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Rap e confeitaria: a mistura da Doce Ghetto na zona norte de SP

Batalhas de rap foram um dos primeiros lugares onde a jovem começou vender seus bolos feitos em casa

À frente da Doce Ghetto Brigaderia está Gabriela de Paula, de 19 anos. Ela é responsável por confeccionar mais de 30 tipos de sabores de bolos e doces gourmets na cozinha de casa, no distrito da Casa Verde, na zona norte de São Paulo.

A paixão pela confeitaria vem desde os sete anos, quando ela fez seu primeiro bolo e ficou maravilhada com a alquimia que existe em misturar os ingredientes da receita.

“Assistia muito o programa Cake Boss [reality show norte-americano] e queria fazer igual. Estava aprendendo a trabalhar com ganache, que é uma mistura cremosa de chocolate e creme de leite, mas não deu certo. Foi uma verdadeira sujeira na cozinha”, conta a empreendedora.

Gabriela criou a Doce Guetto Brigaderia | Divulgação

Aos 16 anos, passou no vestibular da Etec (Escola Técnica Estadual) para cursar nutrição e dietética. Embora o ensino seja público, os materiais didáticos e os gastos com trabalhos individuais e de grupo não eram cobertos pela instituição. Para custear essas despesas, a confeiteira decidiu vender bolos no pote a R$ 5 no grupo da sala.

“Os ingredientes das receitas são fornecidos pelos alunos, mas eu estava sem dinheiro para arcar. Decidi divulgar nas redes sociais, porque no interior da Etec as vendas são proibidas”, lembra. A divulgação deu tão certo que, em 2018, nasceu a Doce Ghetto Brigaderia.

O nome reflete uma jovem da periferia que ama a culinária e também o rap. A confeiteira conta que, para fazer a divulgação do seu trabalho, ela ia a batalhas de rap a convite de amigos. “Quando pensei no nome para meu negócio, não poderia ser outro. Tinha que homenagear o gênero musical que cresci escutando”.

Gabriela atende aos clientes nas saídas do Metrô de São Paulo ou com delivery privado. As receitas são cobradas pelo peso do bolo, com preços que variam de R$ 48 a R$ 110, dependendo do sabor e da decoração, que pode ser mais simples ou detalhada com desenhos, por exemplo. Ingredientes de marcas famosas, como Nutella, Kinder Ovo e Ferrero Rocher, podem ser adicionados no recheio. 

Bolo de Brigadeiro feito com massa de chocolate e granulado split | Danielle Lobato/Agência Mural

O destaque vai para o bolo de brigadeiro gourmet, feito com massa de chocolate, leve e bem molhada, que se desmancha na boca ao mastigar e recheio de brigadeiro sem muita adição de açúcar. Na finalização do bolo, há pedaços de chocolate e o granulado split (diferentemente do granulado tradicional, o split é quadrado, macio e sem gosto de gordura hidrogenada).

O cardápio também conta com o kit festa que inclui um bolo de 1 kg, 30 doces gourmets e 50 salgados artesanais de sabores variados, feitos pela mãe da confeiteira. O kit custa a partir de R$ 115 e vai acompanhado de um topper – que são plaquinhas redondas, ovais ou quadradas que servem para enfeitar o bolo ou doces de acordo com o tema da festa.

No faturamento, a empreendedora diz que chega a fechar 55 pedidos de encomendas em um único mês. “Não imaginava que geraria emprego e renda com a venda dos meus bolos”, diz a confeiteira, que hoje vive exclusivamente com a renda obtida pelos doces.

Sobre a representatividade preta na confeitaria, Gabriela diz que quer ser um modelo para jovens da periferia não desistirem de ocupar espaços de chefia e, principalmente, incentivar a criação do seu próprio negócio.

SERVIÇO

Doce Ghetto Brigaderia
Endereço: Casa Verde
Telefone: (11) 95938-3136 (WhatsApp)
Preço médio: R$ 48 a R$ 110
Horário de funcionamento: Todos os dias, das 8h às 21h
Formas de pagamento: Cartões de débito e crédito. Pedidos acima de R$ 100 podem ser parcelados em 2x
Opções ovolactovegetarianas: Sim
Redes Sociais: Instagram: @doceghetto
Observações para encomendas: Pedidos por WhatsApp; entregas em todas as regiões de São Paulo por delivery privado, com taxa

O texto faz parte da cobertura especial para o Prato Firmeza Preto: Guia Gastronômico das Quebradas de São Paulo, feito em parceria com a Énois Conteúdo.

Danielle Lobato

Jornalista, correspondente de Itaim Paulista desde 2016.

Itaim Paulista, São Paulo

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