Copa do Mundo: a primeira sem meu pai capitão da minha casa

Falarei sobre Copa do Mundo. Não por causa da Seleção Brasileira de Futebol, mas pelos jogos como oportunidades de reunir amigos e familiares. Podemos lembrar de onde trabalhávamos, onde morávamos, com quem andávamos. O que mudou na nossa vida a cada quatro anos pares? Quem entrou, quem saiu?

Quando penso em Copa, aparecem as lembranças da família. Afinal, é o primeiro campeonato mundial sem meu pai por aqui. Ele faleceu em julho de 2016, aos 65 anos de idade. Vê-lo vestido de verde e amarelo apenas se olhar fotos antigas.

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Só agora percebo a minha ‘inocência’ nos jogos anteriores. Parecia que seria daquele jeito para sempre: vamos todos juntos assistir em casa ou ir à rua de cima encontrar tios e primas. Cada um vestia camiseta, colocava acessório verde e amarelo, fazia um monte de pipoca, compartilhava salgadinhos e petiscos, comprava refrigerante e cerveja. Fazia bagunça e torcia.

Durante a Copa do ano 2006. (Arquivo pessoal)

Contribuíamos para a vaquinha do pessoal  que pintava as guias da rua de verde e amarelo. Recordo-me que em 2006 pintamos o muro de casa com as bandeiras do Brasil e da Suíça. Naquele ano também deixamos um vizinho entrar em nosso quintal para amarrar tirinhas coloridas entre as lajes. Elas balançavam com o vento.

Enfim, perder alguém para a morte é um 7×1 que só quem passou pela mesma situação conhece o sentimento. Além disso, nos últimos anos comecei a sentir aversão ao verde e amarelo das camisetas da Confederação Brasileira de Futebol, a CBF. Afinal, elas foram usadas em protestos contra políticos no Brasil. Passavam a impressão de que a CBF era um símbolo de honestidade.

Talvez as poucas tradições que restem no meu bairro, o Jova Rural, localizado na zona norte de São Paulo, sejam as bebidas e as pipocas. Os lugares enfeitados com rabiolas coloridas começaram a surgir poucos dias antes do campeonato.

Vejo menos pinturas nas guias e ruas na parte do bairro Jardim Felicidade, se comparar a copas anteriores. Parece que os ânimos e os orçamentos estão mais discretos, porém os que estão enfeitando demonstram animação. Enviam com orgulho fotos para serem postadas na página do Jova Rural, fanpage que criei para falar do bairro. O que vejo quase como uma decoração permanente são dois prédios verde e amarelo, apelidados de brasileirinhos. Estão pintados com essas cores desde que foram construídos há alguns anos.

Aline Kátia Melo é correspondente da Jova Rural

[email protected]

 

 

0 thoughts on “O que pensam 10 candidatos das periferias de São Paulo?”

  1. Que lindo Ana Beatriz!
    Nos olhos e na voz dessas crianças é que realmente está a nossa esperança de um país melhor.
    Pessoas inocentes que conseguem enxergar o que muitos ignoram.
    É a vida de verdade,o sorriso estampado,o brilho nos olhos que mal sabem o que ainda vai ter que enfrentar.
    Um super abraço de toda família Centro Comunitário do Embura.
    Felicidades linda.

  2. Um raio x dessas pequenas Almas, que acreditam e sonham em um país onde tudo parece estar pedido, surge através da pureza e simplicidade o nascer da esperança dentro desses pequenos gigantes.
    Ainda vale a pena sonhar!

  3. Uma linda crônica, repleta de alma e total conhecimento do cenário atual de nosso país.
    São palavras assim que nos inispiram à lutar por mais um dia.
    Parabéns!!!

  4. Parabéns. Sou testemunha do seu ganho de saúde física, emocional e psicológica. Pois a bicicleta proporcionou a conscientização dos alimentos que lhe trazem energia e vitalidade e daqueles que intoxicam tirando o vigor pro esporte. Sua conquista de um corpo mais sadio e moldado também é digna de congratulações.

    1. Pessoa incrível, estudamos juntos e realmente sua história de vida é algo que muitas pessoas que tiveram a oportunidade de conviver um pouco com ele aprendeu muito.

  5. Fantástico ! Com todos percalços que a periferia oferece na prática esportiva, eis uma superação e motivação para deixarmos de ser sedentários ! Parabéns Mauro pela iniciativa !

  6. Olá,
    Gostaria de saber se a possibilidade de receber bolsa de estudos para esse curso em específico. Que Muito fazer, mas não possuo recursos no momento para investir.

    Desde já agradeço.

    1. Olá, Sheila! Muito obrigada pelo contato e interesse pelo curso. A atividade é oferecida pela faculdade, logo, vale tentar direto com a Fespsp a possibilidade de conseguir alguma bolsa.

  7. Paulinho, esta sim é a mais linda forma de Dizer Eu Te Amo Para um Pai!
    Você fez uma linda homenagem, para o Tio Paulo, que é Paizão de toda Família.
    Deus abençoe a todos os Filhos.

  8. Zorade, ai sim meu grande sobrinho, que homenagem de arrepiar.! Digo nunca vista, (é claro)pois cada um é um…Quanta sabedoria vestida de aparente ignorancia! O jeito de ser do meu irmao meio estranho, superou os grandes modos finos de criar seus filhos…Quanta riqueza de carater , de valentia também,ele apresentou a voce e a essa exelente Mae que te trouxe ao mundo…Familia pequena nas de grande peso..kkkk em todos os sentidos…No seu relato voce se esqueceu de falar sibre a bondade do coraçao dele…Tem umas histórias de caridade dele que admiro!…Parabéns pela homenagem ! Que Deus lhe proteja , que cada vez mais sua intelugencia seja ativada….abraços

  9. Olá boa tarde,
    Gostaria de parabenizar pela iniciativa e tbm Têmos que girar essa informação e cobrar de forma correta e pacífica dos responsável para tal , tendo em vista que somos moradores da região Têmos essas e outras dificuldades sendo que todos nós vamos receber visitas Nos próximos dias de político ou de seus prestadores de serviços prometendo o que não se cumpre ,uma vez que se não formos no dia votar somos obrigados a pagar multa e tenho certeza que todos nos não deixamos de pagar e quando se trata de olhar um pouco pra lado mínimo que é ,transporte, segurança, iluminação, etc.. Nos não temos respaldo ,então diariamente ouvimos relatos e acontecimentos que cada dia dificulta mais a vivência no bairro, só lembrando que mesmo sendo uma APA todos aqui são eleitores que seguem a risca com suas obrigações e o que queremos é o mínimo se iníciando pelo Respeito aos moradored e direito de ir e vir que já não temos mais.
    Att:
    Gilmar Rodrigues

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