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Calçadão de Osasco perde coqueiros e divide opinião de moradores

Segunda maior rua de comércio do Estado de São Paulo recebeu uma cobertura para, dentre outras coisas, ampliar seu horário de funcionamento

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Notícia

Por: Ariane Costa Gomes

Publicado em 08.12.2021 | 16:51 | Alterado em 04.01.2022 | 16:35

Tempo de leitura: 6 minutos

Ao descer as escadas da estação Osasco, pertencente às linhas 8–Diamante e 9–Esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), já é possível enxergar a grande cobertura de alumínio que emoldura o calçadão da rua Antônio Agú, mais conhecido como Calçadão de Osasco.

Localizado no centro, o espaço é a maior rua de comércio da cidade e um dos maiores polos comerciais do Estado de São Paulo. Desde outubro de 2020, o local passa por obras de revitalização.

Com previsão de entrega para dezembro, o projeto divide opiniões de frequentadores e moradores da cidade. Executado pela Vigent Construções, com orçamento de R$ 27,6 milhões, a obra tem chamado a atenção por algumas alterações que, inicialmente, não estavam previstas.

A mudança que mais repercutiu entre os moradores foi a retirada dos coqueiros que, para muitos, era uma marca registrada da região. “Falaram que iam deixar no mesmo lugar. Arrancaram e estão cobrindo de concreto, além de perder a beleza estão desmatando”, reclamou uma moradora no Facebook, na Osasco do Caos, página que reúne informações e bom humor sobre a cidade.

Antes da reforma, Calçadão de Osasco tinha coqueiros. Árvores foram cortadas e aviso da retirada só veio com a obra em andamento @Ariane Costa Gomes/Agência Mural

Segundo comunicado à imprensa pela Secretaria de Obras, houve a necessidade de retirar por questões técnicas identificadas após a instalação da cobertura.

“A manutenção de prevenção sempre foi executada para que o risco de queda de cocos nos pedestres não existisse, processo que não seria mais possível. Além disso, por questões técnicas do funcionamento do novo Calçadão eles também tiveram que ser removidos”, afirma a gestão.

A prefeitura diz que vai realizar a compensação ambiental com o plantio de palmeiras imperiais na região central, o que também abrange a avenida Hilário Pereira de Souza e a rua da Estação, ruas do entorno.

“Além disso, os pilares do Calçadão serão cobertos com trepadeiras e serão instaladas novas floreiras nos pisos que receberão espécies arbustivas para que haja uma boa estética e amenização da ilha de calor no local”, finalizou a Secretaria de Obras.

Segurança na obra

“Estou achando ruim [a reforma]. Todo dia cai gente. Ontem mesmo, uma senhora bateu a testa aqui no chão. Eles não terminam logo isso e atrapalha né? O povo se machuca. Atrapalha vendas, atrapalha no geral”, conta a vendedora Dayane Santos, 30.

Moradora de São Paulo, Dayane trabalha há quatro anos vendendo cachorro-quente no Calçadão de Osasco. Ela avalia que, depois de pronta, a obra pode ser benéfica ao comércio, mas a demora na finalização tem atrapalhado o cotidiano.

A Agência Mural entrou em contato com a Prefeitura de Osasco e perguntou sobre as medidas de segurança para evitar acidentes. Por nota, a prefeitura disse que “na entrada do Calçadão há sinalização sobre a obra, que acontece em toda a extensão, o que exige atenção e cuidados dos frequentadores”. Em alguns pontos, não há essa sinalização.

O projeto de reforma foi escolhido em outubro de 2019 por meio de concurso criado e organizado pela ACEO (Associação Comercial e Empresarial de Osasco) e a AEAO (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Osasco), em parceria com a prefeitura.

O edital buscava projetos de arquitetura com soluções criativas e inovadoras para a revitalização do calçadão e entorno e recebeu propostas de profissionais de várias partes do país.

As vencedoras do concurso foram Letícia Juliana Pazian e Marina Vasarini Lopes, de São Caetano do Sul, que ficaram com o prêmio de R$ 20 mil.

