Passageira segue com sequelas três anos após cair no vão na linha 11-coral

Tatiane Lago sofreu lesões em 2014 e até hoje está afastada do trabalho

Estação Francisco Morato, onde o vão vai de 15 cm a 30 cm na mesma plataforma (Foto: Paulo Talarico /Agência Mural)

Em julho de 2014, a professora Tatiane Lago, 37, ficou presa entre o trem e a plataforma da estação da Luz, na região central de São Paulo. Passados três anos, ela ainda faz tratamentos para tentar se recuperar das lesões sofridas no dia.

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Levantamento da Agência Mural mostrou a situação das várias estações da CPTM pela Grande São Paulo, com vãos que chegam a até 46 centímetros e com histórias de usuários que já se acidentaram na via.

Neste relato, Tatiane fala sobre o acidente que mudou sua rotina e até hoje afeta seu trabalho.

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Meu nome é Tatiane Lago, tenho 37 anos e sou professora. Antes, fazia parte da minha rotina pegar o trem na Estação da Luz [no centro de São Paulo] para retornar a minha casa, já que eu morava próximo da Estação Dom Bosco [na zona leste].

Porém, há 3 anos, no dia 31 de julho de 2014, passei por uma situação que mudou completamente a minha vida.

Era fim de tarde e, como de costume, a plataforma da estação estava cheia. Então, para evitar o aperto, optei por esperar o próximo e, assim, conseguir embarcar. Após cinco minutos o trem chegou e junto a ele se iniciou o “empurra, empurra” de pessoas querendo entrar, como de costume. Eu tentei sair do meio da “muvuca”, mas, infelizmente, não deu tempo.

Tudo aconteceu muito rápido e quando percebi já estava com uma perna no vão e a outra dentro do vagão do trem e, mesmo assim, naquele momento, as pessoas continuavam a entrar, passando por cima de mim.

Eu estava completamente desesperada. Depois, ao perceberem a condição em que eu estava, caída no chão, a pressa foi tomada por olhares de preocupação e muitos pararam de entrar e gritaram algumas vezes por socorro.

Sozinha, levantei-me com muita dificuldade e entrei no trem. Deram-me um lugar para eu sentar e, após uns dois minutos, as portas se fecharam e ele foi embora. Foi a partir daí que meus problemas só começam. Comecei a sentir muitas dores e meu pé e meu tornozelo direito começaram a inchar de modo que eu tive que tirar o meu tênis ali mesmo para aliviar.

Estação Perus, na zona norte de São Paulo tem trechos com tamanho ideal, mas pontos com até 24 cm (Foto: Jéssica Moreira /Agência Mural)

Quando cheguei a minha estação, pedi ajuda de alguns passageiros para que me empurrassem para conseguir sair, já que eu não conseguia de forma alguma apoiar meu pé no chão. Na plataforma, sentei-me nas cadeiras para ligar para alguém que pudesse me ajudar, mas desesperada, levantei chorando e falei com um guarda que passava.

Expliquei minha situação e tudo o que havia ocorrido e então pegaram uma cadeira de rodas, me levaram até a catraca de saída e, para o meu espanto, disseram que não havia nenhum ortopedista nos hospitais públicos da região. Caso me levassem no particular, teriam que me deixar lá sozinha.

Na condição em que me encontrava, achei melhor chamar o meu pai e irmos juntos ao hospital. Fui atendida no Hospital Santa Marcelina e me informaram que eu tinha quebrado ossos de três metatarsos e trincado um deles, além de que o acidente tinha tomado quase todos os meus ligamentos do tornozelo direito.

Confira todos a distância de todos os vãos e os recordes

Desde então, fiz muito repouso para me recuperar, até que um dia em uma das idas ao médico, ele descobriu que havia desenvolvido em mim a Atrofia de Sudeck, o que piorou ainda mais o meu caso. Daí para frente, fiz vários tipos de tratamento: fisioterapia, acupuntura, pilates, drenagem linfática, ginástica holística e caminhada. Até hoje, ainda faço algumas destas atividades.

Vãos largos têm sido um dos riscos dos moradores (Foto: Paulo Talarico/Agência Mural)

Depois desse acidente, fiquei com algumas sequelas, como problemas em algumas pequenas veias, nos linfonodos, estou com perda óssea no dedo do meu pé direito e ainda sinto dores no meu tornozelo direito, que ainda incha. Além disso, ele agravou um problema que eu tinha nos dois joelhos e fiquei com dores na lombar.

No momento, estou aguardando para poder realizar um exame nos nervos da minha perna direita, pois perco a força na perna em determinados momentos.

Em resposta ao ocorrido, na época, a CPTM disse que na Estação da Luz ocorre também a utilização dos trens de carga e que por isso ele necessita do vão e que não poderiam fazer nada a respeito.

