo investigativo dos Estados Unidos, foi o entrevistado da mesa “A colaboração é o futuro do jornalismo”, mediada pelos jornalistas Guilherme Amado, de ‘O Globo’, e Rosental Calmon Alves, do Knight Center.

Outros jornalistas da Agência Mural participaram do Congresso: Cíntia Gomes (Jd. Ângela) e Priscila Pacheco (Grajaú), Jéssica Moreira (Perus), Jessica Bernardo (Grajaú), João Paulo Brito (Cachoeirinha), Julia Reis (Taboão da Serra) e Wallace Leray (Grajaú).

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