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9,5 a 0: Santana 'goleia' Vila Guilherme no tamanho da rede hospitalar

Disparidade no número de leitos entre os distritos vizinhos é gritante; petição reivindica instalação de hospital em prédio com obras paradas desde 2006

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Por: Redação

Publicado em 28.01.2019 | 19:04 | Alterado em 28.01.2019 | 19:04

Tempo de leitura: 4 min(s)
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O hospital municipal José Storópolli é o único da região (Sidney Pereira/32xSP)

São Paulo das Desigualdades – Na zona norte, a disparidade da cobertura hospitalar entre os distritos vizinhos de Santana e Vila Guilherme é gritante. São 9,50 leitos hospitalares a zero, respectivamente, em unidades públicas e privadas disponíveis por mil habitantes.

A situação reflete com clareza a desigualdade da rede de saúde paulistana. De 2013 a 2017, a proporção de leitos hospitalares entre os distritos variou negativamente em mais de 330%, aponta o Mapa da Desigualdade, publicação da Rede Nossa São Paulo.

O déficit fez os moradores da subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme iniciarem uma petição pública reivindicando a instalação de um hospital no prédio de um hotel inacabado, na rua São Quirino, ao lado do Parque do Trote. Com dois blocos, num total de 18 andares, o edifício fica em um terreno amplo e de fácil acesso pela Marginal Tietê.

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Com projeto arrojado, o empreendimento hoteleiro previa atender os clientes do vizinho shopping atacadista Mart Center. Esse local, especializado em moda, chegou a atrair multidões de consumidores de todo o Brasil, mas atualmente é subutilizado, abriga um estacionamento e recebe eventos esporádicos, como festas e shows.

O declínio do centro comercial foi decisivo na suspensão das obras do hotel, na década de 1990. Hoje, o esqueleto do prédio se destaca negativamente na paisagem da Vila Guilherme.

O funcionário público Beto Freire, 38, é o autor da petição pública. Usuário do Sistema Único de Saúde (SUS), ele conta que a reivindicação de um novo hospital na região é antiga, desde 2006.

“Em várias reuniões, do conselho gestor e participativo, foram feitos pedidos para a transformação do edifício em um novo hospital. Para uma população de 350 mil pessoas na subprefeitura só temos o Vermelhinho [como é conhecido o hospital municipal José Storópolli], no Parque Novo Mundo”
Beto Freire, autor da petição pública

Ele afirma que o hotel tem 196 quartos e uma área de 14 mil m². “O terreno é grande, tem espaço para pronto-socorro, entrada de ambulâncias e até para fazer um heliporto e atender emergências. Não dá mais para esperar, vamos entregar essa petição para o poder público, municipal e estadual”.

O hospital da zona norte mais próximo é o do Mandaqui, de administração estadual, e que fica a mais de seis quilômetros dali, na subprefeitura Santana / Tucuruvi. A instituição é referência na região, mas tem passado por seguidas crises de gestão e superlotação, com pacientes em macas pelos corredores.

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O funcionário público Beto Freire é usuário do SUS e autor da petição pública (Sidney Pereira/32xSP)

Freire lembra que o hospital José Storópolli atende parte da zona leste e várias comunidades da região, como a da Funerária, e é a primeira opção em caso de transporte de acidentados na Marginal Tietê, Via Dutra e Ayrton Senna, todas bem próximas ao hospital.

“O Vermelhinho é pequeno para o tamanho da zona norte, faltam equipamentos. O pronto-socorro está sempre cheio. Com a criação de novo hospital, ele também seria beneficiado e atenderia em melhores condições.”

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O funcionário público também lembra que, nos fins de semana, a maioria das UBSs não funciona, além do horário limitado de atendimento nos dias úteis.

“Ninguém escolhe dia e hora para ficar doente. Eu e minha família não temos plano de saúde e usamos a rede pública. Minha avó, falecida há cinco anos, ficou internada no Vermelhinho”, revela.

“O atendimento humano é muito bom, mas não tem estrutura suficiente. Na última vez em que fui, a demora foi enorme. Então, muitos procuram o Mandaqui, que fica superlotado”, completa.

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OUTRO LADO

A Secretaria Estadual da Saúde informa que, além do Hospital do Mandaqui, mantém mais três unidades na zona norte: Vila Nova Cachoeirinha, Vila Penteado e Taipas. Na Vila Maria, há um ambulatório médico de especialidades (AME), para atendimento em saúde mental, com mil pacientes/mês.

Segundo o órgão, os hospitais são referência na assistência de média e alta complexidade, e, no total, realizam mais de 95 mil consultas, 831 mil exames e 11,6 mil procedimentos cirúrgicos.

Já a Secretaria Municipal esclarece que, na subprefeitura Vila Maria / Vila Guilherme, há 13 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantojuvenil, três unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e um Hospital Dia, além do pronto-socorro da Vila Maria Baixa e do hospital José Storópolli, de médio porte.

Sobre o pleito da comunidade, a secretaria alega que, para a criação de serviços de saúde, é levada em conta “a necessidade epidemiológica da região”. O órgão explica que os hospitais têm “o papel de desafogar os equipamentos primários e secundários de saúde, como as UBSs, que são responsáveis pela atenção básica à saúde da população”.

A partir das UBSs, a população tem acesso às especialidades médicas e realizam consultas agendadas, coletas para exames, vacinação e controle de doenças crônicas.

Para atendimento sem hora marcada, de baixa complexidade, como contusões, gripes e mal-estar, a rede municipal tem as AMAs e unidades de pronto atendimento (UPA ou PA). Para casos mais complicados, como fraturas, existem os prontos-socorros (PS). Os hospitais municipais e o serviço de atendimento móvel de urgência (SAMU) são responsáveis pelo atendimento de casos graves, como infartados, vítimas de AVC e de acidentes de trânsito.

Para encontrar a UBS mais próxima, basta acessar o buscasaude.prefeitura.sp.gov.br ou ligar para o 156.

29 de 96 distritos da cidade de SP não possuem leitos hospitalares

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