CPTM atrasa obras em Francisco Morato, Osasco e Suzano

Morato tem estação provisória de lata que assusta moradores; plataformas abandonadas marcam cenário de Suzano e Osasco

Três estações da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) estão incompletas, enquanto moradores driblam goteiras, se equilibram entre os vãos entre os trens e as plataformas e aguardam acessibilidade.

Localizadas em diferentes pontos da Grande São Paulo, as unidades de Francisco Morato, Osasco e Suzano, têm obras que acumulam anos de atraso.

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Em Morato, uma estrutura provisória foi instalada enquanto a nova estação, orçada em R$ 144 milhões, não fica pronta. No caso de Suzano, parte da nova estrutura foi concluída, mas há dois anos uma nova plataforma ainda é esperada pelos moradores.

Já a de Osasco passou por melhorias, mas a obra foi entregue pela metade e não é alterada desde 2012.

Nova plataforma teve obras paradas em 2012 em Osasco (Paulo Talarico/Agência Mural)

ESTAÇÃO DE LATA

Em 2015, a Agência Mural publicou matéria sobre os cinco anos da “estação de lata” de Francisco Morato, apelido dado por moradores do município, na linha 7-rubi. A estrutura temporária, inaugurada em 2010, foi erguida ao lado da antiga estação que atendia à região.

Passageiros afirmam que se sentiam inseguros na plataforma provisória, cujo pouco espaço era dividido tanto por quem segue para a estação Luz, no centro de São Paulo, quanto para quem viaja até Jundiaí, no interior do estado. Reclamaram também dos “puxadinhos” e obras de acessibilidade feitas, à época, de maneira improvisada.

Cerca de quatro anos depois, o cenário parece não ter mudado. É o que afirma o estudante Estenio Santos da Silva, 23. De acordo com ele, a estrutura “é bem precária”. “Nos horários de pico, a única plataforma da estação fica pequena para o número de usuários.”

Foto de 2017 da Estação Francisco Morato; moradores ainda vivem improvisos no local (Paulo Talarico/Agência Mural)

“A estrutura não foi bem pensada. Tanto que algumas obras de adaptação só foram feitas e concluídas nos últimos anos. Um exemplo foi a rampa de acesso dos cadeirantes que foi construída depois de muito tempo”, conta Silva.

O metalúrgico Giseldo Faustino de Souza, 57, tem opinião parecida. “É aquele jeito, tudo muito apertado, todo mundo no sufoco”. “Outro problema são os animais. É comum a gente estar ali dentro e encontrar muitos cachorros. É arriscado morderem as pessoas. O pessoal [da estação] não toma nenhuma providência sobre isso”, conta.

PLATAFORMAS ‘FANTASMAS’ EM OSASCO E SUZANO

Na estação de Osasco, há sete anos a obra de uma nova plataforma está parada, enquanto usuários vivem com goteiras para embarcar nas composições dos trens das linhas 8-diamante e 9-esmeralda da CPTM.

Estrutura serviria para melhorar circulação na estação (Paulo Talarico/Agência Mural)

Meses antes da campanha eleitoral de 2012, foi inaugurada a primeira fase da reforma. Desde então, há escadas rolantes para entrar na estação e também foi criado um novo acesso para os moradores da zona norte da cidade (antes era possível entrar apenas pelo lado sul e quem vivia do outro lado da cidade precisava passar por um túnel, embaixo dos trilhos).

Apesar dessas melhoras, uma nova plataforma foi iniciada, mas a obra parou logo depois.

Em 2016, a Agência Mural publicou texto sobre essa plataforma “fantasma”. Na época, a Companhia afirmou que os trabalhos de ampliação foram interrompidos em decorrência de uma disputa judicial entre a CPTM e a empresa contratada. Disse também que após rescisão do contrato naquele mesmo ano, os processos para uma nova licitação para conclusão da obra seriam realizados.

Ao todo, o governo anunciou investir R$ 64 milhões em melhorias da estrutura. O projeto previa ainda o alargamento das plataformas e dos pisos existentes, montagem da instalação elétrica. Três anos depois, nada mudou no local.

Plataforma tem goteiras por conta de buracos na cobertura (Paulo Talarico/Agência Mural)

A estação Suzano, da linha 11-coral, passa por situação parecida. Desde a inauguração, em fevereiro de 2016, a unidade segue incompleta. À época, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou o início de uma segunda etapa de obras, com conclusão prevista para o ano 2017, segundo declarou ao jornal Diário de Suzano.

Contudo, com exceção do bicicletário e de uma passarela que liga o local à calçada da rua Doutor Prudente de Moraes, ambas inauguradas em maio de 2017, o início da chamada segunda fase de obras foi adiado. A contratação só ocorreu em dezembro daquele mesmo ano e previa a implantação de uma nova plataforma e mezanino.

A primeira parte da nova estação teve custo de R$ 46 milhões, enquanto a segunda fase tem estimativa de R$ 14 milhões em gastos.

Chama atenção o fato de que esta plataforma seria utilizada para a baldeação do chamado Expresso Leste que, no projeto original, teria Suzano como ponto de conexão com as demais paradas do ramal. Sem a obra, o expresso segue até a estação Estudantes, em Mogi das Cruzes.

Estação Suzano teve primeira parte entregue em 2016 (Rômulo Cabrera/Agência Mural)

MORATO E SUZANO TÊM PREVISÃO, OSASCO NÃO

Procurada, a CPTM informou que a reconstrução da estação Francisco Morato foi paralisada em 2014 pela Justiça a pedido do consórcio executor da obra à época. E que somente após a extinção do processo judicial, em 2016, a Companhia pode autorizar nova licitação.

As obras na unidade foram reiniciadas em fevereiro do ano passado. A conclusão dos trabalhos está prevista para o segundo semestre de 2020.

Já em relação a Osasco, a CPTM se limitou a dizer que “novas intervenções para a estação estão em análise junto à modelagem da concessão das Linhas 8 e 9”. A Companhia tampouco deu previsão de conclusão das obras na unidade.

Plataforma incompleta da estação Suzano (Rômulo Cabrera/Agência Mural)

Referente a Suzano, a entrega da chamada segunda etapa de obras da estação está prevista para o final deste semestre. Além das obras do mezanino, a Companhia promete mais quatro escadas rolantes e um elevador. A segunda plataforma da estação Suzano também será entregue nesta etapa de obras.

A plataforma ficará operacional e acessível aos usuários, “após implantação de infraestrutura, como via, sistema de sinalização e energia”. A contratação do projeto de extensão e obras, contudo, são objetos de análise da prefeitura, “ainda sem definição em relação a prazos”.

“Posteriormente, serão contratadas obras de implantação da infraestrutura, que permitirão a extensão da Linha 12-safira até a estação Suzano”, diz em nota.

Rômulo Cabrera

Jornalista, correspondente de Suzano desde 2018. É documentarista amador, "bicicleteiro" urbano, e sommelier de tubaína (não necessariamente nessa ordem).

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