APOIE A AGÊNCIA MURAL

Colabore com o nosso jornalismo independente feito pelas e para as periferias.

OU

MANDE UM PIX qrcode

Escaneie o qr code ou use a Chave pix:

apoie@agenciamural.org.br

Agência de Jornalismo das periferias

Silas Abdala/Divulgação

Por: Matheus Nascimento

Notícia

Publicado em 23.01.2026 | 15:20 | Alterado em 23.01.2026 | 15:20

Tempo de leitura: 3 min(s)

Os impactos da poluição no Rio Tietê motivaram estudantes a desenvolver um drone para monitorar a qualidade da água, que ainda segue ruim em 36% do leito, segundo estudo da SOS Mata Atlântica divulgado em setembro de 2025.

O equipamento foi desenvolvido com materiais reciclados por estudantes da ETEC (Escola Técnica Estadual) Profª Ermelinda Giannini Teixeira, localizada em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo.

Além do Rio Tietê, o L.O.C.A (Lixo, ODS, Consumo e Água) é uma iniciativa criada para monitorar a qualidade dos córregos localizados em Cajamar e Santana de Parnaíba. Segundo a professora de química e idealizadora do projeto, Elaine Teixeira, a ação surgiu sem nome e com apoio escasso, porém esse ano ganhou projeção a partir do drone.

Estudantes da ETEC de Santana de Parnaíba explicam o trabalho do drone para os jovens na Feira de Tecnologia do Centro Paula Souza @Silas Abdala/Divulgação

“Mesmo sem um laboratório de química e estrutura consegui levar o projeto para as escolas”, afirma a docente, que também contou com o apoio do professor Rafael Oliveira, integrante da equipe de robótica da instituição do Centro Paula Souza.

Por ser um veículo controlado à distância e também uma estação portátil de monitoramento de dados, o equipamento é batizado de drone. Ele atua identificando focos de poluição por meio de sensores digitais instalados. Com isso, houve uma redução de 68% no custo por análise e 75% no tempo de monitoramento em comparação com métodos tradicionais.

“Em cinco segundos é feita a captação de dados. Ao colocar em funcionamento, ele já começa a captar e enviar para o sistema desenvolvido que funciona como um aplicativo, organizando todos os dados”, afirma Silas Abdala, 17, aluno da Etec e diretor de marketing e imagem pública.

Silas compartilha os propósitos para a criação do drone. “O nosso maior objetivo foi mesmo conscientizar. Também focamos em acreditar que isso seria algo divertido além da conscientização”, enfatiza o estudante de marketing.

O drone aquático é feito de materiais recicláveis com garrafa de água sanitária @Silas Abdala/Divulgação

“Nesse tempo todo a gente aprendeu muitas coisas, desde políticas públicas ambientais até competências para já pensarmos nos nossos TCC’s”, complementa Felipe Maxuel Barbosa, 15, diretor de tecnologia e estudante do curso de desenvolvimento de sistemas.

Para além da sala de aula

Os alunos tiveram o suporte da direção da Etec e apoio da professora coordenadora para apresentar o drone na 16ª Feteps (Feira de Tecnologia do Centro Paula Souza), que ocorreu em setembro de 2025 em um dos pavilhões do Expo Center Norte, em Santana, zona norte de São Paulo.

“Desde o início a gente já criou ali uma maior habilidade de apresentação, de resolução de problemas, de trabalho em equipe, mas foi apenas poucas semanas antes da Feteps que conseguimos formar uma equipe maior e ir trabalhando”, lembra Felipe.

Estudantes criadores do drone, junto com a professora Elaine Teixeira idealizadora do projeto @Silas Abdala/Divulgação

Por meio das atividades, os jovens que participaram do projeto foram estimulados a desenvolver uma abordagem interdisciplinar para problemas identificados como potenciais ameaças para a biodiversidade, principalmente sobre a questão da poluição aquática do maior rio do estado de São Paulo – que há décadas é marcante na cidade da região metropolitana.

O design do drone inclui “orelhinhas” em referência ao tapiti, coelho nativo brasileiro ameaçado de extinção, enfatizando que a educação ambiental é prioridade nos tempos atuais. Nos trabalhos finais, os alunos defenderam a preservação das matas ciliares locais, a melhoria dos índices de qualidade da água e do microclima nas comunidades diretamente afetadas pela poluição do Rio Tietê.

Os alunos próximo das margens do rio Tietê para colocar o equipamento e monitorar a poluição @Silas Abdala/Divulgação

O L.O.C.A seguirá sendo uma aposta conjunta de alunos e professores no ensino voltado para atividades curriculares de extensão, e, pode até mesmo ser expandido para alunos de outros cursos na Etec.

Entre os planos, está a criação de novas versões do drone, já que hoje existem apenas dois protótipos. Está previsto também o registro da autoria da criação e ampliação da atuação da tecnologia para outras frentes, além da poluição aquática.

receba o melhor da mural no seu e-mail

Matheus Nascimento

Jornalista, formado pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, está pronto para produzir e captar as vozes das quebradas de Cajamar, Santana de Parnaíba e região. Gosta de natureza, animais e de relaxar com sua própria companhia

Republique

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias, uma organização sem fins lucrativos, tem como missão reduzir as lacunas de informação sobre as periferias da Grande São Paulo. Portanto queremos que nossas reportagens alcancem outras e novas audiências.

Se você quer saber como republicar nosso conteúdo, seja ele texto, foto, arte, vídeo, áudio, no seu meio, escreva pra gente.

Envie uma mensagem para republique@agenciamural.org.br

Reportar erro

Quer informar a nossa redação sobre algum erro nesta matéria? Preencha o formulário abaixo.

PUBLICIDADE