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Na zona leste, filme mostra lendas do Rio Tietê e discute preservação

Longa “O Despertar do Tietê" foi inspirado em lendas folclóricas contadas por moradores da zona leste de São Paulo

Quando tinha 10 anos, o escritor e professor Paulo Camargo, 33, frequentava o Parque Ecológico do Tietê em passeios com o pai. Por lá, ficou curioso por conta da sujeira nas águas do Rio Tietê. “Sempre questionei os motivos do rio ser poluído e por que meus avós pescavam nas margens dele.” 

Em 2019, lançou o livro “O Despertar do Tietê” (Editora Matarazzo), reunindo algumas histórias do local. A obra levou a produção de um filme com mesmo nome, também realizado por Paulo, em que aborda lendas vinculadas ao rio que cruza toda a capital paulista

Professor Paulo Camargo (à esquerda) assina a direção e o roteiro do filme | Divulgacão

O filme retrata um estudante de jornalismo que decide passar a noite com alguns amigos às margens do Rio Tietê para fazer uma pesquisa. Porém, a situação muda de figura quando encontram criaturas sobrenaturais, que, segundo moradores antigos da região, são reais.

As filmagens do longa foram feitas em bairros periféricos da cidade, como Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Cangaíba, na zona leste, além da cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo

“Uma das curiosidades nas filmagens foi que apareceu uma [cobra] cascavel em cena. Estávamos gravando e ela estava rastejando em nossa frente”, conta.

De acordo com Paulo, “O Despertar do Tietê” é um filme que busca resgatar as memórias e as lendas folclóricas do Rio Tietê e também propor questões sociais e ambientais da periferia de São Paulo.

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As filmagens do longa foram feitas em bairros da zona leste e Grande São Paulo Divulgacão
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As filmagens do longa foram feitas em bairros da zona leste e Grande São Paulo Divulgacão

O Tietê é um dos rios mais conhecidos do Brasil e atravessa todo o estado de São Paulo. Ele passa por 62 municípios ribeirinhos surgidos em sua margem.

Em certos trechos, as águas são usadas na agricultura, pecuária e geração de energia. Por outro lado, há partes em que a vida morreu devido à quantidade de esgoto despejado — caso dos municípios da região metropolitana.

A nascente do rio fica no município de Salesópolis, ainda na Grande São Paulo, no Parque Nascentes do Rio Tietê. O local está sob proteção ambiental, com o objetivo de preservar as nascentes da bacia. 

Atualmente, o parque tenta preservar a fauna e flora originais da Mata Atlântica, a fim de colaborar para a existência e sustentação da nascente do rio.

LENDAS CONTADAS PELOS MORADORES

A ideia do filme surgiu durante o trabalho de Paulo como professor da rede municipal de ensino da capital. Ele percebeu a necessidade e a dificuldade que os jovens tinham em conhecer a própria identidade cultural. 

Foi então que ele decidiu criar uma narrativa folclórica, inspirado em lendas contadas pelos moradores. Um exemplo é a lenda do Guardião. “Uma criatura feita de palha que guardava o rio, como um Curupira para proteger da caça e da pesca.” 

A Canoa Fantasma, que navegava no rio em busca de tesouros perdidos, foi outra criação.  

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A produção tem subsídio do Programa VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), de 2019. Além do resgate folclórico, o filme busca a conscientização ambiental.

“Hoje, os esgotos todos desaguam nele [no Rio Tietê], e a maioria das comunidades periféricas tem suas residências às margens dele e isso me deixou muito curioso e indignado com tudo”, diz.

“Temos outros problemas para pensar a natureza e sociedade. Espero que esse projeto seja o caminho.”  

Pôster de “O Despertar do Tietê” | Divulgacão

A escolha do elenco levou em conta artistas das periferias ou moradores locais que conhecessem o Rio Tietê. Participaram membros de grupos de teatro e coletivos locais. 

A atriz Nailah Fontes, 33, interpreta a personagem Marina no filme. “Interpretei uma personagem que representa tantas pessoas, como a professora, a noiva, a irmã, a mulher negra, a moradora da periferia, a trabalhadora e a estudante”, conta. “Foi emocionante.” 

Ela também fala que a obra é uma homenagem às memórias e jornada do rio com um toque de ficção, suspense, drama, comédia e mistérios. “O filme tem muitas mensagens que, com certeza, impactam nos dias atuais. Somos convidados à reflexão da ação que gera reação.”

O filme teve o lançamento adiado por conta da pandemia, mas a pedido da Agência Mural foi disponibilizado e pode ser visto no link abaixo até o dia 25 de abril deste ano.

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Guaianases, São Paulo

Jessica Silva

Jornalista, correspondente de Mogi das Cruzes desde 2013. Formada em Pedagogia e Mestranda em Educação pela PUC-SP. Amante de fotografia, séries e filmes.

Mogi das Cruzes

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