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Copa do Mundo: a primeira sem meu pai capitão da minha casa

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Por Aline Kátia Melo | 22.06.2018

Publicado em 22.06.2018 | 11:51 | Alterado em 22.11.2021 | 17:03

Tempo de leitura: 2 min(s)

Falarei sobre Copa do Mundo. Não por causa da Seleção Brasileira de Futebol, mas pelos jogos como oportunidades de reunir amigos e familiares. Podemos lembrar de onde trabalhávamos, onde morávamos, com quem andávamos. O que mudou na nossa vida a cada quatro anos pares? Quem entrou, quem saiu?

Quando penso em Copa, aparecem as lembranças da família. Afinal, é o primeiro campeonato mundial sem meu pai por aqui. Ele faleceu em julho de 2016, aos 65 anos de idade. Vê-lo vestido de verde e amarelo apenas se olhar fotos antigas.

Só agora percebo a minha ‘inocência’ nos jogos anteriores. Parecia que seria daquele jeito para sempre: vamos todos juntos assistir em casa ou ir à rua de cima encontrar tios e primas. Cada um vestia camiseta, colocava acessório verde e amarelo, fazia um monte de pipoca, compartilhava salgadinhos e petiscos, comprava refrigerante e cerveja. Fazia bagunça e torcia.

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Durante a Copa do ano 2006. (Arquivo pessoal)

Contribuíamos para a vaquinha do pessoal  que pintava as guias da rua de verde e amarelo. Recordo-me que em 2006 pintamos o muro de casa com as bandeiras do Brasil e da Suíça. Naquele ano também deixamos um vizinho entrar em nosso quintal para amarrar tirinhas coloridas entre as lajes. Elas balançavam com o vento.

Enfim, perder alguém para a morte é um 7×1 que só quem passou pela mesma situação conhece o sentimento. Além disso, nos últimos anos comecei a sentir aversão ao verde e amarelo das camisetas da Confederação Brasileira de Futebol, a CBF. Afinal, elas foram usadas em protestos contra políticos no Brasil. Passavam a impressão de que a CBF era um símbolo de honestidade.

Talvez as poucas tradições que restem no meu bairro, o Jova Rural, localizado na zona norte de São Paulo, sejam as bebidas e as pipocas. Os lugares enfeitados com rabiolas coloridas começaram a surgir poucos dias antes do campeonato.

Vejo menos pinturas nas guias e ruas na parte do bairro Jardim Felicidade, se comparar a copas anteriores. Parece que os ânimos e os orçamentos estão mais discretos, porém os que estão enfeitando demonstram animação. Enviam com orgulho fotos para serem postadas na página do Jova Rural, fanpage que criei para falar do bairro. O que vejo quase como uma decoração permanente são dois prédios verde e amarelo, apelidados de brasileirinhos. Estão pintados com essas cores desde que foram construídos há alguns anos.

Aline Kátia Melo é correspondente da Jova Rural

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