Felizs 2019: o que rolou na quinta edição da feira literária da zona sul

Evento se consolida como um importante espaço da cena cultural de São Paulo e celebra união entre escritores das periferias

Famosos por promoverem o acesso à arte e a literatura na periferia, os saraus da zona sul de São Paulo são considerados referência quando o assunto é impulsionar sonhos.

É o que conta José Marques Sarmento, 62, educador e escritor do Campo Limpo, autor da trilogia “Paraisópolis – Caminhos de Vida e Morte”, “Bixiga – Um Cortiço dos Infernos” e “Ângela: um jardim no vermelho”. 

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“A Felizs (Feira Literária da Zona Sul) me deu coragem para editar meus livros”, conta Zé Sarmento, como é conhecido por todos.

Sarmento participou da quinta edição da Felizs, evento anualmente organizado pelo Sarau do Binho, e que tem se consolidado como um dos principais eventos culturais da capital. 

A Agência Mural acompanhou o evento no final de setembro, que teve atividades como contação de histórias, encontros com autores periféricos, exposições, intervenções poéticas, apresentações de dança e teatro.

Neste ano, foram homenageados duas personalidades conhecidas nos saraus: o escritor e dramaturgo Marco Pezão, autor do livro “Nóis é Ponte e Atravessa Qualquer Rio” e curador do sarau A Plenos Pulmões; e a escritora e atriz Tula Pilar, que morreu em abril deste ano, autora dos livros “Palavras Inacadêmicas” e “Sensualidade de fino trato”, que ganhou a obra póstuma “Pilar futuro presente: uma antologia para Tula”, lançada durante a Felizs. 

“O primeiro livro da Tula era artesanal e poucas pessoas tinham. Como ela tinha muita coisa publicada em outras antologias e eu falei ‘vamos fazer um livro só dela’. Foi também uma forma de arrecadar uma grana para os filhos”, conta Suzi Soares, 53, produtora e articuladora do Sarau do Binho.

Durante a mostra, o público encontrou publicações de diversos gêneros como romances inspirados em histórias reais e até terror. Todos produzidos por autores que moram nos bairros das periferias de São Paulo. 

São escritores que dividem suas vidas entre o trabalho formal para sustentar a família e a paixão pela literatura, como é o caso da publicitária e escritora Ivone Lopes de Lana, 36, moradora do Jardim das Rosas.

“Quando eu comecei a escrever meu primeiro livro eu nem sabia o que era literatura marginal e que existiam outras pessoas fazendo a mesma coisa”, conta Ivone, autora do romance “Jardim das Rosas: Diário de um Mano” e das poesias do livro “Cheiro de Mato e Capim Limão”.

Gisele Alexandre

Jornalista, correspondente do Capão Redondo desde 2018. É pós-graduada em Políticas Públicas e Projetos Sociais. Integrante da Rede de Jornalistas das Periferia, também é consultora de comunicação no CDHEP - Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo. Libriana, adora crianças e acredita na comunicação como instrumento de transformação social, por isso atua como voluntária dando aulas de comunicação para jovens da periferia.

Capão Redondo, São Paulo

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