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Moradores se tornam conselheiros no Aricanduva para cobrar fim de alagamentos

Geólogo afirma que problema tem origem na canalização dos rios e ressalta a importância da conscientização da população sobre o descarte correto de lixo

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Por: Redação

Publicado em 06.09.2017 | 14:04 | Alterado em 06.09.2017 | 14:04

Tempo de leitura: 3 min(s)
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Córrego do Rio Aricanduva (Larrisa Darc/32xSP)

No Aricanduva/Vila Formosa, na zona leste da capital, chuva é sempre sinônimo de preocupação. Na região está um dos principais afluentes do rio Tietê, o rio Aricanduva, que corre junto a outros córregos sujos.

Quando há enchentes, o transtorno é evidente, afetando, especialmente, a população mais pobre. Moradores cobram ações mais efetivas à subprefeitura do local e há quem esteja, inclusive, virando conselheiro para acompanhar de perto essa demanda.

É o caso da moradora Viviane Assôfra, 38. “No Aricanduva, deságuam dois dos principais córregos da região. Temos enchentes que trazem problemas às pessoas mais desassistidas e elas demandam boa parte dos esforços da prefeitura regional”, diz, ao se referir às cheias dos córregos e do Rio Aricanduva.

Em agosto deste ano, a bancária levou a demanda para a audiência devolutiva do Programa de Metas da gestão João Doria (2017-2020).

“Indicamos as prioridades da região e, dentre as três principais, está a questão das bacias hidrográficas. Há moradores que se tornaram conselheiros somente por esse motivo”, afirmou Viviane, que também é representante dos moradores de Aricanduva/ Vila Formosa desde 2014.

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Na última edição da pesquisa IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município), divulgada em janeiro deste ano, a região leste 1, onde está localizado o distrito do Aricanduva, recebeu nota 4 sobre a manutenção de bueiros, galerias e controle de enchentes.

Apesar dos problemas, é a mais alta avaliação em toda a cidade. A nota média mais baixa é 2,8, dada pelos moradores da região oeste.

O geólogo e professor da USP, Pedro Côrtes, diz que a sobrecarga dos rios, essas regiões precisam estar sempre alertas, e explica que a origem do problema está na canalização dos rios, comum nos fundos dos vales que foram ocupados com o grande crescimento da cidade.

“Acreditou-se que a ação seria suficiente para dar vazão às águas. No entanto, quando o volume de chuva é grande, o rio não consegue dar vazão e a área de inundação acaba sendo novamente ocupada “, esclarece Côrtes.

O subprefeito Luiz Carlos Frigerio afirma que tem procurado ajuda para reduzir os impactos gerados pelas enchentes.

“Há dois meses, recebi um plano chamado Córrego Limpo. Para a minha surpresa, esse já é um projeto feito pela Sabesp — responsável pelo saneamento básico no estado de São Paulo — há mais de dez anos e nenhum dos córregos de Aricanduva/ Vila Formosa estão nesse plano”, revela.

“Eu mandei a minha equipe conversar com eles [Sabesp] para tentar incluí-los. Existem córregos como o Rapadura que precisamos jogar água a cada 15 dias porque foi uma obra mal feita”, assegura. Procurada pelo 32xSP, a Sabesp não se pronunciou sobre essa questão.

Côrtes elenca algumas ações que poderiam contornar os danos causados pelos alagamentos, como a ampliação e limpeza dos bueiros e galerias pluviais, que facilitariam o escoamento das águas.

“No médio e longo prazo, a prefeitura deveria incentivar o uso de calçadas permeáveis para ampliar a absorção das águas da chuva. O plantio de árvores nativas e a criação de mais áreas verdes também devem ser incentivados, pois isso ajuda na absorção das águas pluviais”, acrescenta.

Conforme o geólogo, não só a limpeza deveria ser ampliada. “É preciso a conscientização dos moradores para que não joguem lixo nas ruas. Isso reduziria o entupimento dos bueiros e galerias, facilitando o escoamento das águas pluviais”.

A moradora Viviane concorda. “Não adianta construir piscininha ou piscinão se as pessoas jogam sofá e lixo na rua. Enquanto os moradores não se conscientizarem, vai ter alagamento. Temos [os moradores] que fazer também um mea-culpa. Precisamos pressionar a gestão e a população”, ressalta.

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