Desde o acidente, eu banquei sozinha todo o tratamento e continuo fazendo-o até hoje. Por conta disso, permaneço afastada de minha função nas salas de aula e agora trabalho na secretaria da escola, pois tenho mobilidade reduzida. Toda essa situação deixou-me um pouco depressiva, mas com a chegada do meu filho eu consigo esquecer por alguns segundos essas dores diárias tão presentes em mim.

Jéssica Moreira, Karina Oliveira e Tamíris Gomes correspondentes de Perus, Vila Ayrosa e Poá.

0 thoughts on “Acontece na Escola: Professores de Etec em Osasco fazem protesto silencioso contra reforma do ensino médio”

  1. Que lindo Ana Beatriz!
    Nos olhos e na voz dessas crianças é que realmente está a nossa esperança de um país melhor.
    Pessoas inocentes que conseguem enxergar o que muitos ignoram.
    É a vida de verdade,o sorriso estampado,o brilho nos olhos que mal sabem o que ainda vai ter que enfrentar.
    Um super abraço de toda família Centro Comunitário do Embura.
    Felicidades linda.

  2. Um raio x dessas pequenas Almas, que acreditam e sonham em um país onde tudo parece estar pedido, surge através da pureza e simplicidade o nascer da esperança dentro desses pequenos gigantes.
    Ainda vale a pena sonhar!

  3. Uma linda crônica, repleta de alma e total conhecimento do cenário atual de nosso país.
    São palavras assim que nos inispiram à lutar por mais um dia.
    Parabéns!!!

  4. Parabéns. Sou testemunha do seu ganho de saúde física, emocional e psicológica. Pois a bicicleta proporcionou a conscientização dos alimentos que lhe trazem energia e vitalidade e daqueles que intoxicam tirando o vigor pro esporte. Sua conquista de um corpo mais sadio e moldado também é digna de congratulações.

    1. Pessoa incrível, estudamos juntos e realmente sua história de vida é algo que muitas pessoas que tiveram a oportunidade de conviver um pouco com ele aprendeu muito.

  5. Fantástico ! Com todos percalços que a periferia oferece na prática esportiva, eis uma superação e motivação para deixarmos de ser sedentários ! Parabéns Mauro pela iniciativa !

  6. Olá,
    Gostaria de saber se a possibilidade de receber bolsa de estudos para esse curso em específico. Que Muito fazer, mas não possuo recursos no momento para investir.

    Desde já agradeço.

    1. Olá, Sheila! Muito obrigada pelo contato e interesse pelo curso. A atividade é oferecida pela faculdade, logo, vale tentar direto com a Fespsp a possibilidade de conseguir alguma bolsa.

  7. Paulinho, esta sim é a mais linda forma de Dizer Eu Te Amo Para um Pai!
    Você fez uma linda homenagem, para o Tio Paulo, que é Paizão de toda Família.
    Deus abençoe a todos os Filhos.

  8. Zorade, ai sim meu grande sobrinho, que homenagem de arrepiar.! Digo nunca vista, (é claro)pois cada um é um…Quanta sabedoria vestida de aparente ignorancia! O jeito de ser do meu irmao meio estranho, superou os grandes modos finos de criar seus filhos…Quanta riqueza de carater , de valentia também,ele apresentou a voce e a essa exelente Mae que te trouxe ao mundo…Familia pequena nas de grande peso..kkkk em todos os sentidos…No seu relato voce se esqueceu de falar sibre a bondade do coraçao dele…Tem umas histórias de caridade dele que admiro!…Parabéns pela homenagem ! Que Deus lhe proteja , que cada vez mais sua intelugencia seja ativada….abraços

  9. Olá boa tarde,
    Gostaria de parabenizar pela iniciativa e tbm Têmos que girar essa informação e cobrar de forma correta e pacífica dos responsável para tal , tendo em vista que somos moradores da região Têmos essas e outras dificuldades sendo que todos nós vamos receber visitas Nos próximos dias de político ou de seus prestadores de serviços prometendo o que não se cumpre ,uma vez que se não formos no dia votar somos obrigados a pagar multa e tenho certeza que todos nos não deixamos de pagar e quando se trata de olhar um pouco pra lado mínimo que é ,transporte, segurança, iluminação, etc.. Nos não temos respaldo ,então diariamente ouvimos relatos e acontecimentos que cada dia dificulta mais a vivência no bairro, só lembrando que mesmo sendo uma APA todos aqui são eleitores que seguem a risca com suas obrigações e o que queremos é o mínimo se iníciando pelo Respeito aos moradored e direito de ir e vir que já não temos mais.
    Att:
    Gilmar Rodrigues

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