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‘Pantera Negra’ da periferia de SP lamenta morte do ator Chadwick Boseman

Morador do Campo Limpo, na zona sul, cosplay ressalta importância do filme para crianças do bairro
Wellington vive no Campo Limpo, na zona sulDivulgação

No Jardim Olinda, distrito do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, é comum ver crianças brincando nas ruas. Por ali, Wellington Ferreira Silva, 32, costuma ser parado por elas com alguns pedidos como ‘Faz o gesto Wakanda pra sempre’. 

Criador de conteúdo e cosplay (que se fantasia e interpreta um personagem), ele chega a rir com a reação dos mais novos. “É engraçado. Elas acham que eu fiz o filme. Sempre que vou comprar pão, tem crianças brincando na rua. Uma sussurra para a outra ‘é ele, o Pantera Negra’”, comenta. 

Nos últimos dias, Wellington recebeu a notícia de que o ator Chadwick Boseman morreu na sexta-feira (28), aos 43 anos, após um tratamento de quatro anos contra o câncer de cólon. Chadwick também era diretor e roteirista e ganhou maior relevância ao interpretar o Pantera Negra do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), em 2018. 

No Campo Limpo, o cosplay do Pantera sempre gostou de entretenimento nerd e, por conta disso, se aproximou do super herói negro. “Lia os quadrinhos do Pantera Negra, assim como outros heróis. Tinha vontade de fazer cosplay dele. Depois que o Chadwick foi anunciado como intérprete do T’challa nos cinemas, eu tirei o plano do papel”, lembra.

No Perifacon, Pantera Negra conquistou o prêmio de melhor cosplayRômulo Cabrera/Agência Mural

Em março do ano passado, foi realizada a primeira PerifaCon, evento destinado a cultura nerd nas periferias da cidade. O evento foi relaizado na Fábrica de Cultura do Capão Redondo, na zona sul da cidade. Cerca de 4 mil pessoas comparecem em suas nove horas de programação.

Entre as atividades, houve uma competição de cosplays. Foram mais de 15 participantes. Wellington Silva, que estava vestido como Pantera Negra, venceu o concurso. 

Considerado sósia do ator Chadwick Boseman, o cosplayer pediu demissão do cargo de operador de caixa para trabalhar com a interpretação de personagens em festas e eventos. 

Para Wellington, o lançamento do filme também colaborou para que outros heróis de pele escura alcancem as telas de cinema. “Temos muitos personagens negros que poderiam ganhar mais destaques nas mídias atuais. Vejo que isso está mudando. Nos cinemas, Pantera Negra foi um marco e abriu portas para que outros personagens, como Super Shock, tenham sua chance”. 

A obra se tornou uma das maiores bilheterias de filmes de super-heróis da história do cinema, com faturamento de 1,3 bilhão de dólares em bilheteria. Outros filmes que também alcançaram grandes resultados, como  “Vingadores: Guerra Infinita” e “Vingadores: Ultimato” acumularam bilheteria de 2 bilhões de dólares e 2,8 bilhões de dólares em receita no mundo todo, respectivamente. 

Wellington deixou o trabalho de caixa para investir nas fantasiasDivulgação

No Campo Limpo, onde vive, o ‘Pantera Negra’ diz que além dos resultados financeiros, a representatividade do personagem foi um dos maiores marcos, sobretudo para crianças e adolescentes. “Foi lindo de ver tantas crianças admiradas pelo Pantera Negra. Um herói negro em destaque, papel principal, um herói, um rei. Vê-las falando sobre Wakanda, falando que são reis como o pantera, foi emocionante”. 

Apesar de ter criado o cosplay para homenagear o herói representado por Chadwick, Wellington afirma não ter certeza se continuará imitando. Diz que, por enquanto, os dias estão sendo de muita tristeza. 

“Estou em um momento de descansar, pensar. Estou assimilando tudo isso. A perda inesperada do Chadwick mexeu muito comigo”, relata. “É difícil pensar em vestir o traje e não sentir vontade de chorar. Não sei se eu voltaria com o cosplay. Tenho que estar bem comigo mesmo pra isso, ele era/é minha maior inspiração”. 

Apesar da perda do ídolo, Wellington diz que há espaço para gratidão. “Gostaria de agradecer a todas as pessoas que tem me mandado mensagens e apoio nos últimos dias”, acrescenta. “O carinho do público é algo que eu sempre apreciei e respeitei”. 

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Guaianases, São Paulo

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