11 pontos curiosos nas nossas periferias para você conhecer

Desvendamos e indicamos várias regiões inusitadas e históricas que precisam ser visitadas em São Paulo

O cerrado paulista em Franco da Rocha — Foto: Humberto do Lago Müller/Agência Mural

Você imagina onde foi realizado o primeiro voo da América Latina? Conhece a fábrica de cimento de Perus ou sabe onde está o último remanescente de cerrado na região metropolitana de São Paulo? Um grupo de muralistas reuniu algumas curiosidades para você conhecer melhor as nossas periferias. Olha só!

Receba nossa newsletter!

Em Parelheiros, igreja Messiânica é ótima opção de visita — Foto: Priscila Pacheco/Agência Mural

1 — O primeiro e maior solo sagrado da igreja Messiânica construído fora do Japão fica em Parelheiros, extremo sul de São Paulo. Numa área de 327 mil m² às margens da represa Guarapiranga, o espaço possui jardins, praças, lagos e um Templo formado por 16 pilares e uma torre de 71 metros. O espaço é aberto para visitas desde que agendadas em alguma unidade religiosa Johrei.

Endereço: Av. Professor Hermann Von Ihering, 6567 — Jardim Casa Grande (antiga Estrada do Jaceguai)

http://www.solosagrado.org.br/informacoes

Foto antiga da Fábrica de Cimento e intervenção no local — Fotos: Nelson Camargo e Arthur Gazeta

2 — A primeira grande fábrica de cimento do Brasil foi construída em Perus, zona noroeste de São Paulo. Criada em 1926, a Companhia de Cimento Portland Perus foi a principal abastecedora da matéria-prima até a década de 1930. Além disso, foi palco da greve de sete anos realizada pelos sindicalistas denominados Queixadas em plena ditadura militar. A indústria foi fechada em 1987 e tombada como patrimônio histórico da cidade em 1992. Abandonada, os moradores de Perus tentam transformá-la em um Centro de Cultura e Memória do Trabalhador e numa Universidade Livre e Colaborativa.

Museu Florestal no Horto Floresta tem acervo gigante de madeiras — Foto: Aline Kátia Melo/Agência Mural

3 — Na zona norte temos o Museu Florestal “Octávio Vecchi”, ou Museu da Madeira, que é reconhecido internacionalmente por possuir o maior acervo de madeiras da América Latina. Ele fica no Parque Horto Florestal, na Vila Nova Cachoeirinha. Pena que os dias e horários de visita são poucos acessíveis. Abre somente de quarta a sexta-feira, das 10h às 12h e das 14h às 16h.

Endereço: R. do Horto, 931 — Horto Florestal

Monumento de marcação de trópicos no Parque Horto Florestal — Foto: Aline Kátia Melo/Agência Mural

4 — Ao lado do Museu da Madeira, ainda encontramos um monumento escrito “Aqui passa o Trópico de Capricórnio”. Trópicos são linhas imaginárias que cortam o planeta Terra.

Acervo da biblioteca feminista municipal Cora Coralina — Foto: Sheyla Melo/Agência Mural

5 — Indo à zona leste, especificamente para o distrito de Guaianases, encontramos a biblioteca feminista municipal Cora Coralina. Ela possui um acervo especial de diversos assuntos sobre a história das mulheres, lutas, fotos e de ideologia anti-machista. Inaugurada em 1966, abre de segunda a domingo depois de uma temporada sem atendimento.

Endereço: R. Otelo Augusto Ribeiro, 113, Guaianases

Obeliscos na divisa entre São Paulo e Itaquaquecetuba — Fotos: Vander Ramos/Agência Mural

6 — À beira da rodovia Henriques Eroles, na divisa de São Paulo com o município de Itaquaquecetuba, existem dois obeliscos datados em outubro de 1922 e que simbolizam o início do embrião da estrada de rodagem São Paulo — Jacarehy inaugurada por Washington Luís, presidente do estado de São Paulo entre 1920 e 1924. Em 1928 a estrada seria prolongada até o Rio de Janeiro. Mas o projeto durou pouco, pois em janeiro de 1951 foi substituída pela Rodovia Presidente Dutra. Esquecidos pelo tempo, os dois tótens causam curiosidade por quem passa pelo local. “Tem pessoas que nem sabem porque existem esses tótens aqui. Aí explico que era da inauguração da estrada para o Rio de Janeiro. Teve uma época que a Prefeitura de Itaquá pensou em tirar e arrumar o canteiro”, diz o comerciante Luiz Escalola Souza, 56.

