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Apesar da pandemia, políticos mandam mais de 100 santinhos para casa das pessoas

Correspondentes dos bairros contaram os materiais recebidos para dar dimensão da quantidade

Um apartamento na Cohab José Bonifácio, na zona leste de São Paulo, parecia o lugar perfeito para distribuir materiais de campanha. No prédio, onde há 60 apartamentos, foi entregue de uma só tacada 115 papéis do candidato a vereador Onofre Gonçalves (PT).

Nos dias seguintes, 78 santinhos de Abou Anni (PSL) encheriam a caixa de correio, seguidos de 36 da candidata Rute Costa (PSDB). Dos três, apenas Rute foi eleita. 

As 241 propagandas nesse prédio da periferia da zona leste são uma amostra de uma tradição nas eleições de São Paulo – a aposta no santinho para chegar ao legislativo. O que não mudou mesmo com o coronavírus

Nos últimos meses, a pandemia impediu diversas atividades nas cidades, como festas, saraus e encontros familiares. Mas as campanhas de candidatos a prefeito e a vereador foram realizadas como se não houvesse Covid-19. 

Além disso, os papéis com propaganda continuaram a lotar quintais e casas nas periferias de São Paulo, mostra levantamento da Agência Mural. No total, foram 754 materiais de campanha distribuídos em dez endereços da capital e da Grande São Paulo. 

Na Jova Rural, bairro da zona norte da capital, foram 62 itens ao longo da campanha. O candidato Ricardo Holz (Podemos) enviou 12, sendo duas cartas e dez santinhos com quadradinhos em branco para o eleitor escolher o prefeito que quisesse. 

No dia das eleições, as ruas próximas das zonas eleitorais nas periferias ficaram cheias de santinhosIra Romão/Agência Mural

Com 7 santinhos cada, os candidatos Jesus da Periferia (PDT) e Emerson Facundini (Solidariedade) estão entre os que mais mandaram itens à região. 

Segundo determinação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as propagandas distribuídas na forma de folhetos, volantes e outros impressos não dependem de autorização da Justiça Eleitoral. Todo material de campanha eleitoral impresso, como folders, folhetos, santinhos e cartazes, é de responsabilidade do partido, coligação ou candidato.

Há quatro anos, no Morro do Damasceno, bairro da Brasilândia, na zona norte da capital, um cachorro destruiu todos os folhetos que chegaram na casa do correspondente da Agência Mural na região. Neste ano, a soma deu 15. No Capão Redondo, na zona sul, o número foi de 35. O candidato Reis (PT) liderou com 9 itens enviados. 

Raquel Porto, correspondente em Cidade Líder, zona leste, cita que neste ano recebeu mais do que nas eleições passadas quando a disputa foi entre deputados. “Mesmo com a pandemia, o número de santinhos entregues na minha residência foi maior comparado à eleição de 2018, que foram 9”, diz. “No primeiro turno as ruas continuaram sujas do mesmo jeito, tudo parecia normal, exceto o uso de máscaras nas ruas”. 

Entre os 12 santinhos que recebeu, a candidata Leticia Gabriela (PDT) e o vereador eleito Eliseu Gabriel (PSB) depositaram 6 materiais ao todo, 3 de cada um. 

GRANDE SP

Mas enviar mais materiais para os endereços funciona? Não é possível dizer que esse é o único fator, porém, alguns dos eleitos claramente tiveram campanhas com mais materiais e números disponíveis.

No município de Osasco, por exemplo, dos 103 materiais de campanha que chegaram em uma casa no bairro do Bandeiras, 85 eram de candidatos a vereador da coligação do prefeito Rogério Lins (Pode), reeleito com mais de 60% dos votos. 

Candidatos que fizeram oposição a Lins tiveram menos presença – foram 13 santinhos de políticos que apoiavam o vereador Doutor Lindoso (Republicanos) e 5 da coligação do ex-prefeito Emidio de Souza (PT).

