Mural participa de mesa de empreendedorismo no jornalismo no 3º Congresso da Jeduca

O desafio de fazer o jornalismo independente, as possibilidades de investimento, erros e acertos foram aos assuntos discutidos na mesa Empreendedorismo no Jornalismo, no 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação).

A mesa foi realizada no segundo dia de Congresso (20), simultaneamente com outras oficinas no período da tarde.  E contou com cinco jornalistas dos veículos: Agência Mural de Jornalismo das Periferias,  Gênero e Número, Jornal Joca, Marco Zero Conteúdo e Repórter Brasil. 

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A coordenadora e editora-geral da Repórter Brasil, Ana Magalhães, contou sobre a escolha da linha editorial e exemplificou com a matéria sobre a ida da equipe ao município de Angicos (RN). “A matéria mais lida e mais linda, foi uma história do primeiro projeto de alfabetização de Paulo Freire, em um povoado do interior do Rio Grande do Norte, fomos lá depois de 30 anos, para entrevistar os alunos do educador”, conta Ana.

Crédito: Alice VergueiroAna Magalhães, coordenadora e editora-geral da Repórter Brasil

Financiada majoritariamente por instituições internacionais, a Repórter Brasil se tornou uma organização sem fins lucrativos. Surgiu inicialmente com a cobertura do trabalho escravo e nos últimos cinco anos ampliou a área de cobertura para pesquisa, direitos trabalhistas e questões ambientais.

Ana Magalhães explica que mesmo com esses recursos do exterior, há uma autonomia na linha editorial, “não temos nenhuma interferência vindo das instituições que nos patrocinam”, declara.

Outra iniciativa semelhante é do site de jornalismo independente e investigativo Marco Zero Conteúdo.‌ “Em 2017 veio o primeiro financiamento internacional, até mais cedo do que esperávamos, porque éramos um coletivo na periferia do Nordeste”, conta Carol Monteiro, presidente do Conselho Diretor do site.

Crédito: Alice VergueiroCarol Monteiro, presidente do Conselho Diretor do marco Zero Conteúdo

Em Pernambuco a Marco Zero é um coletivo que faz pautas investigativas e uma cobertura diferenciada das notícias de Recife. O desejo de fazer um jornalismo diferenciado foi o motivo para a criação do coletivo. Atualmente a Marco Zero tem focado a coberturas em direitos humanos, democracia ou liberdade de expressão e direito à cidade. “Somos compostos por jornalistas cansados e decepcionados com os trabalhos que vínhamos fazendo na mídia tradicional”, diz Carol.

Também em Pernambuco surge em 2016 uma organização com foco específico em gênero na América Latina. Para Guiliana Bianconi, jornalista e fundadora da Gênero e Número, falar sobre gênero é um debate político. “A gente nunca olhou o assunto como uma caixinha isolada”.

Crédito: Alice VergueiroGuiliana Bianconi, jornalista e fundadora da Gênero e Número

O tema gênero esteve muito presente nos debates sobre educação e política. Para ela “gênero não é um debate dos direitos das mulheres e LGBT, é um debate amplo e macro sobre sociedade, equidade e democracia”, afirma.

A Gênero e Número é uma empresa que se denomina negócio social, o que permite a instituição ter fins lucrativos. A organização busca principalmente qualificar o uso de dados com a contextualização das violações históricas de gênero e raça.

Um outro modelo de negócio apresentado na mesa é o Joca, um jornal voltado para jovens e crianças, com produção de conteúdo para o público infanto-juvenil. “Temos crianças que são editores e até temos correspondentes internacionais”, explicou Stéphanie Habrich, fundadora e diretora executiva do Joca.

Crédito: Alice VergueiroStéphanie Habrich, fundadora e diretora executiva do Jornal Joca

Ela é administradora de empresas e franco-alemã, lembra que os pais assinavam revistas para ela na infância com esse tipo de conteúdo e exemplifica que na França existem mais 300 revistas para crianças.

Após duas tentativas falidas deste tipo de produção, finalmente veio o êxito com o Joca em 2011, atualmente ele é material didático obrigatório e distribuído em escolas particulares, também disponível por meio de assinaturas e o grande sonho de Stéphanie é ver o joca chegar nas escolas públicas do Brasil.

A mediação da mesa foi feita por Cíntia Gomes, cofundadora e editora de comunicação organizacional da Agência Mural. Ela também apresentou como surgiu a Mural, parcerias e financiamentos.

“Desconstruimos estereótipos, pois na periferia não tem só violência e preenchemos as lacunas da grande imprensa”, conclui.

Crédito: Alice VergueiroCíntia Gomes, editora da Agência Mural de Jornalismo das Periferias

 

Sheyla Melo

Pedagoga, estudante de jornalismo, correspondente de Guaianases desde 2017. Pernambucana, rapper, ativista e educadora social. Co-gestora do grupo Arte Maloqueira. Articula projetos com produção de comunicação comunitária e literatura periférica.

Guaianases, São Paulo

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