Obra da nova cobertura começou ainda em 2020 @Ariane Costa Gomes/Agência Mural

O projeto inclui a cobertura do calçadão, uma praça em frente ao Osasco Plaza Shopping, espaços destinados ao comércio popular nas laterais do shopping e mudanças no tráfego de veículos e transporte coletivo. Devido a pandemia de Covid-19, a obra sofreu atrasos para começar.

O projeto prevê a instalação de um piso modular com placas de concreto drenante a fim de facilitar o escoamento da água da chuva, porém, parte do local já está com o piso de concreto.

Os alagamentos eram um dos principais problemas apontados por comerciantes. Trabalhando há 12 anos na divulgação de serviços, Gilvan Inácio da Silva, 67, está no aguardo da conclusão para fazer sua avaliação. “Valeu a pena [a obra], mas vou ver se vai ficar bom, né? Não era antes, tinha muita água aqui”.

O sistema de drenagem do Calçadão foi ampliado. A tubulação foi trocada e, segundo divulgado pela prefeitura, a capacidade de drenagem das águas de chuva será aumentada em mais de 40%. Ruas próximas do local também tiveram o sistema de drenagem ampliado.

Trabalhando há dois anos como vendedor de cachorro-quente, Victor Nunes, 26, avalia que a obra de revitalização será benéfica. “Estou achando bom e a cada dia está melhor. Acredito que vá trazer mais público e atenção para cá. Esperamos por isso”, avalia o morador do Bela Vista.

Obra ainda está em andamento. Parte da cobertura ainda não foi colocada em alguns trechos @Paulo Talarico/Agência Mural

O Calçadão possui 82 carrinhos de cachorro-quente de dia e a noite que ficarão embaixo da cobertura. O projeto de revitalização teve que apresentar soluções para algumas diretrizes, como garantir o trabalho dos ambulantes.

De acordo com a proposta vencedora, as laterais do shopping serão destinadas aos vendedores a fim de facilitar o fluxo de pedestres no Calçadão. Sobre a capacidade do espaço para receber os ambulantes, a prefeitura disse que “a rua Antônio Agú possui 120 ambulantes e os que atuam com alimentos ficarão na parte coberta. Os demais serão remanejados para ruas laterais”.

Atualmente, as lojas do Calçadão funcionam, em sua maioria, até às 19h, algumas até às 20h. Com a reforma, poderão funcionar 24 horas. Para tanto, além da cobertura, é previsto a instalação de torres de iluminação, sistema de monitoramento por câmeras e Wi-fi.

Até o momento, os vendedores entrevistados disseram desconhecer a prorrogação do horário de funcionamento.

Obra tinha previsão inicial para ser entregue em dezembro, mas detalhes ainda estão pendentes @Ariane Costa Gomes/Agência Mural

Como surgiu o calçadão

A ideia de transformar a rua Antônio Agú em “Calçadão” surgiu durante o primeiro mandato do então prefeito Francisco Rossi (Arena, 1973-1977).

Com a intenção de criar um shopping ao ar livre, a prefeitura fez o “fechadão” asfaltando um trecho da rua. O Calçadão de Osasco com a extensão atual foi inaugurado em novembro de 1986, após muita conversa entre comerciantes, lojistas e os prefeitos que passaram por esse período. A intenção ao transformar a rua em “calçadão” era, além de ampliar o comércio, evitar atropelamentos e poluição.

Hoje em dia o espaço é a segunda maior rua de comércio popular do Estado de São Paulo, atrás apenas da rua 25 de março, em São Paulo capital. O que atrai os frequentadores vindos de Osasco e de cidades vizinhas é a diversidade dos serviços.

“Acho que a variedade de produtos hoje é bem mais fácil. Não é preciso se locomover para outros lugares porque aqui tem de tudo”, diz Patrícia Garcia de Oliveira, 30, vendedora que trabalha na rua da Estação, próxima ao Calçadão.

Ariane Costa Gomes

Jornalista, acredita que a informação e a educação são ferramentas fundamentais para transformar as pessoas e a sociedade. Gosta de aprender e conhecer coisas novas, estar ao lado das pessoas que ama, ouvir música e ficar junto de suas duas cachorrinhas. Correspondente de Osasco desde 2015.

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