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Em Ermelino Matarazzo, população cobra reabertura de hospital fechado há 5 anos

Hospital e Maternidade Menino Jesus está com as portas fechadas e sinais de degradação; moradores se preocupam com a falta de leitos na zona leste

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Por: Redação

Publicado em 15.05.2020 | 18:08 | Alterado em 15.05.2020 | 18:08

Tempo de leitura: 3 min(s)

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Moradores de Ermelino Matarazzo fixaram cartazes em frente ao antigo hospital Menino Jesus (Reprodução)

Em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo, moradores pedem a reabertura do Hospital e Maternidade Menino Jesus. O imóvel era um hospital privado e foi comprado pela Prefeitura, em outubro de 2014, sob a gestão de Fernando Haddad (PT).

A promessa era transformá-lo em um Hospital Dia, da Rede Hora Certa, com entrega prevista para o ano seguinte. Porém, a unidade de saúde não foi ativada até hoje. No local há sinais visíveis de degradação, como janelas quebradas, mofo e muros pichados.

A reabertura é uma demanda antiga da população da região, mas foi retomada com caráter de urgência devido à crise do novo coronavírus no município. “A zona leste continua esquecida durante a pandemia”, comenta a engenheira ambiental Rafaela Guabiraba, 34, moradora do bairro.

Rafaela atua na Frente Democrática de Ermelino Matarazzo. Ela, junto a outros movimentos e coletivos do bairro, protocolaram, em 30 de abril, um ofício pedindo à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e ao Ministério Público a reabertura imediata da unidade.

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Com os hospitais municipais da zona leste chegando ao limite máximo de ocupação dos leitos em UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), o Menino Jesus ajudaria a desafogar o atendimento de pacientes do SUS no Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto — o único do distrito.

“Se antes o Hospital já não tinha condições de atender à demanda e às especialidades requeridas, com a propagação da pandemia os leitos hospitalares chegaram à sua capacidade máxima já no início da crise”, aponta o documento.

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Antigo Hospital e Maternidade Menino Jesus apresenta sinais de degradação (Thalita Archangelo/Agência Mural)

O professor de história Douglas Samoel Fonseca, 38, também foi um dos moradores que assinaram o ofício. Ele diz que, até o momento, não houve retorno da Prefeitura ou da SMS. “Tivemos uma boa mobilização de pessoas pedindo, ao menos, um diálogo acerca do equipamento público fechado”, comenta.

Na segunda-feira (11) foi prometida uma reunião entre os moradores de Ermelino Matarazzo e o secretário municipal de saúde, Edson Aparecido. Mas, segundo Fonseca, o bate-papo — que seria realizado virtualmente — também não ocorreu.

OBRA EM LICITAÇÃO

De acordo com a Prefeitura de São Paulo e a Secretaria Municipal de Saúde, o Hospital e Maternidade Menino Jesus foi incluído, em 2019, no Projeto Avança Saúde e será transformado em um equipamento chamado CCI (Cuidados Continuados Integrados).

Com esse serviço, a estratégia da Secretaria é liberar a oferta de leitos de baixa e média complexidade dos hospitais municipais. Ainda segundo a pasta, o projeto executivo foi concluído na última semana e será iniciado um processo de licitação para a contratação das obras ainda neste mês.

A Prefeitura não mencionou uma data de entrega. Mas, conforme calcula Rafaela, a reforma pode levar aproximadamente dois meses.

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Rafaela é moradora e atua com ações sociais em Ermelino Matarazzo (Arquivo pessoal)

Enquanto isso, a engenheira defende a criação de um hospital de campanha na zona leste e a adaptação de hotéis e espaços públicos, como unidades dos CEUs e do Sesc, para receber leitos hospitalares ou acolher infectados pela covid-19 que não têm condições de se isolarem em casa.

“Todos esses equipamentos estão fechados no momento e, por terem bons recursos de acessibilidade, poderiam contribuir com a questão da saúde na região”, diz. “É uma corrida contra o tempo. Quanto mais ações propositivas nós tivermos, mais vidas vamos estar salvando”, finaliza.

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Com colaboração de Lucas Veloso.

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