Dos morros da Brasilândia ao interior, músico pedala 3,5 mil quilômetros em 2018

As subidas íngremes, sem ciclovias, sinalizações ou mesmo espaços apropriados para pedestres e veículos na Brasilândia, zona norte de São Paulo, formaram os primeiros obstáculos para o músico Mauro Francisco da Costa, 33, tomar gosto pelo ciclismo. E, mais que isso, ganhar resistência.

Costa mora no Jardim Damasceno, um dos bairros do distrito, na parte da alta do morro com mais subidas e descidas que ruas planas. Diferente do “Damasceno de Baixo”, onde uma via com trechos planos margeiam o parque Linear do Canivete. Quem já foi ao local ou conhece aquela região da Brasilândia sabe que andar de bicicleta exige atenção redobrada e, sobretudo, força nas pernas.

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“A grande vantagem de começar a andar por aqui foi pegar essas subidas. Por ser morro, foi melhor para desenvolver resistência e a musculatura mais rápido do que se morasse em um lugar plano”, avalia.

Antes de começar a pedalar com mais frequência, Costa costumava alugar bikes no Parque do Ibirapuera, aos fins de semana. Depois de uma temporada em Pimentas (MG), onde andava diariamente, voltou ávido para comprar a primeira bicicleta.

Costa já pedalou 3,5 mil quilômetros só em 2018 (Acervo Pessoal)

Em meados de outubro de 2015, passou a dar voltas diárias pelas ruas acidentadas do Jardim Damasceno, até que resolveu se desafiar: foi até a Vila Nova Cachoeirinha, a cerca de 6 km de distância de casa. “Não tinha conhecimento, andava na contramão, sem equipamentos. Mas lembro da grande felicidade de chegar ali”, conta.

Aos poucos, o ciclista foi tomando coragem e conquistou novos destinos. Tinha o incentivo da namorada, Vanessa Credidio Costa, com quem pedalava nos fins de semana pela região da Avenida Paulista, além de buscar informações em blogs, canais e sites sobre o assunto. Foi para a ponte da Freguesia do Ó, Lapa, Marquês de São Vicente, Sumaré e cada vez mais se aproximava da região central da cidade.

KIT DO MAURO

– Garrafinha d’água
– barrinha de cereal
– Documentos
– Dinheiro em espécie ou cartão
– Kit de remendo: cola, lixa, bomba de ar, remendos, espátula

“Meu primeiro desafio foi criar resistência, depois aumentar as distâncias. E assim cheguei aos primeiros 100 km percorridos”, relembra. Progrediu acompanhando as novas ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas sendo inauguradas pela cidade.

A zona norte, onde ele mora, está entre as regiões com menos ciclovias, segundo a CET (Companhia de Engenharia e Tráfego). Uma das ciclofaixas mais próximas da casa do ciclista está na avenida Padre Orlando Garcia Silveira, com 0,8 km de extensão.

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“É uma faixa que começa e acaba do nada, não ligando nada. Acho que ali deveria ir até o Extra [supermercado próximo à ponte da Freguesia do Ó], pois tem muita gente que anda de bike por ali”, opina sobre a via e aproveita para justificar: “O ciclismo é pouco praticado na periferia como deve ser, com capacete e segurança, como nos bairros de classe média. Também não temos ciclovias, o que iria incentivar as pessoas a andarem, terem mais coragem de circular no meio dos carros”.

Reforça que andar com segurança é fundamental. “Recomendo pegar uma certa experiência em parques e ciclovias antes de encarar tráfegos com veículos. É importante também sempre deixar a bicicleta em ordem, com pneus e freios calibrados”.

Outra dica dele para quem está iniciando é fazer parte dos grupos de bike nas redes sociais.

Nas proximidades de onde vive, em São Paulo, recomenda a ciclovia da avenida Inajar de Souza e a ciclofaixa da avenida Engenheiro Caetano Álvares, ambas na zona norte, por serem bem sinalizadas e seguras. Pedala por lá nos treinos curtos. Faz de dois a três trechos com distâncias menores durante a semana e um maior aos fins de semana.

Morador recomenda o uso de capacete e outros equipamentos de segurança, inclusive ao pedalar pelo bairro (Acervo Pessoal)

Costa diz ter conhecido outra São Paulo com o ciclismo e vai mais longe. Comprou duas bicicletas melhores, anda equipado, participa ativamente de uma rede social voltada para ciclistas e faz constantes pesquisas para se superar. Superação é um termo constante da sua entrevista.

“Fui duas vezes sozinho para Jundiaí, quase 96 km de ida e volta. Quero sempre fazer melhor do que fiz ontem e ganhar novas estradas. Meu recorde foi chegar ao parque Hopi Hari, em Louveira (SP), 144 km de pedalada”, contabiliza.

Aliás, faz muitas contas com a ajuda de um aplicativo. Segundos dados do programa, já alcançou uma velocidade de 52,2 km/h e pedalou 3.522 km só em 2018 – média de 20 km a cada 24 horas, caso ele pedalasse diariamente. Se considera atualmente como um ciclista de nível intermediário e faz questão de pontuar. “Se não for para pedalar 40 km, eu nem saio de casa”, brinca fazendo referência a um meme semelhante.

O QUE USAR:
– capacete
– óculos de proteção
– luvas
– roupas próprias para o ciclismo
– tênis
Importante: ter os pneus e freios calibrados e altura do banco da bicicleta ajustado a sua altura

Cleber Arruda é correspondente do Jardim Damasceno
[email protected]