APOIE A AGÊNCIA MURAL

Colabore com o nosso jornalismo independente feito pelas e para as periferias.

OU

MANDE UM PIX qrcode

Escaneie o qr code ou use a Chave pix:

30.200.721/0001-06

Agência de Jornalismo das periferias
32xSP

Ser professor por R$ 2.400 em SP é um privilégio?

Usando bom-humor, professores da rede municipal questionam o termo "privilégio", usado por Doria para se referir ao trabalho dos educadores

Image

Por: Redação

Publicado em 22.03.2018 | 13:58 | Alterado em 22.03.2018 | 13:58

Tempo de leitura: 3 min(s)
Image

Juli Codognotto e Patricia Torres em ato a favor da greve dos professores (Sossô Parma)

“Eu me sinto privilegiada em ser professora da educação pública”. A frase, uníssona, é bradada em um vídeo que circula pela internet, visto por mais de 170 mil pessoas e compartilhado mais de 4.000 vezes, desde a segunda-feira (19).

Produzido por duas professoras da rede municipal de ensino, usando bom-humor, o vídeo questiona o termo “privilégio”, adotado pelo prefeito João Doria (PSDB) para se referir ao trabalho dos educadores, além de de apoiar a greve dos professores. 

Desde então, atos contra o projeto de lei da gestão Doria, que aumenta a contribuição previdenciária da categoria, vem acontecendo, inclusive com o apoio de outros servidores municipais e de pais e mães de estudantes.

“Eu me sinto mais privilegiada que juiz, que político… Eu me sinto mesmo muito privilegiada. Primeiro pelo meu salário, que é um salário de alto nível”, segue, agora em monólogo, a atriz e professora de artes Patrícia Torres, 34, que dá aulas na Brasilândia, na zona norte de São Paulo. No vídeo, a educadora questiona, de forma bem-humorada, se é um privilégio um educador receber o salário inicial de R$ 2.475,85.

LEIA MAIS: Mães apoiam greve dos professores contra reforma de Doria

“Pensamos como poderíamos falar sobre o assunto, mas de uma forma mais neutra”, afirma a também atriz, que adere à greve desde o início da paralisação. “Não é um vídeo só meu, mas também de outros professores e artistas”.

Uma delas é Juli Codognotto, 31, jornalista e educadora de artes, que ao lado da amiga. “Me atingiu muito a propaganda feita [por João Doria] contra os funcionários públicos, dizendo que nós, professores, somos, privilegiados”, diz a professora, que atua na DRE (Diretoria de Ensino Regional) do Butantã, na zona oeste, há menos de um ano, quando passou no último concurso, em 2017.

“Isso acho que é um discurso muito absurdo, que precisa ser desconstruído. A ideia foi estranhar essa palavra, adotando uma pegada bem-humorada, para chegar às pessoas com leveza”, emenda.  

Patrícia afirma estar feliz com a viralização do vídeo e acredita que ele ajuda a fortalecer a classe. “A maior potência é o fortalecimento dos professores, que eles continuem a pressão e, finalmente, tire de pauta essa possível aprovação e consiga eliminá-la de vez”, espera a educadora.

Image

Ato dos professores municipais de São Paulo contra a reforma da previdência da gestão Doria (Patricia Torres)

GREVE

De autoria da gestão de João Doria, o projeto de lei pretende, entre outros pontos, aumentar a alíquota básica de contribuição previdenciária de 11% para 14%. A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara na última quarta-feira (14) e segue adiada na Câmara de Vereadores de São Paulo.

“Estamos em greve para defender a educação pública e os serviços públicos da cidade de São Paulo. É uma greve histórica. Neste ano, é uma luta ainda mais grave, contra um retrocesso. Estamos lutando para não perder direitos”, reforça Juli.

“Somos totalmente contra, como a maioria dos professores e servidores municipais à essa mudança. É uma luta. A gente ainda ganha ainda mal. Nosso salarial inicial é de R$ 2.400, sem FGTS, transporte”, lamenta Patrícia.

Nesta terça-feira (21), o presidente da Câmara, vereador Milton Leite (DEM), e o líder da gestão Doria no Legislativo, João Jorge (PDSB), anunciaram que não colocariam o projeto em pauta durante esta semana.

“Estamos na defensiva. É um ataque contra direitos históricos dos trabalhadores do serviço público, que é fundamental para a parte da população que não tem outra opção, que precisa do serviço público de qualidade”, defende Juli.

Novas manifestações dos servidores municipais estão previstos para acontecer em frente à prefeitura nesta quinta (22) e na avenida Paulista, na sexta (23).

“A greve é uma mobilização forte e a nossa única saída. Fazer greve é muito difícil pros professores, pras famílias. Mas temos recebido apoio delas. A greve deve ser mantida até que esse projeto absurdo”, completa a jornalista.

***

http://32xsp.org.br/2018/02/20/investir-em-educacao-de-qualidade-e-a-solucao-para-diminuir-violencia-em-sp/

receba o melhor da mural no seu e-mail

Redação

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias tem como missão minimizar as lacunas de informação e contribuir para a desconstrução de estereótipos sobre as periferias da Grande São Paulo.

Republique

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias, uma organização sem fins lucrativos, tem como missão reduzir as lacunas de informação sobre as periferias da Grande São Paulo. Portanto queremos que nossas reportagens alcancem outras e novas audiências.

Se você quer saber como republicar nosso conteúdo, seja ele texto, foto, arte, vídeo, áudio, no seu meio, escreva pra gente.

Envie uma mensagem para [email protected]

Reportar erro

Quer informar a nossa redação sobre algum erro nesta matéria? Preencha o formulário abaixo.