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Disputa na Vila Maria tem chapa periférica e candidatura inspirada em Janio Quadros

Sem vereador na câmara municipal de São Paulo, região se mobiliza para as eleições

Mais de 300 mil moradores na subprefeitura de Vila Maria / Vila Guilherme, na zona norte, não têm nenhum representante entre os atuais 55 vereadores paulistanos. A falta de um porta-voz que defenda os interesses da região na câmara municipal tem mobilizado a população para as próximas eleições.

Segundo o  TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral), são 153.234 pessoas aptas a votar na 254ª zona eleitoral – Vila Maria, que engloba os distritos de Vila Maria, Vila Guilherme e Vila Medeiros, mas o órgão não tem a informação sobre quantos e quais candidatos a vereador residem na área da subprefeitura.

A avenida Guilherme Cotching é a principal via comercial e econômica na Vila MariaSidney Pereira/Agência Mural

As lives promovidas pela associação comercial local e pela paróquia Nossa Senhora da Candelária, a principal da Vila Maria, mostram que a disputa deve ser acirrada. Nas redes sociais, a preocupação de quem assistiu esses encontros é de que os votos sejam divididos entre várias candidaturas e insuficientes para a eleição de um representante regional.

Para conhecer os planos para a região, a Agência Mural conversou com quatro candidatos a vereador residentes na subprefeitura (em ordem alfabética):

Beto Freire

A Vila Maria ficou conhecida nacionalmente, nas décadas de 1950 e 1960, pelo apoio maciço dado a Jânio Quadros, ex-prefeito, governador e presidente da República.  Com a aposta na memória afetiva dos eleitores, o profissional liberal Beto Freire, 40, membro do conselho gestor do Parque Vila Guilherme – Trote por 6 anos e do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) Vila Maria, decidiu concorrer a vereador pelo PTB, “o partido de Jânio e de Getúlio Vargas”, como faz questão de destacar.

O profissional liberal Beto Freire, do PTB, utiliza a vassoura como símbolo da campanha, o mesmo usado por Jânio QuadrosDivulgação

Novato em eleições, Freire, inspirado no ex-presidente, utiliza uma vassoura como símbolo da campanha. “É pra varrer a corrupção, os vícios e adotar uma cultura nova na política. Vou defender o que sempre defendi, sem mentiras”, diz.  Em sua plataforma, ele sustenta que parte dos impostos gerados por dois grandes complexos de transportes – Rodoviária Tietê e Terminal de Cargas Fernão Dias – seja também investida na região.

“Além da poluição, o trânsito pesado dos terminais impacta na infraestrutura urbana e na qualidade de vida dos moradores”, avalia. Investimentos em iluminação pública e seu efeito positivo na segurança, área ambiental, saúde, com a criação de um hospital de referência, o combate às enchentes e a modernização do sistema de galerias pluviais são outras propostas do candidato.

Cleber Araújo

O professor de dança Cleber Araújo, 47, do partido Podemos, entra na disputa eleitoral pela quinta vez, sendo duas para deputado federal e a terceira para vereador. Ele nasceu e mora na Vila Maria e relata ter “25 anos de experiência na área social, como voluntário”.

Cleber Araújo (Podemos) quer mais médicos e equipamentos para o único hospital público da região, o VermelhinhoDivulgação

Araújo é conselheiro do segmento ‘Usuário’ no único hospital público da subprefeitura, o José Storópoli, mais conhecido como Vermelhinho. “O hospital precisa de mais equipamentos e médicos. A capacidade de atendimento é de 11 mil consultas/mês e realiza 25 mil”, comenta.

O candidato traz várias propostas em benefício de idosos e crianças, como criação de creches, centro de atendimento médico, casa de repouso e casa de acolhimento da comunidade idosa  LGBTQIA+.  Ele afirma que o principal problema da região é de zeladoria e critica o trabalho atual de limpeza das vias e de combate às enchentes.

Araújo também sugere que professores especializados e estagiários orientem os usuários de aparelhos de ginástica em praças públicas, evitando lesões.

Questionado sobre a primeira ação que tomaria, caso eleito, ele diz que apresentaria um projeto para extinguir o uso de carros oficiais pelos vereadores. “Em meio à pandemia, faltando dinheiro pra tudo, é um absurdo esse gasto”, opina.

Danilo do Posto de Saúde
Servidor público municipal há 18 anos, Danilo Cortez de Souza, 37, o Danilo do Posto de Saúde, do partido Podemos, concorre pela segunda vez a vereador. Ele trabalha no setor administrativo da UBS Vila Maria e considera a “falta de representatividade política” o principal problema na subprefeitura.

