APOIE A AGÊNCIA MURAL

Colabore com o nosso jornalismo independente feito pelas e para as periferias.

DOE MENSALMENTE PELO CATARSE

OU

MANDE UM PIX qrcode

Escaneie o qr code ou use a Chave pix:

30.200.721/0001-06

Agência de Jornalismo das periferias
Rolê

Na zona leste, filme mostra lendas do Rio Tietê e discute preservação

Longa “O Despertar do Tietê" foi inspirado em lendas folclóricas contadas por moradores da zona leste de São Paulo

Image

Por: Lucas Veloso | Jessica Silva

Notícia

Publicado em 19.03.2021 | 18:18 | Alterado em 23.11.2021 | 19:16

Tempo de leitura: 4 minutos

Quando tinha 10 anos, o escritor e professor Paulo Camargo, 33, frequentava o Parque Ecológico do Tietê em passeios com o pai. Por lá, ficou curioso por conta da sujeira nas águas do Rio Tietê. “Sempre questionei os motivos do rio ser poluído e por que meus avós pescavam nas margens dele.” 

Em 2019, lançou o livro “O Despertar do Tietê” (Editora Matarazzo), reunindo algumas histórias do local. A obra levou a produção de um filme com mesmo nome, também realizado por Paulo, em que aborda lendas vinculadas ao rio que cruza toda a capital paulista

Image

Professor Paulo Camargo (à esquerda) assina a direção e o roteiro do filme @Divulgacão

O filme retrata um estudante de jornalismo que decide passar a noite com alguns amigos às margens do Rio Tietê para fazer uma pesquisa. Porém, a situação muda de figura quando encontram criaturas sobrenaturais, que, segundo moradores antigos da região, são reais.

As filmagens do longa foram feitas em bairros periféricos da cidade, como Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Cangaíba, na zona leste, além da cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo

“Uma das curiosidades nas filmagens foi que apareceu uma [cobra] cascavel em cena. Estávamos gravando e ela estava rastejando em nossa frente”, conta.

De acordo com Paulo, “O Despertar do Tietê” é um filme que busca resgatar as memórias e as lendas folclóricas do Rio Tietê e também propor questões sociais e ambientais da periferia de São Paulo.

< >

As filmagens do longa foram feitas em bairros da zona leste e Grande São Paulo @Divulgacão

As filmagens do longa foram feitas em bairros da zona leste e Grande São Paulo @Divulgacão

As filmagens do longa foram feitas em bairros da zona leste e Grande São Paulo @Divulgacão

As filmagens do longa foram feitas em bairros da zona leste e Grande São Paulo @Divulgacão

O Tietê é um dos rios mais conhecidos do Brasil e atravessa todo o estado de São Paulo. Ele passa por 62 municípios ribeirinhos surgidos em sua margem.

Em certos trechos, as águas são usadas na agricultura, pecuária e geração de energia. Por outro lado, há partes em que a vida morreu devido à quantidade de esgoto despejado — caso dos municípios da região metropolitana.

A nascente do rio fica no município de Salesópolis, ainda na Grande São Paulo, no Parque Nascentes do Rio Tietê. O local está sob proteção ambiental, com o objetivo de preservar as nascentes da bacia. 

Atualmente, o parque tenta preservar a fauna e flora originais da Mata Atlântica, a fim de colaborar para a existência e sustentação da nascente do rio.

LENDAS CONTADAS PELOS MORADORES

A ideia do filme surgiu durante o trabalho de Paulo como professor da rede municipal de ensino da capital. Ele percebeu a necessidade e a dificuldade que os jovens tinham em conhecer a própria identidade cultural. 

Foi então que ele decidiu criar uma narrativa folclórica, inspirado em lendas contadas pelos moradores. Um exemplo é a lenda do Guardião. “Uma criatura feita de palha que guardava o rio, como um Curupira para proteger da caça e da pesca.” 

A Canoa Fantasma, que navegava no rio em busca de tesouros perdidos, foi outra criação.  

VEJA TAMBÉM:
Produzido por cineasta de Itaquera, filme ‘Sem Asas’ vence prêmio nacional
Rio em Cajazeiras tem barragem usada como área de lazer e reclamações sobre lixo e urbanização

A produção tem subsídio do Programa VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), de 2019. Além do resgate folclórico, o filme busca a conscientização ambiental.

“Hoje, os esgotos todos desaguam nele [no Rio Tietê], e a maioria das comunidades periféricas tem suas residências às margens dele e isso me deixou muito curioso e indignado com tudo”, diz.

“Temos outros problemas para pensar a natureza e sociedade. Espero que esse projeto seja o caminho.”  

Image

Pôster de “O Despertar do Tietê” @Divulgacão

A escolha do elenco levou em conta artistas das periferias ou moradores locais que conhecessem o Rio Tietê. Participaram membros de grupos de teatro e coletivos locais. 

A atriz Nailah Fontes, 33, interpreta a personagem Marina no filme. “Interpretei uma personagem que representa tantas pessoas, como a professora, a noiva, a irmã, a mulher negra, a moradora da periferia, a trabalhadora e a estudante”, conta. “Foi emocionante.” 

Ela também fala que a obra é uma homenagem às memórias e jornada do rio com um toque de ficção, suspense, drama, comédia e mistérios. “O filme tem muitas mensagens que, com certeza, impactam nos dias atuais. Somos convidados à reflexão da ação que gera reação.”

O filme teve o lançamento adiado por conta da pandemia, mas a pedido da Agência Mural foi disponibilizado e pode ser visto no link abaixo até o dia 25 de abril deste ano.

https://www.youtube.com/watch?v=mAQnwJdeT2Y

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Jessica Silva

Jornalista formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, Pedagogia e Mestranda em Educação pela PUC-SP. Ama fotografias, séries, filmes e não vive sem Netflix. Correspondente de Mogi das Cruzes desde 2013.

Republique

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias, uma organização sem fins lucrativos, tem como missão reduzir as lacunas de informação sobre as periferias da Grande São Paulo. Portanto queremos que nossas reportagens alcancem outras e novas audiências.

Se você quer saber como republicar nosso conteúdo, seja ele texto, foto, arte, vídeo, áudio, no seu meio, escreva pra gente.

Envie uma mensagem para [email protected]

Reportar erro

Quer informar a nossa redação sobre algum erro nesta matéria? Preencha o formulário abaixo.