Na imagem, materiais na esquerda são de apoiadores de Rogério Lins e ao lado de opositoresPaulo Talarico/Agência Mural

O ex-vereador Valdomiro Ventura (Podemos) foi quem mais enviou, com 18 cartões. Na sequência, o candidato Toniolo (PCdoB), vinculado a Lins, enviou 13 itens variados. Nenhum dos dois se elegeu. 

Em meio à pandemia, a cidade teve menos materiais circulando, ao menos nessa casa. 

Em 2016 foram 174 materiais de campanha, dos quais 66 foram de candidatos a vereador que apoiavam Jorge Lapas (PDT), ou materiais com propostas do concorrente à reeleição. 

Na cidade de Cotia, o vereador eleito Marcinho Prates (Solidariedade) foi o campeão, com 13 santinhos, seguido pelo também eleito Paulinho Lenha (MDB), com 4. Os demais folhetos foram enviados por outras legendas, como PT e PSL. 

Em São Bernardo do Campo, 46 candidatos a vereador nas eleições enviaram 110 santinhos para a casa da correspondente da região. A candidata Tina do Acarajé (PSDB) foi quem mais enviou dentre as dezenas de nomes. Acumulou 20 itens. 

Partidos como PCdoB, AVANTE e Progressistas também estão na lista com candidatos que encheram a caixa de correspondências com divulgação da campanha. 

Além do envio às casas, no dia das eleições foram vistas diversas ruas nas periferias cheias de santinhos no chão, prática irregular de acordo com a Justiça Eleitoral. 

Todos os partidos citados neste texto foram questionados sobre a quantidade de itens enviados e se pretendem trabalhar em ‘campanhas mais limpas’ nos próximos anos. Até o fechamento deste texto nenhuma legenda respondeu.

Cléberson Santos

Jornalista, correspondente do Capão Redondo desde 2019. Trabalha com jornalismo esportivo para portais de notícias desde 2014, mas não sabe chutar uma bola.

Capão Redondo, São Paulo

Kátia Flora

Jornalista, correspondente de São Bernardo do Campo desde 2014. Gosto de livros, animais e viagens. É ariana e ama esportes, meu time Corinthians.

São Bernardo Campo

Halitane Rocha

Jornalista, correspondente de Cotia desde 2018. Coordenadora do Cursinho Popular Dandara dos Palmares e produtora do Sarau na Praça, ambos em Cotia. Apaixonada pela cultura de rua, leitura, e descobrir novos lugares. Sagitariana nata.

Cotia

Gabriel Lopes

Designer de formação, publicitário de carreira e correspondente do Aricanduva desde 2019. Ama séries, música e ouvir histórias das pessoas. É corinthiano, pisciano e, claramente, sofredor.

Aricanduva, São Paulo

Raquel Porto

Jornalista, correspondente da Cidade Líder desde 2018. Ama carnaval, cinema, séries, livros e HQs. Militante feminista da quebrada.

Cidade Líder, São Paulo

Paulo Talarico

Editor-chefe de jornalismo, cofundador e correspondente de Osasco desde 2011. Formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, tem pós-graduação em jornalismo esportivo e curso técnico de locução para rádio e TV. Atualmente, estuda História na Universidade de São Paulo. Gosta de café, Osasco, livros, futebol e cinema.

Osasco

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Guaianases, São Paulo

Cleber Arruda

Cofundador e correspondente da Brasilândia desde 2010. É jornalista do Valor Econômico e voluntário do projeto Animais da Aldeia. É canceriano, gosta de cachorros e de viajar por aí.

Brasilândia, São Paulo

Aline Kátia Melo

Jornalista, cofundadora e correspondente da Jova Rural desde 2011. É Criadora da página do bairro no Facebook. Ama teatro, livros, música. É geminiana e são paulina.

Jova Rural, São Paulo

Danielle Lobato

Jornalista, correspondente de Itaim Paulista desde 2016.

Itaim Paulista, São Paulo

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