O servidor público Danilo do Posto de Saúde (Podemos) foca a campanha em ações de melhoria da área onde atuaSidney Pereira/Agência Mural

Danilo conta que decidiu ser candidato por sugestão de usuários da UBS e, em 2016, teve quase 11 mil votos. Ele diz que sua família mora há mais de 80 anos na Vila Maria Alta e que não está sozinho nessa eleição. “Participo de um grupo de pessoas que identifica as necessidades e sugere soluções para transformar a região”, revela.

Sua principal bandeira vem de melhorias na saúde, pois “há falta de equipamentos para UBSs e centros de especialidades de consultas e exames”.

Na área social, o servidor público revela que 50 mil pessoas moram em comunidades. “Nossa proposta é levar mais projetos sociais a essa população, como cursos profissionalizantes e atividades para crianças e adolescentes, sem esquecer da habitação”.

No quesito segurança, ele fala em “parcerias” com a Guarda Civil Metropolitana, e, sobre zeladoria urbana, afirma que “a região é menos favorecida com a destinação de verbas, já que não tem representação na câmara municipal, e isso prejudica o trabalho da subprefeitura”.

Doutor Eco Planet (DC) 

O microempresário Ailton Bolignari, 43, o Doutor Eco Planet, criador do projeto ambiental de mesmo nome, concorre pela Democracia Cristã. Ele foi membro do Conselho Participativo e Cades da subprefeitura e conta que a experiência nos cargos o motivou a entrar na eleição.

Doutor Eco Planet defende a causa ambientalDivulgação

“Fiquei indignado com o tratamento recebido dos parlamentares para atender demandas simples”, diz. Afirma que sua plataforma tem base na ecologia e sustentabilidade. “Os projetos terão amplitude municipal, mas com atuação prioritária na subprefeitura”, afirma.

A primeira proposição são os “jardins de chuva ou pequenos piscinões”, construídos em rotatórias e canteiros, com até 1,5 m de profundidade, para diminuir as enchentes. “Esse modelo existe em outros países e a subprefeitura Sé também adotou”, informa. Na região, ele sugere a instalação no cruzamento das avenidas Jardim Japão e Sanatório, com benefício no combate às enchentes e no trânsito.

O candidato diz que irá propor também o projeto Vila Maria Lixo Zero, para incentivar a reciclagem, e a integração dos vários conselhos municipais, com a troca de informações sobre as demandas populares.

Outras propostas envolvem cuidados com os animais de estimação: Veterinário da Família – presença do veterinário em cada comunidade, como agente de saúde pública; Atende Pet – transporte gratuito para levar donos e animais para consultas veterinárias; e Acolhe Pet – espaço para permanência de animais de estimação em albergues para pessoas em situação de rua.

Jesus da Periferia – chapa Periferia é o Centro

A subprefeitura também tem uma candidatura coletiva – Periferia é o Centro, com nove membros que compartilham a mesma política e plataforma de atuação. São eles: Jesus dos Santos, Ingrid Felix, Luana Maria, Regiane Vieira, Emmy CDT, Gustavo Xavier, Lucas Abreu, Marcus Schaefer e Akilah Jelani.

Jesus Santos faz parte de uma candidatura coletiva na zona norteDivulgação

A chapa é representada nas urnas pelo artesão e produtor cultural Jesus dos Santos, 36, do PDT, registrado no TRE como Jesus da Periferia. Morador do Jardim Brasil, no distrito de Vila Medeiros, ele foi conselheiro participativo na subprefeitura e é codeputado licenciado da Assembleia Legislativa, eleito com o grupo Mandata Ativista, em 2018.

A coletividade tem forte presença na subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme, mas, além do Jardim Brasil, há representantes de: Jaçanã, Jova Rural, Jardim do Tiro (Brasilândia), na zona norte, e Itaquera, na zona leste.

A lista de propostas para a cidade traz a “defesa do direito à saúde, educação, transporte, emprego, moradia, cultura, acesso à terra, saneamento básico e segurança das populações periféricas, quilombolas e povos originários”.

Para a região, o porta-voz da candidatura propõe o combate às enchentes, com obras de recuperação do leito dos córregos; o direito à moradia, com destaque para a região do Terminal de Cargas Fernão Dias; e a ampliação do hospital Vermelhinho.

A chapa também diz que pretende obter mais recursos para a infraestrutura regional. Para Jesus, “a subprefeitura tem localização estratégica na cidade e o investimento vai permitir morar e trabalhar na mesma região, fazendo crescer a economia e o comércio local”.

Sidney Pereira

Formado em Comunicação Social pela FAAP e correspondente da Vila Maria desde 2014. Atua nas áreas de Marketing e de Assessoria de Imprensa. Amante de esportes e turismo, sempre procurar acompanhar eventos esportivos nas viagens de férias.

Vila Maria, São Paulo

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