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Patrimônio ambiental, Parelheiros possui cratera geológica habitada

Junto com Marsilac, Parelheiros faz parte da prefeitura regional homônima

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Por: Redação

Publicado em 22.05.2017 | 14:53 | Alterado em 22.05.2017 | 14:53

Tempo de leitura: 3 min(s)

“Amo Parelheiros de coração. Para mim, aqui é tudo”, diz a diarista Janira da Silva, 45, a respeito do distrito onde vive desde o primeiro ano de idade. Junto com Marsilac, ele faz parte da prefeitura regional homônima, que é cheia de curiosidades. Além de ser um pulmão verde da capital paulista, tem uma cratera geológica formada há milhões de anos.

Localizada no extremo da zona sul de São Paulo, a região, que tem mais de 150 mil habitantes, é considerada Patrimônio Ambiental. Parelheiros ocupa uma área de 360,6 km², está sob as APAS (Área de Proteção Ambiental) Capivari-Monos e Bororé-Colônia, abriga remanescentes da Mata Atlântica, as bacias hidrográficas Capivari, Guarapiranga e Billings, e parte da Terra Indígena Tenondé Porã

Além disso, possui uma grande estrutura geológica, a Cratera da Colônia, formada pela queda de um corpo celeste há mais de 30 milhões de anos. Atualmente, ela é ocupada por residências, passa pelo processo de urbanização do Programa Mananciais, da Secretaria Municipal de Habitação, e possui um presídio estadual. Foi tombada pelo Condephaat e é patrimônio geológico do estado de São Paulo.

Entre conglomerados urbanos, patrimônios naturais, culturais e geológicos, Parelheiros agrada quem gosta de viver perto da natureza. É o caso de Janira. “Uma das únicas coisas ruins aqui é médico. Sempre falta”, reclama a diarista.

Dados de 2015, compilados pelo Observatório do Cidadão, indicam que Parelheiros tem 18 UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Em contrapartida não há nenhum leito hospitalar. A construção de um hospital municipal, que deve ter 250 leitos, centro cirúrgico, obstétrico e pronto-socorro começou em 2014, mas ainda não foi concluída.

Em março deste ano, a página do Planeja Sampa indicava que 77,5% da obra já estava finalizada. Porém, a atualização era do dia 6 de dezembro de 2016. Agora, a página não traz nenhuma informação sobre o hospital.

O 32xSP entrou em contato com a Secretaria Municipal de Obras e Serviços para obter informações sobre o progresso da construção nesses primeiros meses de 2017, mas não teve retorno até o fechamento da reportagem.

Janira acredita que o hospital não trará muitos benefícios para a população se faltar médicos frequentemente, como ocorre nas UBSs. Ela também critica a falta de medicamentos nas unidades.

Ainda na área da saúde, o Observatório do Cidadão mostra que houve aumento no número de mortes causadas por câncer, doenças do aparelho respiratório, no aparelho circulatório, causas mal definidas e mortes específicas por Aids.

Também houve aumento no número total de crianças com baixo peso ao nascer. Em 2014, 234 bebês nasceram nesta situação. O número aumentou 8,9%, em 2016. Todavia, caíram as mortes por causas externas (violência e acidentes) e mortalidade infantil.

Cheia de histórias

A região de Parelheiros começou a receber imigrantes alemães na primeira metade do século 19 e imigrantes japoneses no século seguinte, em 1940. Já o crescimento da urbanização ganhou força a partir dos anos 80.

No território, está presente o primeiro solo sagrado da Igreja Messiânica construído fora do Japão, diversas chácaras e conglomerados urbanos regulares e irregulares. O Observatório do Cidadão estima que até 2016 havia 3.611 domicílios em favelas. Algumas atividades de ecoturismo começaram a ser incentivadas pela prefeitura de São Paulo.

A diarista Janira Mendes da Silva acredita que o lugar onde mora possui muitos locais bonitos para quem gosta de natureza e o turismo pode ser uma alternativa para a geração de empregos, mas teme que ocorra mais desmatamentos. Por fim, pensa ser necessário ter mais espaços para lazer e estudos. Ela conta que as únicas atividades de entretenimento de Parelheiros são bares, rios, pesqueiros particulares e bailes funk.

As atividades culturais e esportivas oferecidas pelo poder público estão concentradas no CEU (Centro Educacional Unificado). Para Janira, apenas uma dessas unidades não é suficiente, principalmente para quem mora em bairros mais afastados. Ter mais bibliotecas também é uma necessidade. “Perto da prova do Enem, vários grupos de estudo são formados na biblioteca do CEU”, relata.

O Observatório do Cidadão aponta que em Parelheiros houve uma queda no número de livros infanto-juvenis em bibliotecas. Até 2013 havia 2.017 exemplares. Em 2014, diminuiu para 638 e permaneceu a mesma quantidade em 2015.

Foto: Eliza Teodoro 

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