APOIE A AGÊNCIA MURAL

Colabore com o nosso jornalismo independente feito pelas e para as periferias.

OU

MANDE UM PIX qrcode

Escaneie o qr code ou use a Chave pix:

30.200.721/0001-06

Agência de Jornalismo das periferias
32xSP

8 em cada 10 moradores da zona leste de SP usaram serviço público de saúde em 2021

Segundo a pesquisa “Viver em São Paulo: Saúde e Educação”, 80% dos entrevistados responderam que buscaram o serviço este ano

Image

Por: Redação

Publicado em 30.06.2021 | 21:51 | Alterado em 30.06.2021 | 21:51

Tempo de leitura: 3 min(s)

Moradora da Vila Nova Utinga, na zona leste de São Paulo, Maira Isis da Silva Cardoso, 28, é usuária do serviço público de saúde. Além de passar em consultas para realização de exames de rotina, a jornalista também acompanha a mãe, Neusa Maria da Silva, 53, nas consultas mensais ao psiquiatra no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e faz a troca de receitas dos remédios. 

O bairro onde elas moram está localizado na divisa entre as subprefeituras de Vila Prudente e de Sapopemba. É justamente na região leste que a utilização do sistema público de saúde foi a maior em 2021, se comparada com as demais. Por lá, oito em cada dez moradores usaram o serviço. 

Significa que 80% dos moradores que responderam à pesquisa “Viver em São Paulo: Saúde e Educação” usaram o serviço este ano.

O estudo foi realizado pela Rede Nossa São Paulo e pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria). Foram ouvidas 800 pessoas no período de 12 a 29 de abril de 2021.

Esses 80% citados acima representam queda de seis pontos percentuais em relação aos dados de 2018, quando o índice chegava a 86%.

Em 2021, as regiões norte e oeste registraram 76% de usuários que utilizam o sistema público de saúde, e a região central registrou 72%. Em 2018, os números eram, respectivamente, 91%, 89% e 82%. 

Image

Hospital público em Distrito Sapopemba, na zona leste (Ira Romão/32xSP)

Para Maria Auxiliadora Chaves da Silva, 53, integrante do Movimento Popular de Saúde da Zona Leste, o alto índice de uso do sistema público na região pode estar relacionado a diversos fatores. Um deles é o costume com o contexto pandêmico onde as pessoas estão voltando às suas atividades rotineiras, mesmo com restrições, e procuram os serviços de saúde para se consultar.  

“É mais ou menos isso que as pessoas pensam ao procurar o serviço público: ‘eu estou indo trabalhar todo dia porque não posso procurar um médico? Se eu não estiver bem de saúde, como é que posso trabalhar? Como é que vou me sustentar?’ Não temos previsão de quando vai acabar [a pandemia] e a vida continua”, conta. 

Auxiliadora, que é moradora de Cidade Tiradentes, também cita o aumento de consultas por teleatendimento e as novas demandas surgidas durante o período de isolamento. 

“As pessoas ficaram muito tempo sem procurar médico, porque não estava atendendo. Quando [o sistema público] voltou a atender, mesmo de forma reduzida, elas recorrem ao serviço como último recurso após terem adiado”, avalia. 

Image

Distrito Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo (Humberto Müller/32xSP)

A queda no número de pessoas que responderam ir aos postos ou hospitais pode estar relacionada à pandemia. Alguns desses serviços foram fechados e os moradores também evitavam ir até os locais com receio da doença.

A ida ao posto de saúde tornou-se menos frequente para Maira Isis e sua mãe Neusa, por exemplo. Elas passaram a usar o serviço apenas para atividades essenciais como consultas, realização de exames e trocas de receitas. 

“Tenho evitado ir ao posto de saúde porque a minha região [leste] sempre esteve com altos números [de casos de Covid-19]. Sempre que vou até lá tem muitas pessoas esperando para fazer o teste, conta. 

“As atividades no CAPS estão suspensas, então não há grupos de terapia. Ela [mãe Neusa] só está passando nas consultas com o psiquiatra.”

A zona leste é uma das regiões de São Paulo mais afetadas pela pandemia. Sapopemba possui o maior número de mortes por Covid-19 na cidade. Foram 937 óbitos registrados pela doença, de acordo com panorama da capital e Grande São Paulo atualizado semanalmente pela Agência Mural de Jornalismo das Periferias

MAIS INVESTIMENTO EM SAÚDE

Participante de movimentos populares há 20 anos, Auxiliadora ressalta a importância do SUS (Sistema Único de Saúde) no combate à pandemia. 

“O SUS vem nos mostrando dentro do sistema pandêmico que ele é melhor e não tem outro igual. Tem atendimento público gratuito e humanitário. O sistema atual de saúde não deu conta. Quem deu conta foi o SUS. Tanto é que o setor público alugou leitos particulares do setor privado”, analisa. 

Além de reconhecer a importância, ela alerta para a falta de investimento na estrutura e baixo orçamento concedido ao SUS, o que impacta no atendimento oferecido à população.

LEIA MAIS:
Aplicativo que localiza remédios nos postos de saúde em SP apresenta falhas
Ministério da Saúde e SUS lançam app com informações sobre coronavírus

Maira Isis também reconhece essas dificuldades quando vai ao posto de saúde. “O número de médicos que se dispõem a atender na periferia não são suficientes. São regiões populosas onde a demanda é muito grande, pois a maioria depende exclusivamente do atendimento do SUS”, diz a jornalista. 

Segundo ela, essa alta demanda faz com que as consultas médicas sejam rápidas, sem possibilidade de aprofundamento no caso e ou maior atenção ao paciente.

receba o melhor da mural no seu e-mail

Redação

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias tem como missão minimizar as lacunas de informação e contribuir para a desconstrução de estereótipos sobre as periferias da Grande São Paulo.

Republique

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias, uma organização sem fins lucrativos, tem como missão reduzir as lacunas de informação sobre as periferias da Grande São Paulo. Portanto queremos que nossas reportagens alcancem outras e novas audiências.

Se você quer saber como republicar nosso conteúdo, seja ele texto, foto, arte, vídeo, áudio, no seu meio, escreva pra gente.

Envie uma mensagem para [email protected]

Reportar erro

Quer informar a nossa redação sobre algum erro nesta matéria? Preencha o formulário abaixo.