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Mesmo sem código, é possível sacar auxílio emergencial de R$600, diz Caixa

No entanto, banco pede para ir a agência apenas em último caso. Nas periferias, moradores madrugam para conseguir atendimento

Moradora da Penha, na zona leste da capital, a desempregada Adriana de Carvalho, 35, usou o último sábado (3) para tentar resolver problemas com seu auxílio emergencial. Ela ficou sem renda depois do início da pandemia de Covid-19, porque não conseguiu prosseguir no projeto de uma loja online para venda de roupas.

A promessa da Caixa foi de que o dia seria voltado a atender o público com problemas e dúvidas referentes ao valor de R$ 600 destinado a moradores que precisam do recurso neste período de quarentena. 

Nos últimos dias, moradores relataram problemas com o aplicativo Caixa Tem, o qual deveria disponibilizar um código para o saque da quantia. A Caixa afirma que nas agências é possível fazer o saque, mesmo sem o código, mas recomenda que a ida ao banco seja feita em último caso. 

No entanto, com contas atrasadas, moradores têm enfrentado filas desde as primeiras horas do dia desde semana passada. É o caso de Adriana.

Ela chegou 6h40 na agência Alto da Penha. Por lá, esperou até 9h, mas a unidade não abriu. Então foi na agência Penha de França, em busca de atendimento, mas não conseguiu. “No site diz que ia funcionar, apesar disso, tinha a mesma situação da outra: fila quilométrica, agência fechada”. 

Aglomeração tem sido vista em vários bairros de SPDjalma Vassão

A autônoma seguiu para a terceira tentativa na Caixa Vila Esperança, localizada também na Penha. Apesar das portas fechadas, havia uma fila de pessoas em busca do dinheiro. “Lá, as pessoas já estavam indo embora”, lamenta.

Nesta segunda-feira (4), ela tentou novamente. “Eles [atendentes] falaram que hoje o atendimento seria para erros do auxílio, porém nada foi resolvido”, destaca. 

Preocupada com as contas de casa, ela relata desespero com a situação. “Meu percurso dentro do horário de atendimento informado, durou quase duas horas. E o resultado foi o descaso”, diz. “Corro o risco de me cadastrar pela terceira vez e ser bloqueada”. 

Outros relatos de moradores ouvidos pela Agência Mural mostram a rotina cansativa em busca do dinheiro. Na zona leste, o ator Luiz Fernando, 26, diz que o aplicativo não gera o código necessário para o saque. “Aqui a saga continua e eu não consigo a grana”, comenta. 

Taiane Silva, 30, moradora de Guaianases, zona leste, é outro exemplo. Ela afirma que fez o cadastro assim que o aplicativo foi disponibilizado, mas depois de semanas, não teve resposta sobre o benefício. “Tudo que tinha pra preencher fiz. Preenchi devagar para não colocar nenhum dado errado, e até agora está em análise”, reclama. “Houve é falha no sistema deles”. 

Filas em frente das agências bancárias localizadas em Guaianases e Cidade Tiradentes, bairros na zona leste de São Paulo, e Vila Zilda, na norte norte, confirmam as dificuldades apontadas pelos moradores. 

Uma agência da Caixa, em Parelheiros, na zona sul, sofreu protesto de pessoas no último sábado (2). De acordo com as imagens, entulhos foram queimados e uma avenida foi interditada durante a tarde por algumas pessoas que não conseguiram sacar os valores. 

NOVO APLICATIVO

Questionada pela reportagem, a Caixa respondeu que para acessar a funcionalidade do saque sem cartão é necessário utilizar a nova versão do aplicativo Caixa Tem, disponível para download desde o dia 27 de abril. “Quem tem a versão anterior precisa fazer uma atualização por meio da sua loja de aplicativos”, diz a resposta.

O banco diz ainda que, caso o beneficiário não consiga emitir o código para saque (token) através do app CAIXA Tem, poderá se dirigir a uma agência do banco para a geração do código por funcionário.

Por último, a Caixa disse que pede para que a população se dirija às agências e casas lotéricas em último caso. 

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Guaianases, São Paulo

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