Educador ambiental mobiliza vizinhos e transforma pontos viciados de lixo na periferia da Zona…

A moradora Eremita Messias de França limpando a sua calçada — Crédito: foto do livro “Se essa Vila Fosse Minha”/Divulgação

A iniciativa comunitária iniciada pelas mãos do morador Ionilton Gomes de Aragão, 46 anos, educador ambiental, faz da Vila Nossa Senhora Aparecida, zona leste de São Paulo, um exemplo no cuidado com o lixo gerado pela comunidade, incentivando a limpeza no local, com o slogan “Cinco minutos podem mudar uma vila”.

Há quase quatro anos, a ação que foi sistematizada pelo nome Projeto Varre Vila mostra a força da informação, comunicação e união entre os moradores, que passaram a dedicar cinco minutos diários à limpeza da sua rua.

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A situação inicial não era diferente do que encontramos em muitos lugares ao redor do mundo, mas onde havia montanhas de lixo agora existem áreas de lazer, cultura e esporte. Tudo isso foi arquitetado em função de um único objetivo: diminuir o lixo e conceder conscientização.

Os moradores da comunidade Nossa Senhora Aparecida mudavam até mesmo a rota de casa para se desviar do lixo acumulado. “Um dos pontos mais críticos era uma pequena rotatória situada na Rua Cinturão Verde os contêineres da limpeza pública estavam sempre abarrotados e transbordando, o mau cheiro incomodava a vizinhança e os insetos se espalhavam pelas ruas e casas dos arredores. Os caminhões de lixo não venciam a luta contra os resíduos”, relata Aragão.

Os agentes de limpeza no antigo “bola” que agora está limpo e revitalizado — Crédito: Thomaz Martins Fonseca/Divulgação

A vizinhança buscou diversas vezes a ajuda de alguns órgãos públicos para resolver a questão, mas muitas vezes sem sucesso. Após repensar diversas vezes a causa em conversas comuns com os vizinhos, Aragão decidiu tomar a iniciativa e ser o porta voz para a solução do problema.

“Aquela ideia não saiu da minha mente, porque eu não poderia fazer alguma coisa para mudar o bairro. Mobilizei alguns vizinhos, passei a fazer guarda e estabeleci horários para o local de despejo do lixo, o grupo de vigília informava a quem ia depositar o lixo os horários corretos da passagem do caminhão”, diz Aragão.

Calendário de coleta / Divulgação

Os resultados foram promissores e a mensagem logo foi captada dentro de todo o processo. O líder comunitário sistematizou o Projeto Varre Vila e conseguiu apoio da empresa que atua na área, a Soma, que é uma das parcerias na contratação de moradores como agentes de limpeza da região e a produção de sacolas de lixo com o nome da comunidade. Depois da empresa, o projeto contatou a prefeitura que também dá suporte em ações de combate a pontos viciados de lixo.

A dona de casa Eremita Messias de França, 80 anos, diz que a mudança é perceptível. “O bairro melhorou bastante e eu sou feliz por fazer parte da ação. Sempre varro a minha porta de casa e faço a minha parte”.

A ação vem rendendo frutos e como destaque originou um livro reportagem fotográfico em exposição que relata a participação dos moradores do Projeto Varre Vila. “Se Essa Vila Fosse Minha” foi desenvolvido pelo documentarista italiano Daniele Ottobre, com fotos de Paulo Vitale, Marlene Bergamoe e Anna La Stella.

Exposição do livro ‘Se essa vila fosse minha’ — Foto: Thomaz Martins Fonseca/Divulgação

Serviço:

A exibição fica aberta gratuitamente ao público de 22/3 a 22/5, de terça a domingo, das 13 às 20 horas.
Local: Galeria Olido — 1º pavimento- Avenida São João, 473- Centro São Paulo (SP) Fones: (11) 3331–8399 ou (11) 3397–0171

Danielle Lobato, correspondente do Itaim Paulista
[email protected]

 

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