São “Pãolo” nosso de cada dia

O colorido dos morros que integram a cidade de 462 anos — Foto: Cleber Arruda/Agência Mural

Teu sobrenome: trabalho. Tuas origens: universais. Teus filhos nascem e chegam diariamente de todas as direções. São multidões de encontros e desencontros, sonhos e frustrações, por minuto, por hora.

Em teu coração, de diversificados tons de cinza, arritmia constante. Tuas artérias e veias vivem entupindo. Teus pés sofrem com a demanda emergente insustentável da tua verticalidade. Não sossegas, não dormes, nem descansas. Urgente! “Pra ontem”! Acelera!

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Correria que faz transpirar efervescência. Barulhenta; não há um som que não produza, um ritmo que não conheça, uma música que não toques. Teu cardápio gastronômico e cultural é o mais completo; tua vida noturna, de longe, a mais eclética. És multifacetada. Daóra! Pena que poucos podem desfrutar dos teus privilégios.

Sabes agradar, fascinar, iludir, encantar e oferecer como nenhuma outra. Talvez, por isso, exijas alto, cobres tão caro e castigas a tantos. Na verdade, te odeio e te amo muitas vezes ao longo de um dia. Hoje, só vou te curtir. Dá licença, “meu”?

São “Pãolo” nosso de cada dia, escrito pelo muralista Cleber Arruda, correspondente da Brasilândia, faz parte da Antologia Praçarau, livro que reúne poemas e contos de diversos autores das periferias de São Paulo.

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