APOIE A AGÊNCIA MURAL

Colabore com o nosso jornalismo independente feito pelas e para as periferias.

OU

MANDE UM PIX qrcode

Escaneie o qr code ou use a Chave pix:

30.200.721/0001-06

Agência de Jornalismo das periferias

Por: Thainná Bastos

Notícia

Publicado em 17.02.2022 | 13:23 | Alterado em 17.02.2022 | 13:31

Tempo de leitura: 3 min(s)

Foi com uma roda de samba que começaram as homenagens a Claudemir Rocha, mais conhecido como Pé de Meia do Cavaco, que morreu na manhã do último domingo (13), aos 44 anos, na zona leste de São Paulo.

Segundo a família, Pé de Meia não se sentiu bem na quinta-feira (10) e no domingo de manhã passou mal novamente. Chegou a ser levado às pressas para o hospital de Ermelino Matarazzo, onde sofreu um infarto na porta da unidade e não resistiu.

O velório do músico ocorreu na segunda-feira (14) na Sociedade Amigos do Jardim Verônia, e o sepultamento foi no Cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista, também na zona leste.

Nascido em 1977 na periferia de São Paulo, Claudemir nunca teve vergonha de sua origem. Morador do Jardim Verônia, bairro que fica no distrito de Ermelino Matarazzo, pai de 7 filhos, era considerado um sambista cheio de carisma e muito ritmo.

Vindo de uma família grande de 11 irmãos, na qual a música era o centro de tudo, começou a tocar ainda na infância, aos 7 anos de idade.

O apelido “Pé de Meia” começou nessa época com o sucesso do personagem de mesmo nome vivido pelo ator Anderson Martins em “Hipertensão” (novela da Globo, de 1986) e também pela mania de andar apenas de meia.

Pé de Meia fazia parte do grupo Família Meirelles, em Ermelino Matarazzo @Arquivo Pessoal

Mas foi nos anos 1990, auge do samba e pagode no país, que ele começou a tocar para valer. Iniciou em um grupo conhecido como “Mi Menor”. Em seguida, tocou em mais outros três: “RG Samba”, “Grupo Batucando” e “Novos Tempos”. Depois, igressou no grupo “Família Meirelles”, formado por ele, os irmãos Claudia Meirelles e Michell Meirelles, e os sobrinhos Gabriell Meirelles e Eduardo Meirelles.

Emocionado, o irmão e companheiro de grupo Michell Meirelles, 34, ou Bola, como é popularmente conhecido, diz sentir saudades dos momentos que passaram juntos e, mesmo sendo o irmão mais novo, não deixava de cuidar de Pé de Meia: “Ele não fazia nada sem mim. Continuar sem ele vai ser algo muito difícil, mas vamos tentar seguir em frente. Ele era era nosso maior ídolo, nosso cantor, nosso professor”, afirma.

Além de alegrar as pessoas com a música, ele a usava para melhorar as condições do bairro. Criou o projeto “Viela Music” em 2019, quando conseguiu engajar os moradores do Jardim Verônia, por meio de vídeos musicais, a transformar uma viela em péssimo estado em um point de música e arte.

“Com o conhecimento que tinha conseguiu reformar a viela. Era a segunda casa dele, ele limpava o local todos os dias, cuidou até o fim da vida e nós vamos seguir com este projeto”, conta Bola.

Homenagens

Amigos lamentaram a morte de Pé de Meia do Cavaco e se uniram aos familiares para prestar as últimas homenagens, como o artista Pedrinho Black, ex-integrante do grupo Art Popular.

“Seu maior prazer era a família, seu cavaco e sua música”

Organização Comunitária M & M Olho na Notícia SP

“Hoje o céu recebe mais uma estrela. Pé de Meia se importava muito com sua comunidade Viela Music, fazendo vídeos para chamar atenção dos órgãos competentes para ajeitar o escadão”, publicou a Organização Comunitária M & M Olho na Notícia SP, grupo que atua na região.

Ao longo da vida, Pé de Meia sempre demonstrou a importância de Ermelino Matarazzo. Em entrevista recente sobre o desenvolvimento industrial da região, ele relembrou a vinda do pai para o distrito ainda na década de 1970.

“Ermelino Matarazzo: minha vida, meu amor, meu dia a dia. Um amor incondicional com todos os seus defeitos”, disse, refletindo sobre as mudanças no bairro. “Minha rua era uma rua da hora. Era muita molecada”, recordou. “Hoje eu quero ensinar as crianças a jogar taco e elas não sabe o que é isso”.

Durante a entrevista, ele também ressaltou a felicidade que sente ao saber que Ermelino tem moradors que conquistaram espaço em várias áreas. “Tem muitos artistas, atletas de futebol, eu fico muito feliz quando eu vejo”, dizia.

“É um pedaço da gente, é Ermelino que está lá”. Pé de Meia foi, sem dúvida, um pedaço de Ermelino.

receba o melhor da mural no seu e-mail

Thainná Bastos

Jornalista, autora do livro-reportagem "Em Busca de Respostas - Relatos de desaparecimento de idosos". É apaixonada por música, cultura pop e viagem. Adora descobrir coisas novas e contar boas histórias. Correspondente de Ermelino Matarazzo desde 2021.

Republique

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias, uma organização sem fins lucrativos, tem como missão reduzir as lacunas de informação sobre as periferias da Grande São Paulo. Portanto queremos que nossas reportagens alcancem outras e novas audiências.

Se você quer saber como republicar nosso conteúdo, seja ele texto, foto, arte, vídeo, áudio, no seu meio, escreva pra gente.

Envie uma mensagem para [email protected]

Reportar erro

Quer informar a nossa redação sobre algum erro nesta matéria? Preencha o formulário abaixo.