Editorial: A liberdade de imprensa depende do leitor

Como manter um veículo sem interferência do estado? Essa é uma pergunta que pode guiar uma longa conversa. Mas, vamos falar do papel do leitor.

Nesta sexta (03/05), é celebrado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, instituído pela Assembleia Geral da ONU, em 1993. Se você der um Google nas palavras “liberdade de imprensa”, o primeiro resultado é a seguinte definição: “capacidade de um indivíduo de publicar e dispor de acesso a informação (usualmente na forma de notícia), através de meios de comunicação em massa, sem interferência do estado”.

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Mais de 1 milhão de pessoas na Grande São Paulo correm o risco de ficar sem cobertura jornalística local. Há cidades da região metropolitana que têm apenas 3, 2 ou 1 veículo local. Há 3 cidades onde não há nenhum jornal, rádio, site e muito menos TV. São elas: Pirapora do Bom Jesus, São Lourenço da Serra e Vargem Grande Paulista.

Às vezes, em alguns bairros e cidades, circula um jornal que até fala dos buracos das ruas e também dá dicas de saúde, mas se você for atrás de quem banca a impressão, descobrirá que é algum político. É complicado julgar se os interesses são mostrar o que tem acontecido na região ou divulgar o nome de um empresário.

Quando há jornalistas que visam cobrir determinada região com profissionalismo e focados em interesses do povo, são ameaçados ou até mortos. São coibidos e silenciados. E, atualmente, mais do que nunca, são pintados como mentirosos.

E o que isso significa? Significa que uma multidão de moradores das periferias de São Paulo precisa esperar que grandes veículos de comunicação considerem algum evento em seu bairro ou cidade importantes para mostrar (normalmente quando há violência ou uma história de superação). Significa ter que se informar sobre o lugar que se mora por meio das redes sociais ou do tradicional “boca a boca”.

Significa deixar de saber que há um movimento de moradores do seu bairro preocupado com investigações sobre mortes da ditadura; que em 12 anos, sua cidade teve 11 pedidos de rejeição de contas de ex-prefeitos pelo Tribunal de Contas; que a falta de uma passarela tem possibilitado histórico de acidentes nos trilhos de trem que cruzam o município.

Também fica difícil saber que, além de comemorar o aniversário, sua cidade entrou no mapa das batalhas de poesias; que seu vizinho, ex-cobrador, agora é fotógrafo e tira fotos do seu bairro; que perto da sua casa tem um parque para animais abandonados.

É para contar esse tipo de história que veículos independentes como a Agência Mural precisam existir. Não dá para esperar que a imprensa tradicional, com suas equipes de jornalistas cada vez menores, olhem para o nosso lugar. Por isso, precisamos, além de registrar, fazer com que cada uma das matérias que produzimos cheguem aos moradores das periferias da metrópole paulista.

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Redação

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias tem como missão minimizar as lacunas de informação e contribuir para a desconstrução de estereótipos sobre as periferias da Grande São Paulo.

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