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De São Bernardo às transmissões de Londres: a trajetória eletrônica da DJ Tiemi Yamamoto

Com interesse por gêneros latinos e periféricos, a DJ bernardense já fez colaborações com artistas de outros cantos do continente, como Argentina e Chile

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Reprodução/Helton Nóbrega

Por: Gabriel Santos

Notícia

Publicado em 05.03.2024 | 15:15 | Alterado em 05.03.2024 | 15:15

Tempo de leitura: 3 min(s)

Cria do bairro do Taboão, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, a DJ Thaís Tiemi Reis Yamamoto, 35, antes de se aventurar com a mixagem, já brincava com sons desde a sua formação no audiovisual. Nos estúdios, intensificou o interesse pelo universo sonoro, que crescia desde a “meninice”, segundo ela.

“Meus gostos musicais vieram das minhas andanças pelas ruas. Como tenho 35 anos, venho de uma época em que o acesso à música era um pouco diferente de hoje, então sempre tive o interesse de, além de escutar, ir atrás de bandas e estilos diferentes”, conta.

Apesar dos primeiros contatos com gêneros como o punk rock, foi na música eletrônica, especialmente com ritmos latinos, que ela encontrou sua paixão. Em 2010, trabalhou na seleção de músicas para algumas festas eletrônicas.

“Todo mundo tinha uma banda hardcore, escutava punk e coisas do tipo. Presenciar essa cultura foi importante para o meu desenvolvimento como artista”

Logo após a pandemia, surgiu a oportunidade de remixar músicas sul-americanas a convite de um amigo em um projeto de um programa para a rádio Mode, transmitida de São Paulo. Tiemi conta que nesse cenário da mixagem foi incentivada por outros artistas, mesmo sem dominar completamente a técnica.

“É claro que é importante conhecer os aparelhos, mas você pode se aventurar, que é a parte legal da parada”, comenta. Com o tempo e prática adquiridas, começou a se apresentar em festas e bares pela capital e ABC Paulista, apenas com seu segundo nome como pseudônimo artístico.

“Tiemi”, em japonês, se for escrito em Kanji – um dos sistemas de ideogramas usados no Japão – é a junção de duas sílabas: “Tie” pode ser traduzido como conhecimento e “Mi” como beleza.

Tiemi já teve colab com muitos outros artistas do gênero, em especial, com seu amigo DJ Guzzbeats @Reprodução/mendesculpa

O contato com o mundo eletrônico acabou levando a disco-jóquei a participar de coletivos musicais com ritmos semelhantes e a fazer várias colaborações com artistas de outros cantos do continente, como Argentina e Chile.

“Ter um programa com a minha participação direta foi a realização de um sonho”, completa. Com a chance de poder ser transmitida, logo veio a oportunidade de ampliar seus ouvintes, dessa vez, intercontinentais. A DJ passou a produzir a mesma programação para ouvintes em Londres, por meio da Web Rádio Plus+ 55, que possui sede física na Inglaterra.

Além de compartilhar o gosto por música eletrônica, Gustavo Rocha, 34, conhecido como “Guzzbeats”, amigo e parceiro de mixagem de Tiemi, destaca a importância cultural do trabalho da artista.

“A experiência de trabalhar com a Tiemi é fantástica. É uma pessoa muito talentosa que entende perfeitamente o espaço que nós estamos em relação à cultura. Com isso, podemos mostrar músicas novas, emancipar jovens artistas, que muitas vezes não saem da bolha, e assim podemos trazer tendências novas e dar um respiro na cena”, diz.

O DJ espera que eles possam difundir ainda mais ritmos pouco conhecidos aqui e alerta que Tiemi está andando a passos largos para que isso possa acontecer.

Tiemi explora ritmos emergentes na cena eletrônica @Reprodução/mendesculpa

Garage, o ritmo periférico lá fora

Em tradução livre, garage significa garagem, em referência às periferias do Reino Unido. Surgiu em Londres, no início dos anos 90, com influências jamaicanas e fortes referências diretas do hip hop britânico, que traz uma roupagem mais original, se distanciando da versão estadunidense conhecida como speed garage.

Ao entrar em contato com o estilo e pesquisar sobre o assunto, Tiemi percebeu que grande parte das músicas que ela e os amigos curtiam já se encaixavam no universo sonoro do “garage”. A DJ ressalta que o gênero está emergindo na cena musical atual.

“Hoje em dia ele vem com um revival, como Drum Embassy [outro gênero periférico]. Apesar de ser uma coisa ainda bem inchada, ele vem se tornando algo de bastante interesse”, observa Tiemi.

Sem ainda ter se apresentado em sua cidade natal, recentemente, a artista fez seu primeiro show fora do Estado de São Paulo, levando os ritmos locais e internacionais para um bloquinho de rua, no carnaval de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

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Gabriel Santos

Jornalista, projeto de aventureiro, aspirante a escritor e aficionado por história. Correspondente de São Bernardo do Campo desde 2023.

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