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População contesta relatório de gestão da prefeitura de Ermelino Matarazzo

No balanço, regional mostra que quase 830.000 m² de mato foram cortados em 2017. No entanto, população alega que reparos foram insuficientes

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Por: Redação

Publicado em 01.03.2018 | 13:18 | Alterado em 01.03.2018 | 13:18

Tempo de leitura: 3 min(s)
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Ecoponto ao lado de matagal em Ermelino Matarazzo (Larissa Darc/32xSP)

A Prefeitura Regional de Ermelino Matarazzo, no extremo leste da capital paulista, divulgou, há três meses, um relatório do primeiro ano de gestão. No documento são apresentadas obras, projetos, programas e reuniões . Na região vivem mais de 200 mil habitantes em 15,10 km de extensão.

Em 2017, o orçamento liberado para o prefeito regional Arthur Xavier foi de pouco mais de R$ 22 milhões — R$ 9 milhões a menos do que o solicitado.

No balanço, a regional mostra que quase 830.000 m² de mato foram cortados. No entanto, moradores alegam que reparos foram insuficientes.

LEIA MAIS: Em Ermelino Matarazzo, frequentadores querem que praça seja ponto cultural

“A prefeitura não está fazendo tudo o que diz fazer. Olha o estado que está aqui. A maior sujeira, sem cortar os matos”, diz Lucas Duarte Militão, 19, acenando para terreno vazio ao lado da escola municipal Octavio Mangabeira. A área, que fica há poucos passos de um Ecoponto, acumula lixo, matagal alto e objetos descartados.

De acordo com moradores, a falta de limpeza tem tornado o local propício para a infestação de animais que podem causar doenças. “Um dia em que eu estava descendo as escadas durante à noite e tinha uma aranha muito grande. Ela passou em cima do meu pé e da minha prima. Ninguém sabe se ela era venenosa. E ela estava ali, junto com os ratos e aranhas”, conta a estudante de administração Ângela Mendonça, 20.

A funcionária pública Jaydete Gagliamole, 59, explica que “durante o período de aulas, costumam cuidar mais dessa área. Já nas férias fica mais largado”.

Já Gláucia Mendonça, 53, mãe de Ângela, confirma que há alguns reparos periódicos na área e recrimina o mau comportamento de parte da população.

“Construíram um Ecoponto ao lado do matagal e, mesmo assim, as pessoas têm preguiça de jogar o lixo no lugar certo. Não adianta colocar a culpa só na prefeitura.”

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Já o técnico de referigeração Ricardo Fernandes, 50, contesta os números apresentados no balanço. “Quem é morador do bairro sabe que esse relatório sozinho não é verdadeiro. Ele é muito mais político do que prático, considerando a extensão da zona”, ressalta.

Fernandes afirma que os problemas são muito maiores do que a falta de poda no matagal. “Eu, que saio para trabalhar de madrugada, encontro muitas lâmpadas apagadas que não foram trocadas, árvores sem poda que estão prendendo a fiação elétrica e muitos buracos nas ruas. Em algumas delas, até a parte de esgoto está sendo deixada a desejar. Na rua Dario Costa Matos tem um que vaza e transborda quando chove”, exemplifica.

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Escada ao lado da escola municipal Octavio Mangabeira (Larissa Darc/32xSP)

No relatório, a administração afirma ter realizado a poda de 2.945 árvores e a limpeza de 2.543 bocas de lobo, além de ter tapado 4.530 buracos.

“A prefeitura regional está emitindo esse relatório porque estamos próximos das eleições e eles precisam fazer propaganda para emplacar os seus candidatos”, sugere Ricardo, insatisfeito com a situação atual de Ermelino Matarazzo.

Além de Ermelino Matarazzo, outras prefeituras regionais publicaram relatórios de gestão como Butantã, Lapa e M’Boi Mirim.

OUTRO LADO

Procurada, a prefeitura regional afirma que o orçamento de R$ 29.543.378,00 para a região de Ermelino Matarazzo em 2018 é superior em quase R$7 milhões ao do ano passado.

“Em março, a cidade receberá cem novas equipes de zeladoria que serão distribuídas em toda a cidade. Neste ano quase mil buracos foram tapados na região e mais de 30 mil em toda a cidade”, explica.

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Ermelino Matarazzo, uma das muitas quebradas da zona leste da cidade

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