Na Grande SP, 18 cidades não possuem cinemas

Dados da Ancine mostram que parcela considerável da região metropolitana não conta com salas; na capital, 54 distritos não têm esse tipo de espaço

A estudante Ester Santos, 17, não tem o hábito de frequentar o cinema. Mas não por falta de vontade: é que as salas de projeção mais próximas de sua casa, no bairro de Chácara Copaco, em Arujá, na Grande São Paulo, ficam a 14 km de distância, já na vizinha Itaquaquecetuba.

Com 84 mil habitantes, Arujá faz parte das 18 cidades da região metropolitana de São Paulo que não possuem salas de cinema, segundo dados da Ancine (Agência Nacional de Cinema).

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“Não costumo ir ao cinema porque eles são longe de casa”, lamenta Ester, que conheceu as telonas aos 11 anos, em uma sala de cinema dentro de um supermercado no Itaim Paulista, na zona leste da capital.

O tema da democratização de salas de cinema entrou em pauta esta semana, ao ser escolhido como tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A maioria dos distritos da capital, por exemplo, não contam com salas de cinema. No Brasil, apenas 7,4% das 5.570 municípios possuem esse tipo de equipamento.

Cidades que não possuem sala de cinema na Grande SP
Município População
ARUJÁ 89.824
BIRITIBA MIRIM 32.598
CAIEIRAS 101.470
EMBU -GUAÇU 69.385
FERRAZ DE VASCONCELOS 194.276
FRANCISCO MORATO 175.884
JANDIRA 124.937
JUQUITIBA 31.444
MAIRIPORÃ 100.179
PIRAPORA DO BOM JESUS 18.895
POÁ 117.452
RIBEIRÃO PIRES 123.393
RIO GRANDE DA SERRA 50.846
SALESÓPOLIS 17.139
SANTA ISABEL 57.386
SANTANA DE PARNAÍBA 139.447
SÃO LOURENÇO DA SERRA 15.825
VARGEM GRANDE PAULISTA 52.597
EMBU DAS ARTES 273.726
1.786.703

Na Grande São Paulo, além de Arujá, as cidades de Biritiba-Mirim, Caieiras, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Jandira, Juquitiba, Mairiporã, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Salesópolis, Santa Isabel, Santana de Parnaíba, São Lourenço da Serra e Vargem Grande Paulista completam a lista do “apagão” cinematográfico. 

Na soma, essas cidades possuem 1,7 milhão de pessoas sem acesso a uma sala de cinema. A cidade de Franco da Rocha também consta, mas o município teve inaugurado um novo cinema recentemente

PASSADO COM SALAS

Mas nem sempre foi assim. Parte dessas localidades sem salas hoje chegaram a possuir cinemas de rua até aos 1980, mas desapareceram após o surgimento dos shopping centers.

Em Poá, o prédio do último cinema de rua, o Cine Joia, virou o retrato dessa decadência, e hoje está inutilizado. Enquanto isso, a cidade, que ostentou três estabelecimentos para ver filmes entre 1950 e 1989, está há mais de 30 anos sem nenhuma projeção.

O aposentado Sebastião Gomes, 68, diz sentir saudades dos cinemas poaenses. “Era bom. A turma ia lá com os amigos, namorada, era um ponto de encontro”, lembra. “Depois que fechou, nunca mais fui ao cinema”.

Cidades com salas de cinema na Grande SP
Município População Salas
SÃO PAULO 12.176.866 349
GUARULHOS 1.365.899 36
SÃO BERNARDO DO CAMPO 833.240 31
BARUERI 271.306 27
SANTO ANDRÉ 716.109 22
OSASCO 696.850 21
COTIA 244.694 11
DIADEMA 420.934 11
ITAQUAQUECETUBA 366.519 10
MAUÁ 468.148 8
MOGI DAS CRUZES 440.769 7
SÃO CAETANO DO SUL 160.275 7
CARAPICUÍBA 398.611 5
ITAPEVI 234.352 5
SUZANO 294.638 5
TABOÃO DA SERRA 285.570 5
ITAPECERICA DA SERRA 173.672 4
CAJAMAR 75.638 3
GUARAREMA 29.451 1
FRANCO ROCHA 154.489 3
Total geral 568

Também na Grande SP, Guararema saiu dessa estatística negativa em 2016, após a Prefeitura investir na recuperação de um antigo cinema de rua, o Cine Guararema. Inaugurado em 1921, havia fechado as portas em 1990 para dar lugar a uma igreja.

Sem nenhuma sala de cinema na cidade, a prefeitura resolveu investir no espaço, que foi reconstruído. Da estrutura original, apenas a fachada permaneceu em pé. A obra custou R$ 4,5 milhões aos cofres públicos, e hoje a operação é privada, feita pela empresa Centerplex.

Lucas Landin

Estudante de políticas públicas e correspondente de Poá desde 2015. Amante da política, das ferrovias e dos felinos. Entusiasta do transporte público.

Itaquaquecetuba

Paulo Talarico

Editor-chefe de jornalismo, cofundador e correspondente de Osasco desde 2011. Formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, tem pós-graduação em jornalismo esportivo e curso técnico de locução para rádio e TV. Atualmente, estuda História na Universidade de São Paulo. Gosta de café, Osasco, livros, futebol e cinema.

Osasco

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