APOIE A AGÊNCIA MURAL

Colabore com o nosso jornalismo independente feito pelas e para as periferias.

DOE MENSALMENTE PELO CATARSE

OU

MANDE UM PIX qrcode

Escaneie o qr code ou use a Chave pix:

30.200.721/0001-06

Agência de Jornalismo das periferias
Democratize-se!

Repórteres falam sobre a importância de humanizar histórias

Image

Por Jessica Bernardo | 12.07.2018

Publicado em 12.07.2018 | 18:15 | Alterado em 22.11.2021 | 16:11

RESUMO

Um dos destaques do 13º Congresso de Jornalismo Investigativo foi o #UmaPorUma, projeto que fala sobre mulheres assassinadas em Pernambuco

Entre os dias 28 e 30 de junho, São Paulo sediou o 13º Congresso de Jornalismo Investigativo. Acompanhei o evento e agora falo um pouco sobre o painel “Mulheres, violência e a sensibilidade para contar as histórias”.

Apesar de a Agência Mural não noticiar atos violentos, os materiais apresentados possuem semelhanças ao trabalho que desenvolvemos nas periferias da Grande São Paulo. Afinal, a Mural, iniciada em 2010, também surgiu como uma crítica à forma como algumas histórias são contadas na mídia: no nosso caso, a maneira como as periferias são retratadas.

#UmaPorUma, JORNAL O COMMERCIO

Em 2016, mais de 4,6 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, uma média de 4,5 brasileiras mortas para cada 100 mil habitantes. Em Pernambuco, no nordeste do país, a taxa de homicídios de mulheres por morador é ainda maior, 5,8 pernambucanas mortas a cada 100 mil. Foi olhando para esses números e cansadas de ver o problema ser menosprezado, que as jornalistas Ciara Carvalho e Julliana de Melo resolveram dar início a um novo projeto: o #UmaPorUma.

“O projeto nasceu de um incômodo; de contar todo dia uma morte, ter 25 linhas e aquilo não te levar a nada, a nenhum tipo de reflexão”, explica Ciara.

Com um espaço próprio no NE10, portal pernambucano do Jornal do Commercio, o #UmaPorUma apresenta as histórias de todas as mulheres mortas no ano de 2018 em Pernambuco. A ideia era transformar notícias trágicas em uma reflexão maior sobre o contexto que produz as violências contra o público feminino.

No site, as histórias são acompanhadas de informações sobre a tipificação do crime, a situação do processo e o nome do principal suspeito, além de estatísticas contextualizadas sobre o assunto. De janeiro a maio, o projeto contabilizou 110 homicídios, entre eles 27 feminicídios.

Image

As jornalistas acreditam na importância da humanização no jornalismo para estimular o debate (Alice Vergueiro/Abraji)

Para Ciara e Julliana, humanizar os dados mostrando quem são essas mulheres é essencial para o debate sobre este tipo de violência, e sobre a maneira de se fazer jornalismo. “Esse projeto é também para olhar para nós enquanto jornalistas. A gente tenta corrigir algumas coisas que são erros nossos, da forma de fazer jornalismo e da pressa de fazer jornalismo. É como se fosse uma janela: nesse aqui a gente vai tentar fazer diferente”, explica Ciara.

O fazer diferente se reflete desde a maneira como as repórteres trabalham até o produto final apresentado para o leitor. Na contramão das matérias factuais dos jornais diários, a equipe do #UmaPorUma rastreia semanalmente a evolução da investigação policial, além de entrevistar as famílias e visitar o local do crime. O acompanhamento dos processos gera pressão para que os casos sejam investigados até o final, explica Ciara: “A gente tem que pensar que não tá divulgando a morte de Marielle [vereadora do Rio de Janeiro morta em março de 2018], que tá toda a imprensa acompanhando. A gente tá divulgando mortes anônimas. São pessoas que são invisíveis”.

Atualmente, o #UmaPorUma reúne quase 30 repórteres, que também têm o auxílio de fotógrafos e ilustradores do Jornal do Commercio.

“As Minas de Minas”, REVISTA AzMina

As jornalistas Carolina Oms e Amanda Célio, da Revista AzMina, também participaram do painel “Mulheres, violência e a sensibilidade para contar as histórias”. Elas apresentaram “As Minas de Minas”, reportagem que narra a história de exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias de Minas Gerais.

A dupla destacou a importância da sensibilidade dos repórteres no momento de escrever matérias sobre pessoas em situações de vulnerabilidade, um cuidado quecomeça na preservação das pessoas entrevistas: “As pessoas vêm antes das histórias”, fala Amanda. 

Republique

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias, uma organização sem fins lucrativos, tem como missão reduzir as lacunas de informação sobre as periferias da Grande São Paulo. Portanto queremos que nossas reportagens alcancem outras e novas audiências.

Se você quer saber como republicar nosso conteúdo, seja ele texto, foto, arte, vídeo, áudio, no seu meio, escreva pra gente.

Envie uma mensagem para [email protected]

Reportar erro

Quer informar a nossa redação sobre algum erro nesta matéria? Preencha o formulário abaixo.