11 livros “periféricos” que você precisa ler

Para celebrar o Dia Nacional do Escritor, selecionamos obras do vasto universo das letras das quebradas

foto: Vagner de Alencar, autor de Cidade do Paraíso — Há vida na maior favela de São Paulo

As nossas periferias carregam uma riqueza literária que às vezes passa despercebida até entre os devoradores de livros. Por conta disso, escolhemos 11 livros para você ampliar seu leque de leitura e navegar pelo vasto universo das letras periféricas. Sem contar que hoje, 25 de julho, é o Dia Nacional do Escritor.

Aqui você vai encontrar Maria Carolina de Jesus, a precursora da escrita nas quebradas; Sérgio vaz e Ferréz, os nomes mais conhecidos atualmente; Vagner de Alencar , Cleber Arruda e Paloma Vasconcelos, correspondentes da Agência Mural; livro para criança; coletâneas de poemas de diversos escritores e textos escritos só por mulheres, porque a coletividade é uma marca forte na literatura periférica.

1 — Capão Pecado (Ferréz)

Livro que fez o autor ser reconhecido nacionalmente, o romance conta a história de Rael, um garoto que sonha em ser escritor e se apaixona pela namorada do melhor amigo. Ao longo da trama, o narrador conta o cotidiano de seu bairro, incluindo o tráfico de drogas, casos de violência, dentre outras situações que envolvem seus amigos, familiares e vizinhos.

2 — Eu sou favela (Paula Anacaona — org.)

Organizado pela editora francesa Paula Anacaona, o livro tem versões em francês e português e reúne textos de diversos autores do movimento literário periférico, como Rodrigo Ciríaco, Alessandro Buzo, Ferréz, Sacolinha, dentre outros autores como Ronaldo Bressane, Marçal Aquino e Marcelino Freire.

3 — Saraus — Antologia (Lucia Tennina)

Lucia Tennina, pesquisadora argentina de literatura brasileira contemporânea, com foco no movimento dos saraus da cidade de São Paulo, reuniu na antologia lançada na ocasião da Feira do Livro de Buenos Aires (que o Mural cobriu; veja aqui )poemas e textos de diversos escritores, como Sérgio Vaz, Binho, Elizandra Souza, Marco Pezão, Michel Yakini, GOG, Tula Pilar, dentre outros.

4 — Antologia Praçarau –Rogério Gonzaga — org.

O Praçarau acontece mensalmente na Praça Danilo Honório, no Campo Limpo, na zona sul, e seus organizadores convidaram diversos poetas e escritores para participar da publicação do coletivo. Faz parte do grupo Cleber Arruda, editor da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, que contribuiu com a crônica São “Pãolo” nosso de cada dia.

5 — Perifeminas — Volumes I e II (coord. Georgette Maloupas)

As coletâneas foram organizadas por meio de um projeto da Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop. Dele nasceram dois volumes, com poemas e textos de diversas mulheres que integram o movimento hip-hop e literário em São Paulo, como Raquel Almeida, Sharylaine, MC Regina, Dj Simmone, dentre outras.

6 — Quarto de despejo: diário de uma favelada (Maria Carolina de Jesus)

O livro relata o dia a dia da autora que era moradora do bairro Canindé, zona norte da capital. Maria Carolina criava e cuidava de três filhos. Sustentava-os pegando material reciclável pelas ruas. Além disso, muitas vezes ia a açougues do bairro pedir sobras de ossos. Escrito na década de 1950, o diário dessa moradora da periferia foi traduzido para 13 idiomas e descoberto pelo jornalista Audálio Dantas. O diário de Maria Carolina de Jesus, produzido em várias noites de sofrimento, é referência para pesquisas e estudos.

7 — As aventuras do Diogo: a história de Mogi das Cruzes para crianças (Mário Sérgio de Moraes)

O livro conta a história do nascimento da cidade de Mogi das Cruzes por meio de uma linguagem coloquial. Diogo, principal personagem do livro, é o narrador. Ele apresenta os índios da região, a chegada dos bandeirantes, dos negros e quilombos que lá fizeram história até a chegada dos trilhos com o “cavalo de ferro”. É uma história dinâmica e bem organizada, que conta a história da cidade para o público infantil.

8 — Cidade do Paraíso: há vida na maior favela de São Paulo (Vagner de Alencar)

Se cada pessoa traz um universo dentro de si, os livros também conseguem trazer isso para os leitores. No caso de “Cidade do Paraíso — há vida na maior favela de São Paulo” (Primavera Editorial), o mundo apresentado é de Paraisópolis, na zona sul, a mais populosa segundo o IBGE. Esse livro é importante para entender o que é periferia, quais são suas virtudes, problemáticas e dramas. Ele nos apresenta essas características por meio de vários perfis de ruas e personagens o cotidiano de uma favela com nome da viela chamada “Alegria”. O livro foi produto de um TCC, o que nos enche de esperança sobre os jovens jornalistas. Vagner de Alencar é correspondente da Agência Mural e coordenador do projeto Mural nas Escolas.

9 — Literatura, pão e poesia (Sérgio Vaz)

Criador do sarau da Cooperifa, na zona sul de São Paulo, o poeta Sérgio Vaz adentra o mundo da crônica em “Literatura, pão e poesia” e conta histórias que representam as diversas periferias da capital.

10 — Muzimba: na Humildade Sem Maldade (Akins Kintê)

Com origem no rap, samba e cinema, o poeta Akins Kintê lançou seu primeiro trabalho solo “Muzimba — Na Humildade Sem Maldade” em formato de livro-CD. A parte escrita é dividida em seis trechos que traduzem a diversidade temática do autor. As estrofes apresentam desde histórias da família da Brasilândia até a poesia erótica, marca de suas primeiras obras “Punga” (2007), com Elizandra Sousa e “InCorPoros — Nuances de Libido” (2011), com Nina Silva. O combate ao racismo e a cultura afro-brasileira são presentes em todo o livro. A obra traz ainda 15 poemas musicados no CD “Pelamô”, produzido por Tico Pro.

11 — Transresistência — Histórias de pessoas trans no mercado formal de trabalho (Paloma Vasconcelos)

A jornalista Paloma Vasconcelos, correspondente da Agência Mural, traz em Transresistência — Histórias de pessoas trans no mercado formal de trabalho, o desafio de oito pessoas transexuais na cidade de São Paulo em manter o emprego e a trajetória contra o preconceito. A maioria dos perfis é de pessoas que moram nas periferias de São Paulo e cada uma relata a resistência desde a família até o ambiente profissional. Além disso, o livro aborda aspectos sobre o número de casos de violência e a dificuldade no avanço dos direitos da população transexual.

Por Priscila Pacheco, Priscila Gomes, Lucas Veloso, Livia Lima, Lara Deus e Jéssica Silva, Paulo Talarico

Correspondentes do Grajaú, Vila Zilda, Guaianases, Arthur Alvim, Pirituba e Mogi das Cruzes, Osasco

Link do CD Pelamô: https://www.youtube.com/watch?v=Iv9eSNjoMAg

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