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Em Itaquaquecetuba, prefeito escapa de dois processos de cassação

Outras três cidades do Alto Tietê também viveram crises ao longo dos últimos anos

A situação política de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, ficou agitada desde dezembro de 2018. Após a eleição da presidência da Câmara Municipal, o prefeito  Mamoru Nakashima (PSDB) perdeu o apoio da maioria dos vereadores e teve trabalho para arquivar processos de cassação. 

O cenário é semelhante ao de cidades vizinhas, na região do Alto Tietê. A Agência Mural contabilizou ao menos 12 crises políticas em cidades da região metropolitana ao longo dos últimos anos. Dessas, quatro estão na região onde fica Itaquaquecetuba. 

No caso de Nakashima, a situação mudou quando o vereador de oposição Edson da Paiol (Pode) assumiu a presidência.   

Paiol é cotado para ser candidato a vice-prefeito na chapa do empresário Lucas Costa (sem partido), o Lucas do Liceu, um dos favoritos para as próximas eleições. 

Nakashima (PSDB) passou por dois processos de impeachment ao longo do mandato. O primeiro foi protocolado ainda em 2017 por Adervaldo Santos (PSOL) e Mário Berti (PROS), baseado na acusação de abuso de poder econômico durante as eleições de 2016, onde Mamoru conseguiu a reeleição. 

Mamoru Nakashima está no segundo mandato em ItaquaquecetubaDivulgação

Na ocasião, o prefeito contou com apoio de 18 dos 19 vereadores da Casa, e o pedido  foi rejeitado. O único voto contra Mamoru foi de Armando Tavares Neto (Patri), filho do ex-prefeito Armando da Farmácia, voz até então isolada na oposição.

Com a troca na presidência da Casa, a situação se agravou. O novo grupo, autointitulado “G10”, passou a comandar o legislativo. Edson do Paiol não demorou para acatar as denúncias contra a gestão.

Em março do ano passado, um novo pedido de afastamento foi protocolado, desta vez por Armando Tavares Neto. Numa sessão tumultuada, Nakashima não perdeu o mandato por pouco: foram 9 votos contra, 9 votos a favor e 1 impedimento: Armando não pôde votar, por conta de conflito de interesses.

Prefeito acusou os vereadores de ‘politicagem’ e negou acusaçõesDivulgação

Durante o processo, Mamoru e os opositores trocaram farpas pelas redes sociais. “Programamos ações em vários bairros da cidade, mas o grupo de oposição estão impedindo (sic) a saída das máquinas e funcionários […] por politicagem, achando que estão atacando a administração, mas na verdade, estão prejudicando o povo de Itaquá”, disse o prefeito, em seu Facebook.

Por outro lado, o tucano sofreu derrotas. No ano passado, o plenário rejeitou as contas de 2015 da gestão Nakashima, por 9 votos a favor, 8 contra e 2 ausências. 

A rejeição de contas pode torná-lo inelegível por oito anos. Mas isso não o impede de se movimentar para fazer um sucessor: o mandatário já articula a campanha de prefeito de seu “super secretário” de Finanças e Saúde, William Maekawa Harada (PL).

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PRESO

Políticos de cidades vizinhas a Itaquaquecetuba não tiveram a mesma sorte. Em agosto de 2018, o então prefeito de Biritiba Mirim, Jarbas Aguiar (PV) foi afastado pela Câmara Municipal, por unanimidade. Acusado de improbidade administrativa, Jarbas foi gravado entregando maços de dinheiro a três vereadores do município de 20 mil habitantes. 

Aguiar conseguiu retornar ao comando do município por meio de uma decisão judicial, mas, duas semanas depois, voltou a ser afastado, desta vez pela Justiça. Ele foi condenado por improbidade administrativa pela nomeação de Ronaldo Júlio de Oliveira, o Ronaldo Porco, como secretário de Governo de Biritiba. 

Segundo o MP, Porco é condenado em segunda instância por lavagem de dinheiro e relação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A decisão também determinou o pagamento de multa no valor de R$ 374 mil, o equivalente a 25 vezes o valor do salário de Ronaldo Porco como secretário. O então vice-prefeito Walter Hideki Tajiri (PTB) assumiu a prefeitura, e é ele quem governa Biritiba desde então.

Karim El Nashar e o prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Zé BirutaDivulgação

VICE AFASTADO

Desde julho do ano passado, Ferraz de Vasconcelos não tem vice-prefeito. Karim Yousif El Nashar (PP), eleito na chapa do prefeito José Chacon, o Zé Biruta (PRB), foi cassado pela Justiça após ter sido afastado duas vezes do cargo, em 2017 e 2019. 

El Nashar é acusado de participar de um suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de dinheiro público, enquanto era secretário de Assuntos Jurídicos de Ferraz, na gestão do ex-prefeito Acir Filló (2013-2015; então no PSDB), que está preso por enriquecimento ilícito.

El Nashar também foi acusado de atuação criminosa em conjunto com o ex-secretário de Biritiba Mirim, Ronaldo Porco. 

Nos últimos anos, Ferraz teve dois ex-prefeitos presos: além de Filló, o antecessor, Jorge Abissamra (PSB), também foi preso em 2017 por acusação de enriquecimento ilícito.

Prefeita Fábia Porto, de Santa IsabelDivulgação

SANTA ISABEL

Em 2016, Fábia Porto Rossetti (PRB) fez história ao ser a única mulher eleita para comandar uma cidade na região do Alto Tietê. Porém, a prefeita viu a credibilidade desmoronar após uma investigação do Ministério Público, que a acusou de supostamente receber propina da PEM, empresa concessionária do transporte público no município. 

Segundo o MP, Rossetti teria aplicado a suposta verba irregular na compra de um imóvel.

Em novembro de 2018, o MP ordenou o afastamento de Fábia por 180 dias. Em seu lugar, assumiu o vice Carlos Chinchilla (PTB), que chegou a exonerar servidores ligados à prefeita. Mas apenas um dia após o afastamento, Rossetti conseguiu retornar ao cargo, devido à revogação da sentença pela 11ª Câmara de Direito Público.

A Câmara de Santa Isabel criou uma comissão processante para apurar as irregularidades. O relatório dessa comissão foi votado em plenário em maio de 2019, numa sessão que durou mais de oito horas. Fábia foi absolvida por 10 votos a 5, e continuou no cargo. Agora, é cotada para disputar a reeleição. 

Lucas Landin

Estudante de políticas públicas e correspondente de Poá desde 2015. Amante da política, das ferrovias e dos felinos. Entusiasta do transporte público.

Itaquaquecetuba

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