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Ponto a Ponto

Em Barueri, falta de ciclovias causa reclamações

Pedalar em direção ao trabalho tem obstáculos como iluminação e assédio, aponta ciclista

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Notícia

Publicado em 10.11.2021 | 18:48 | Alterado em 23.11.2021

Tempo de leitura: 4 minutos

A bicicleta faz parte da rotina da personal trainer Camila Silva, 28. Ela trocou o transporte público lotado e o trânsito pelo uso da bike como meio de locomoção durante a pandemia da Covid-19.

Contudo, para se transportar de bicicleta por Barueri, onde mora na Grande São Paulo, ela precisa disputar espaços com carros e outros veículos.

Todos os dias, ela sai de casa no bairro Parque dos Camargos para ir até o trabalho que fica em Alphaville. São 14,5 km se arriscando pelas principais avenidas da cidade até o destino. “Infelizmente só encontro ciclofaixas em uma parte de Alphaville, a cerca de 5 km do meu destino”, diz Camila.

Além da falta de faixas exclusivas para ciclistas na cidade, quem prefere se locomover de bicicleta enfrenta outros problemas.

“A falta de luz nas ruas, o descaso dos motoristas que não se importam de reduzir a velocidade ao passar por mim e piora muito por eu ser mulher”, afirma a personal, citando casos de assédio.

Ela lembra de um episódio em que a disputa com os carros provocou um acidente. “O motorista não me viu e fez uma ultrapassagem no meio do trânsito às pressas e bateu em mim, assim eu bati em um caminhão que graças a Deus estava parado e não aconteceu nada grave foi só um susto”, explica a ciclista.

Em agosto, a Agência Mural publicou uma reportagem sobre a falta de faixas por toda a Grande São Paulo. Barueri aparece como a 11ª entre as 39 cidades com mais acidentes por número de habitantes. A falta de faixas têm sido reivindicada por ciclistas do município.

Segundo Renato Afonso, 40, engenheiro que faz parte do coletivo Barueri com Ciclovias, a cidade não é bike-friendly (amigável à bicicleta).

“Pedalamos em meio aos carros e ônibus, e não há nenhum incentivo, pelo contrário, só há incentivos ao uso de carros, com novas avenidas e bolsões de estacionamento sendo entregues rotineiramente à população”, afirma.

O coletivo surgiu em 2020, com objetivo de trazer a discussão sobre ciclomobilidade à cidade de Barueri. Renato é um dos idealizadores e decidiu atuar junto com amigos após ter uma bicicleta furtada na estação da CPTM no centro.

“Percebemos ali que muitas pessoas querem se deslocar de bicicleta, mas não há estruturas como bicicletários seguros, ciclovias e ciclofaixas”, afirma.

“Um outro ponto que levou a criação do coletivo foi o contraste que existe de uma cidade rica, com indicadores econômicos muito acima da média no país, destaque em diversos rankings de desenvolvimento, mas que em mobilidade urbana tem as mesmas políticas de 50 anos atrás”, conclui o engenheiro.

Barueri conta com pouco mais de 1 km de ciclovias @Barueri Com Ciclovias

A falta de faixas também atrapalha para os pedestres. Em 4 de agosto de 2021,a recepcionista Carolina Pereira, 26, ia a pé de casa até o trabalho. Ao tentar atravessar na faixa de pedestre quando o sinal estava livre para ela no Jardim Júlio, foi atropelada por um ciclista.

“Fui atravessar na faixa e esperei todos os carros pararem, prestei atenção, mas fui pega de surpresa por um ciclista que eu não vi e ele também não me viu”, conta a pedestre .

Os dois ficaram feridos, a pedestre teve ferimentos na cabeça e alguns arranhões pelo corpo e precisou de atendimento médico. O ciclista em sua defesa afirmou estar atrasado para o trabalho.Carol diz acreditar que se tivesse uma ciclofaixa, esse acidente poderia ter sido evitado.

FALTA INCENTIVO

Segundo Renato, a Prefeitura de Barueri tem dado abertura para conversar com o coletivo e tem se mostrado favorável a criação de uma rede de ciclovias e outros equipamentos na cidade.

De acordo com a gestão municipal, atualmente a cidade possui 1,33 km de ciclovia no canteiro central da avenida Aníbal Correia. O trecho é entre a rotatória do Parque Viana e o Jardim Paulista. Há também faixas para ciclistas no Parque Linear que chega a 14 quilômetros de extensão.

De ciclofaixas, são 3,2 km de extensão na avenida Doutor Dib Sauaia Neto, em Alphaville. Nesse bairro há ainda uma pista que beira o rio Tietê que funciona somente aos domingos das 7 às 13h.

No entanto, as faixas não atendem a população que sai dos bairros diariamente em direção ao centro comercial da cidade ou a Alphaville, que concentra as maiores empresas do município.

Em junho por meio das suas redes sociais, o vice-prefeito e secretário de Obras de Barueri, José Roberto Piteri, anunciou que será criada uma rede de ciclovias e ciclofaixas na cidade.

“Temos pensado em locais possíveis para fazermos esse projeto. Um deles seria o Parque Viana e o Maria Helena para fazermos uma ligação com a estação Antônio João, da CPTM. Estamos fazendo um estudo também em Alphaville, no Jardim Belval e na região central para também fazer esta ligação com a Antônio João e outras estações, como Jardim Silveira”, afirmou.

Tatiane Araújo

Jornalista apaixonada por contar e ouvir histórias, ama a rua, gatos, música e produções audiovisuais. Correspondente de Barueri desde 2021.

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