Igreja tombada pelo Iphan é uma das primeiras do Brasil — Foto: Adriano Munhoz

7 — Lá em Mogi das Cruzes, grande São Paulo, temos a Igreja da Ordem Primeira do Carmo e a Igreja da Ordem Terceira que foi construída de madeira entalhada, no estilo Barroco-Rococó, e possui pinturas ilusionistas no estilo das igrejas barroco-mineiras. Além de ser uma das primeiras igrejas construídas no Brasil, é um dos patrimônios históricos da cidade tombados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A igreja foi edificada no século 18 e possui uma característica barroca típica do ano de 1600.

Endereço: Largo do Carmo, centro — Mogi das Cruzes

Cerrado em Franco da Rocha — Foto: Humberto do Lago Müller/Agência Mural

8 — Pensando na natureza brasileira, o último remanescente de cerrado preservado da região metropolitana de São Paulo fica no Parque Estadual do Juquery, na cidade de Franco da Rocha, Grande São Paulo. É possível conhecer algumas trilhas bem legais por lá. O parque abre das 8h às 17h todos os dias.

O cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul. No Brasil passa por Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal. Também possui trechos no Amapá, Roraima e Amazonas. Apesar da importância ecológica, é o hotspost de biodiversidade com a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral.

Endereço: R. Miguel Segundo Lerussi, s/n, Parque Industrial — Franco da Rocha

Museu municipal e aviador Dimitri Sensaud de Lavaud— Fotos: Paulo Talarico/Agência Mural e foto de arquivo / Domínio público

9 — Sabe onde aconteceu o primeiro voo de avião da América Latina? Em Osasco, na Grande São Paulo. Na principal avenida da cidade está localizado o museu municipal que era a casa do aviador e inventor Dimitri Sensaud de Lavaud. Foi ali que Lavaud construiu um aeroplano e realizou o primeiro voo na América Latina, em 1910.

O teste durou pouco tempo e percorreu uma distância de mais de 100 metros, quando o motor parou de funcionar. Filho de uma alemão e uma russa, o engenheiro chegou a Osasco, que ainda era considerado um bairro da periferia de São Paulo, em 1898 e foi naturalizado brasileiro. No acervo do museu, há documentos, obras de arte, livros e objetos que representam a história da cidade.

Endereço: Avenida Autonomistas, 4001, centro — Osasco

Ceagesp, conhecido popularmente como Ceasa, onde muitos piauienses trabalham — Foto: Eduardo Casalini / Wikimedia Commons

10 — Migrantes do Piauí mantém em Osasco a “Associação dos Piauienses no Estado de São Paulo”. A entidade é fruto da presença de 45 mil pessoas do estado nordestino, o que faz com que a cidade da Grande São Paulo tenha menos piauienses apenas do que Teresina. A escolha pela cidade se deu pela proximidade do Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), onde vários trabalham como carregadores de frutas, legumes e flores. A associação busca dar auxílio relacionado a trabalho, alojamento, alimento, saúde e passagens entre Piauí-São Paulo.

Santana de Parnaíba tem conjunto arquitetônico tombado — Foto: Miguel Schincariol

11 — O centro de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, tem 209 imóveis tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo). Segundo o governo do estado, a cidade situada a 40 km da capital, forma o maior conjunto arquitetônico tombado e bem preservado do Estado de São Paulo. As construções ali mantidas são do século 19 e foram feitas em taipa de pilão e pau-a-pique. Um dos principais ícones é a Igreja Matriz de Sant’ Ana, algo que faz com que a cidade seja um roteiro de turismo religioso, como no feriado de Corpus Christi.

Produção e edição: Priscila Pacheco, correspondente do Grajaú

Textos: Aline Kátia Melo, Jéssica Moreira, Jéssica Silva, João Paulo Brito, Paulo Talarico, Priscila Pacheco, Sheyla Melo e Vander Ramos.

Correspondentes da Jova Rural, Perus, Mogi das Cruzes, Vila Nova cachoeirinha, Osasco, Grajaú, Guaianases e Itaim Paulista.