APOIE A AGÊNCIA MURAL

Colabore com o nosso jornalismo independente feito pelas e para as periferias.

OU

MANDE UM PIX qrcode

Escaneie o qr code ou use a Chave pix:

30.200.721/0001-06

Agência de Jornalismo das periferias
Rolê

'Luiz Gonzaga da zona sul', Escurinho do Acordeon tocou por mais de 50 anos em SP

Francisco Miguel de Paula morreu no começo de junho vítima de uma pneumonia; ele se apresentou por mais de 60 anos na capital

Image

Por: Léu Britto | Lucas Veloso

Notícia

Publicado em 11.08.2020 | 14:06 | Alterado em 11.08.2020 | 14:14

Tempo de leitura: 2 min(s)
Image

Filho de Escurinho conta a trajetória do pai @Léu Britto/Agência Mural

A zona sul de São Paulo perdeu um dos principais nomes da cultura da região, o sanfoneiro, Francisco Miguel de Paula, 83, o Escurinho o Acordeão. Vítima de pneumonia, ele morreu em 7 de junho, aos 83 anos. Deixou 5 filhos, 12 netos e 9 bisnetos. 

Francisco começou a tocar acordeão quando tinha oito anos no município de Viçosa, em Minas Gerais. Com o instrumento, começou a animar as festas na região. Nos anos 1960, formou uma banda com o amigo João Caetano e, anos depois, o filho José Francisco de Paula completou o trio. 

Nascido em 1937, Francisco era conhecido como Escurinho do Arcodeon, o mesmo nome adotado pelo trio musical. O grupo interpretava canções de diversos estilos musicais, como xote, bolero, valsa e samba. 

Composições de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Gilberto Gil sempre estavam no repertório. Músicas como “Xote das Meninas” e “A Volta da Asa Branca” são alguns exemplos.

O filho José Francisco conta que Luiz Gonzaga, conhecido como Rei do Baião, era a grande inspiração do pai. “Ele era muito fã de Gongaza e por isso ele queria comprar uma sanfona branca. Disse que um dia teria e comprou”, lembra o filho. “Grande parte das coisas que têm na casa e a nossa educação veio dela”. 

Escurinho chegou ao Jardim São Luís, na zona sul, em 1962, onde começou a trabalhar em indústria metalúrgica. Nos dias de descanso, tocava em batizados e festas de casamento da região, acompanhado do acordeão. 

José Francisco cita que o pai sofreu dificuldades por conta da cor. “Imagina, 50 anos atrás, um negro, do interior da roça para se firmar em São Paulo. O caminho era mais dolorido”.

A importância de Escurinho foi reconhecida pelos governos locais. Uma das homenagens mostradas pelo filho é uma placa da subprefeitura local, onde se lê ‘Escurinho do Acordeon, o Luiz Gonzaga de Santo Amaro. 52 anos de sanfona’. O reconhecimento foi em agosto de 2015.

Entre os comentários sobre o pai, o que mais marcou José Francisco foi o de que as festas da periferia vão perder muito.

receba o melhor da mural no seu e-mail

Léu Britto

Jornalista, fotojornalista e videomaker oriundo da favela Monte Azul. Amo os direitos humanos e transitar pelos becos e vielas do mundo. Cofundador do DiCampana Foto Coletivo. Correspondente do Jardim Monte Azul desde 2010.

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Republique

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias, uma organização sem fins lucrativos, tem como missão reduzir as lacunas de informação sobre as periferias da Grande São Paulo. Portanto queremos que nossas reportagens alcancem outras e novas audiências.

Se você quer saber como republicar nosso conteúdo, seja ele texto, foto, arte, vídeo, áudio, no seu meio, escreva pra gente.

Envie uma mensagem para [email protected]

Reportar erro

Quer informar a nossa redação sobre algum erro nesta matéria? Preencha o formulário abaixo.