Em Cotia, movimentos sociais fazem ato de solidariedade após ameaça à política

A Câmara dos Vereadores de Cotia, na Grande São Paulo, recebeu diversos representantes de movimentos sociais, nesta segunda-feira (22), em um ato de solidariedade a presidente do PSOL municipal, Vanessa Gravino, após ela ter sido ameaçada em meio ao clima acirrado das eleições.

No dia 9 de outubro, um homem abordou a educadora na rua. “Fica na sua no segundo turno ou então saberá o que é um estupro coletivo”, disse. A ocorrência foi registrada na 1° Delegacia de Defesa da Mulher, em São Paulo, e deverá ser encaminhado para a delegacia de mulheres, em Cotia.

Em 2016, Vanessa foi candidata à prefeitura de Cotia e é diretora da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) e da Central Intersindical. Ela havia publicado em seu perfil do Facebook apoio ao candidato Fernando Haddad (PT) para o 2° turno da eleição. A votação será no domingo (28).

Câmara de Cotia reuniu cerca de 100 pessoas nesta segunda-feira (Divulgação)

A política atribuiu a ameaça ao clima eleitoral e a apoiadores do candidato Jair Bolsonaro (PSL). “O que tem acontecido é que apoiadores de Bolsonaro têm agido de forma violenta contra quem faz campanha para Haddad ou apoia o #elenão. Estes são os primeiros resultados de uma campanha que estimula o ódio, agressões e morte”, diz.

“Estamos vivenciando o resultado do discurso de Bolsonaro que é intolerante, autoritário e de ataque às minorias políticas (mulheres, LGBT+, negros) e, portanto, à democracia. Temos sofrido ameaças, eu não sou um caso isolado.”

Na votação do primeiro turno, Bolsonaro recebeu 46% dos votos válidos em Cotia, seguido de Haddad com 19%. Ciro Gomes (PDT) teve 12% e Geraldo Alckmin (PSDB) 10%. A cidade conta com 168 mil eleitores e é governada por Rogério Franco, do PSD, que apoiou Alckmin no primeiro turno, mas não se posicionou oficialmente sobre o segundo turno da presidência.

O ato reuniu cerca de 100 pessoas na Câmara Municipal, tendo lideranças políticas do PSOL e do PT de Cotia, representantes dos movimentos sociais de cidades como Osasco e São Roque e também da zona oeste e zona leste de São Paulo.

“O que aconteceu com a Vanessa não se trata de um caso isolado e onde estão plantando ódio, vamos plantar amor”, afirmou Juninho, presidente do diretório estadual do PSOL. Em seguida, recitou uma poesia inspirada na música do Natiruts “Quem Planta o Preconceito”.

O evento relembrou outros ataques como a morte do mestre de capoeira Moa do Katendê, na Bahia, e de uma travesti ainda não identificada no centro de São Paulo. Também foram citadas  ameaças aos jornalistas de todo o país, como o caso da Patrícia Campos Mello, que publicou reportagem sobre o uso do WhatsApp de forma irregular durante a campanha no jornal Folha de S. Paulo.

Matheus Lima, 43, professor e membro da executiva estadual da Apeoesp, entende que a ameaça à Vanessa não é um caso isolado. “O Brasil sempre foi machista, racista e homofóbico. A polarização da direita tem crescido desde os atos de 2013. Ele incentiva as ameaças e agressões; se ele ganha, é uma afirmação da violência que denunciamos”, afirma.

A Agência Mural tentou entrar em contato com o diretório estadual do PSL para ver algum posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno.

Halitane Rocha é correspondente de Cotia
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