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Conheça atletas que estão representando as periferias de São Paulo em Tóquio

Felipe cresceu em Guaianases e Leila em Paraisópolis. Os dois estão em Toquio na disputa dos Jogos Olimpícos e contam dos desafios para chegar ao principal evento esportivo do mundo

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Por: Cleberson Santos

Notícia

Publicado em 28.07.2021 | 17:10 | Alterado em 22.11.2021 | 15:42

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Felipe dos Santos se classificou no ano passado e é de Guaianases @Divulgação/CBAT

Você acha que é só no futebol, no basquete ou no skate que o pessoal que vem das periferias se destaca no mundo esportivo? Felipe dos Santos e Leila Silva são provas de que não é bem assim. 

Eles são de Guaianases e Paraisópolis, respectivamente, e estão representando o Brasil lá em Tóquio, nos Jogos Olímpicos.

Felipe, 26, é decatleta, uma “prova combinada” do atletismo que reúne dez provas numa única disputa: 100 metros rasos, salto em distância, arremesso de peso, salto em altura, 400 metros rasos, 110 metros com barreiras, lançamento de disco, salto com vara, lançamento de dardo e 1.500 metros. 

Já Leila, 24, faz parte da seleção brasileira de rugby, esporte que não é tão popular no Brasil, mas um dos mais tradicionais e assistidos no mundo.

Eles são os personagens da segunda reportagem sobre os Jogos Olimpícos e as periferias na Agência Mural, com episódios também no podcast Próxima Parada

O primeiro programa foi lançado semana passada e entrevistou Fofão, do vôlei, e Servílio de Oliveira, do boxe, dois medalhistas olímpicos de origem periférica. O próximo trará duas promessas que podem pintar nos Jogos de 2024, em Paris.

Tanto Felipe quanto Leila resolveram entrar no esporte para continuar próximos dos amigos de escola. Felipe tinha um professor de educação física na escola municipal Juscelino Kubitschek, em Guaianases, na zona leste da cidade, que ensinava atletismo e incentivava os alunos a participar de competições. 

“Comecei a treinar por brincadeira, aquela coisa de moleque, de querer viajar com meus colegas de escola. Eu fui com esse intuito”, relembra Felipe. Porém, logo na primeira competição o garoto percebeu que levava jeito para essa coisa de correr.

“Chegou um ponto em que eu competi cinco provas numa mesma competição e fui campeão nas cinco provas. Aí falei: ‘tenho talento pra coisa’”.

Nesse primeiro momento, ele disputava apenas as provas de fundo, que envolvem corridas a partir dos 800 metros. Foi para o Centro Olímpico, no Ibirapuera, como atleta desta categoria, mas logo foi convidado para fazer parte da equipe das provas combinadas. 

“Eu sabia que era talentoso para fazer múltiplas provas e isso foi só mais um incentivo para mim”, conta Felipe sobre a mudança para o decatlo.

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Leila Silva em disputa. Atleta começou em Paraisópolis @Divulgação/RugbyParaTodos

Já Leila conheceu o rugby por meio do Instituto Rugby Para Todos, uma ONG que atua desde 2004 na comunidade do Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. A tímida Leila já jogava tênis na escola, mas decidiu ir para o rugby ao perceber que todos os amigos haviam trocado a bolinha de tênis pela bola oval.

“Como é um esporte coletivo, tive que aprender a lidar com as pessoas, a trabalhar em grupo, fazer amigos. Tinha só os amigos do tênis, que eram poucos. Tive que socializar e aprender a conviver com outras pessoas”, conta Leila.

Ela joga na posição de Half Scrum, nas palavras dela, uma “meio campista”, se comparasse com o futebol, pois tem a função de distribuir a bola em campo. O scrum é um momento do rugby em que os jogadores de ambas as equipes ficam “entrelaçados” e a bola é colocada (pela Leila, no caso da seleção brasileira) entre eles para definir quem terá a posse, como o vídeo abaixo.

Leila optou pelo rugby quando precisou decidir que caminho escolher profissionalmente. Ela havia passado no vestibular de gastronomia numa faculdade em Curitiba (PR), mas o esporte falou mais alto. 

Já Felipe precisou ter uma segunda profissão para continuar no atletismo: ele virou motorista de aplicativo para conseguir se manter financeiramente como atleta. Pensou várias vezes em desistir e a situação ficou difícil quando teve de fazer uma cirurgia no tendão de aquiles. 

“Não queria acabar minha carreira com uma lesão, sumir, parar de ser atleta, virar outra coisa”, relembra. Ele conquistou a vaga para Toquio em dezembro do ano passado, quando venceu o Troféu Brasil. 

Felipe e Leila estão disputando sua primeira olimpíada em 2021. A seleção feminina de rugby estreia nesta quarta-feira (28), às 21h30 (de Brasília) contra o Canadá. Já o decatlo começará a ser disputado na terça-feira (3 de agosto), às 21h.

Cleberson Santos

Jornalista, não sabe chutar uma bola direito, mas se aventura no jornalismo esportivo há alguns anos, e também já escreveu sobre tecnologia e impacto social. Ama playlists aleatórias e tenta ser nerd, apesar das visitas ao Netflix estarem cada vez mais raras. Correspondente do Capão Redondo desde 2019.

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