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Casal de professores faz dueto em vídeo para ensinar crianças de 0 a 5 anos

No Jardim Fontalis, Herika e Gustavo montam Herigus para facilitar interação com crianças durante a pandemia

Moradores do Jardim Fontalis, região Jaçanã/Tremembé, na zona norte de São Paulo, a pedagoga Herika Trindade, 34, e o educador musical Gustavo Araujo, 32, encontraram uma maneira criativa de se manterem próximos dos alunos durante a pandemia.

Casados e educadores, eles elaboraram um jeito especial para as aulas. Herika é professora da rede municipal de Guarulhos, na Grande São Paulo, e recebeu férias já no início da quarentena, enquanto Gustavo, que é professor da rede privada, foi enviado ao modo remoto de ensino no mesmo período. 

A ele foi solicitado vídeos semanais para crianças de zero a dois anos e outro para crianças até cinco anos. 

“Teve um fim de semana que o Vitor, meu sobrinho, estava andando de bicicleta no quintal e cantando uma musiquinha. Na segunda o Gustavo me perguntou que música era aquela e expliquei que era uma música que as crianças cantavam e gesticulavam a sua letra ao mesmo tempo”, explica a professora.

Gustavo e Herika tem feito vídeos na internet para auxiliar no aprendizado | Arquivo Pessoal

O músico começou a tocar a música no violão e a companheira perguntou se ele gostaria que ela o acompanhasse fazendo os gestos da música. Estava formado o embrião do que viria a se tornar o Herigus, duo criado pelo casal.

A professora gostou tanto do resultado que resolveu enviar também para os seus alunos. Com a autorização da coordenadora criou um grupo num aplicativo de mensagens e enviou para os pais. “A princípio seria só para elas lembrarem do universo de dentro da escola, todo dia tem roda de música na qual estimulamos os gestos, e também para eles não esquecerem do meu rosto”, brinca.

O projeto consiste em juntar música e gestos, para estimular a criança a usar o corpo para expressar algo. A ideia é estimular a atenção e a concentração dos alunos, por meio da reação ao estímulo musical e das palavras.

Com novas determinações da secretaria de educação do município de Guarulhos ainda no meio da pandemia, Herika se viu desafiada a produzir conteúdos que dialogassem com as referências e conteúdos que as suas coordenadoras exigiam, o casal mais uma vez recorreu à música.

“A questão era que tipo de atividade que a gente podia bolar que não exigisse tanto tempo dos pais, que não exigisse material”, relembra a educadora. 

“Focamos na música. A gente pegava o conteúdo que seria trabalhado na semana, como animais, numerais, questões corporais, e pesquisava bastante. A gente buscava músicas que se encaixavam no conteúdo que recebíamos e depois criava gestos”, ressalta.

Gustavo e Herika lembram que passaram a receber retornos “carinhosos” dos pais. “Escreviam dizendo que os pequenos tinham adorado, recebi vídeos de crianças tocando cavaquinho, fazendo os gestos, as carinhas. Passei a ter mais contato com os pais por causa dos vídeos”, conta Hérika.

Eles também ficaram surpresos com a recepção nas redes sociais. Desde os primeiros vídeos, Herika já vinha compartilhando o material com o nome ‘Herigus Para Bêbes’. “Teve um retorno que a gente não esperava, muitas visualizações, pessoal comentando que ia guardar para os filhos verem”, detalha a professora.

Depois disso, fizeram uma lista de transmissão em um aplicativo de mensagens e receberam até doações. 

Vídeos trabalham também o gestual | Arquivo Pessoal

Os vídeos contam também com participações especiais como o sobrinho do casal Vitor, 5, e da cadelinha Pipoca que é o animal de estimação da casa. Herika aparece cantando em alguns vídeos, após sugestão de uma amiga.

O casal também enfrentou um problema que foi comum para muitos durante a prática do home-office ao longo da quarentena. O barulho. “Tinha que contar com a colaboração dos vizinhos, a gente aprontava tudo pra gravar e as motos começavam a subir e descer, vizinho gritando com criança, criança escorregando com garrafa pet na viela, a gente respirava e deixava para outro dia”, relata conformada a professora. 

A ideia de abrir um canal exclusivo para o projeto não agrada o casal, que indica que os próximos meses da pandemia vão indicar como será o trabalho. “Dependendo de como ficar a situação a gente pode continuar  produzindo, né!? Se voltar a realidade da sala de aula, aí a gente interrompe”, opina Gustavo. 

Já para Herika “Foi um projeto de quarentena mesmo, que deu muito certo”, diz Herika.

André Santos

Jornalista, correspondente do Jardim Fontalis desde 2017. Integrante do Coletivo Favela em Cena de teatro (ator e diretor). Ama carnaval e jura que é baiano (tem que checar isso aí, ok?).

Jd. Fontalis, São Paulo

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