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Charreata e chá de bebê virtual viram alternativas durante pandemia da Covid-19

Sem encontros presenciais, famílias na Grande São Paulo criam novos tipos de celebrações para receber presentes para os filhos

A supervisora financeira Keila Silva Moreira de Carvalho, 32, estava com a festa do chá de bebê da Júlia programada. Mas a tradicional festa para receber presentes teve de ser adiada.

A criança é a primeira filha com o Willian, com quem vive há 17 anos. O casal do Jardim Wanda, no Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, tinha pago o local e a festa para receber a menina desde fevereiro.

Em março, quando começaram as medidas de isolamento por causa do novo coronavírus, o casal percebeu que não daria para fazer a festa e ficaram chateados. 

“É a primeira gestação. São planos e sonhos. Por mais que pareça besteira para algumas pessoas, para nós  não é assim. Queríamos comemorar a vinda da filha com amigos e familiares”, diz Keila.

Com o isolamento social, famílias que planejavam chás de bebê ou ainda, de casa nova, precisaram se adaptar. Para driblar a situação, o jeito foi a criatividade. 

Amigos e familiares de Keila decidiram fazer uma surpresa. Um casal de amigos ligou para Keila e perguntou se eles aceitariam fazer uma live (transmissão em vídeo pela internet) na casa deles com os convidados. Keila e Willian toparam e no dia seguinte foram à casa dos amigos. 

Keila lembra que ao chegar achou estranho porque não haviam muitos presentes e a live prometida estava atrasada. De repente, começaram a ouvir buzinas. “Com os carros, recebemos os presentes e o carinho de todos”, comenta. “Muito mais que isso, o que vale é a demonstração de afeto, em tempo de isolamento social. Nosso coração ficou extremamente aquecido”. 

A surpresa foi uma chárreata – uma versão automotiva da entrega de presentes. Os amigos passaram de carro, entregaram os presentes e cumprimentaram o casal de longe. 

O casal ganhou ainda dois chás de bebê virtuais no esquema de vaquinha, um durante uma falsa reunião de trabalho na empresa do marido da Keila. 

A ação ajudou a minimizar o peso da ausência da família. Todos os domingos, os dois costumam almoçar junto aos familiares. “Dói mais ainda neste momento em que queremos estar cercados de amigos, para mostrar a barriga, eles tocarem”, relata.

Crédito: Magno Borges/Agência MuralCharreata se tornou opção para receber presentes

Grávida de seis meses, a jornalista e correspondente da Agência Mural em Cotia, Halitane Rocha, 24, e o marido, João Henrique Soares, 36, também planejavam o chá de fraldas, mas perderam a esperança no decorrer dos meses. Os dois esperam Núbia e Dandara. 

A escolha foi fazer algo online. “Pensamos em fazer à distância, mas a dúvida era como fazer mesmo, se uma charreata, chá fralda. Aí decidimos pelo chá rifa”, comenta.

Uma amiga do casal doou duas caixas de chocolate como prêmio. Todas as doações dos amigos, a partir de R$ 25, se converteram em um nome da rifa. 

Por enquanto, Halitane diz que a ideia ‘bombou’ entre os amigos e familiares. “Nesta semana chegamos perto de R$ 1.000, apesar de ser pouco porque teremos duas bebês”, relembra. 

Halitane e João chegaram a fazer um chá de panelas, com o objetivo de compor os móveis da casa. Se não fosse a pandemia, a ideia era fazer outra festa para acolher as filhas gêmeas. “A ideia era juntar a galera, fazer churrasco, cerveja, diversão e música”, relata. “Com a chegada das crianças, quando passar isso, vamos fazer o chá de boas vindas”.

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Guaianases, São Paulo

Ana Beatriz Felicio

Jornalista e correspondente de Carapicuíba desde 2018. Curiosa, vive com a cabeça no mundo da lua. Gosta de conhecer pessoas e descobrir o que as motiva a acordar todos os dias. Apaixonada por novas aventuras, histórias, gostos e lugares. É daquelas que está sempre viajando, quando não fisicamente, com a ajuda de algum livro de fantasia ou de um bom filme.

Carapicuíba

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