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Drag queen e dançarina do Nordeste de Amaralina usam redes sociais para trabalhar e quebrar tabus

Moradores de um dos maiores complexos periféricos de Salvador, Lorrany Smithy já reformou o barraco com ajuda das redes, enquanto Medusa paralisa com a dança e grava clipe
Lorrany Smithy
Lorrany Smith que faz vídeos do seu cotidiano no Nordeste de Amaralina, onde mora e conseguiu reformar seu larGabrielle Guido/Agência Mural

Foi por meio de trabalhos online vivendo a drag queen Lorrany Smithy, que o jovem Wendell Nero do Nascimento da Silva, de 19 anos, conseguiu reformar o barraco de madeira onde mora no Nordeste de Amaralina, um dos maiores complexos periféricos de Salvador; berço de novos talentos virtuais. 

“Consegui doações de materiais de construções e reformei meu lar, fiz vídeos contando as condições em que estava, fiz apelos e consegui parcerias. Sonhos são como uma escada, né?! Vamos conquistando uns e construindo outros, degrau por degrau. Desistir jamais”, diz Lorrany. 

A casa dela fica na comunidade do Pé Preto, onde muitos lares ainda são improvisados com madeiras. É lá que ela grava os vídeos e produz conteúdo para mais de 6 mil seguidores no Instagram (@lorrany_smithy.24).

Lorrany fala de política, maquiagem, indica promoções dos comércios locais e, assim, transforma a internet em uma ferramenta profissional.

“Quando me transformo em Lorrany, me sinto poderosa”, diz a drag queen que já enfrentou preconceito nas ruasGabrielle Guido/Agência Mural

“Me sinto bem em influenciar as pessoas, em ensinar a fazer uma make ou trazer um vídeo engraçado, ou mesmo divulgar e indicar um bom produto para as pessoas comprarem. Gosto de ser blogueira e fazer as pessoas sorrirem. Mas além de blogueira, eu sou faxineira, maquiadora, doceira e sonho em ser muitas coisas”, enumera sobre sua versatilidade. Um dos sonhos atuais é conseguir fazer um curso de maquiagem profissional.

Em meio aos trabalhos humorísticos, ela fala sobre as batalhas que já enfrentou contra o preconceito por conta da sua sexualidade e cor de pele. “Já disseram até que iam me matar, me jogar pedra, mas fazer o quê? Quando me transformo em Lorrany, me sinto poderosa para lidar com tudo isso”, diz. 

E reflete sobre a importância do papel que exerce. “Há quem não goste, mas eu não me importo. Mesmo com todas as dificuldades, nós, do público LGBTQI+, estamos lutando para conseguir os nossos direitos. Todo mundo é ser humano, todo mundo sangra e é igual, o preconceito não deveria existir.”

Gabriela Angélica Medusa
A dançarina e coreógrafa Medusa que já atingiu 18 mil seguidores no instagram e faz parceriasArquivo pessoal

Outra personalidade cativante do Nordeste de Amaralina é a dançarina e coreógrafa Gabriela Angelica, de 21 anos. Mais conhecida como Medusa, a jovem, que já se considera também uma influenciadora digital, tem 18 mil seguidores no perfil do instagram @amedusa_.  

O trabalho principal na rede social cresceu com uma paixão da infância. “Desde que eu me entendo por gente, sempre gostei de dançar. Fiz aulas de ballet contemporâneo, maculelê, dança afro”, relembra.

Gabriela conta que há dois anos ocorreu um marco em sua carreira profissional. “No carnaval, eu tatuei uma medusa e as pessoas começaram a falar: ‘quando você dança, paralisa todo mundo’, e foi daí que surgiu o meu nome artístico”, conta sobre a fase em que os vídeos dela começaram a viralizar.

“Quando estou dançando, esqueço esses problemas, entro em outro mundo e me entrego totalmente”Arquivo pessoal

Com a fama e o reconhecimento vieram também algumas conquistas profissionais. Medusa já fez trabalhos fotográficos, fechou parcerias com lojas e, recentemente, participou da gravação do videoclipe do cantor Igor Kannário, com a música ‘Metendo de Louco’, que já passou das 79 mil visualizações no youtube. 

“Sinto que influencio as pessoas. Elas me procuram e me dizem que sou inspiração. Fico surpresa por não saber lidar com esse tipo de atenção. Eu só queria que as pessoas vissem a minha dança, não esperava esse crescimento e ainda com direito a fã clube”, afirma.

A influenciadora conta que, além do sentimento de amor pelo que faz, encontra na dança uma ferramenta para enfrentar fases difíceis. “A dança pra mim é tudo. Eu sempre tive alguns problemas de ansiedade. Sempre tive dificuldade em desabafar com as pessoas, mas quando estou dançando, esqueço esses problemas, entro em outro mundo e me entrego totalmente”. 

 

Laís Lopes

É estudante de Jornalismo e correspondente do Nordeste de Amaralina no Barra/Pituba. Acredita que o jornalismo é revolucionário e uma enorme potência capaz de ouvir a quem precisa falar.

Salvador/BA

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