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Eleitos das periferias para Câmara de SP têm estreantes, bancadas coletivas e ‘velha guarda’

Saiba quem são os vereadores em São Paulo e quais vieram das periferias da capital

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Notícia

Por: Lucas Veloso

Publicado em 17.11.2020 | 20:28 | Alterado em 17.11.2020 | 20:51

Tempo de leitura: 5 minutos

Eleitos neste domingo (15), alguns dos vereadores de São Paulo na nova Câmara Municipal são conhecidos nas periferias da capital paulista pelo histórico de ocuparem cargos públicos e por manterem redutos eleitorais em alguns bairros da capital. 

São os casos de Alessandro Guedes e Senival Moura, ambos do PT, com cerca de 31 mil e 25 mil votos, respectivamente. Milton Leite (DEM), com mais de 132 mil votos, foi o segundo mais votado na cidade, atrás de Eduardo Suplicy (PT), que somou 167.552.

Por outro lado, a eleição também trouxe outros candidatos que ocuparão pela primeira vez uma cadeira na Câmara, apesar de longa atuação nos bairros mais pobres do município. A candidatura coletiva Quilombo Periférico (PSOL) é um dos exemplos.

A chapa foi composta por membros da zona sul (Alex Barcellos, do Campo Limpo, e Erick Ovelha, do Jardim São Luís), da zona leste (Júlio Cézar de Andrade, de Guaianases, Débora Dias, de Sapopemba, e Elaine Mineiro, de Cidade Tiradentes), além de Samara Sosthenes, do centro.

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Quilombo Periférico recebeu 22 mil votos em São Paulo @Divulgação

Em entrevista à Agência Mural, Elaine Mineiro, a cabeça da chapa, disse que, historicamente os quilombos foram espaços de organização e resistência do povo negro e escravizado e que hoje esta população vive nas periferias. Por conta disso, o grupo escolheu o nome para representar a população nas urnas. 

Com 22.742 votos, a chapa conseguiu um espaço na Câmara. Após a vitória, Elaine destacou a importância da conquista. “A gente precisa comemorar porque o que a gente fez foi lindo, histórico. Ganhamos de primeira”, disse. “E por mais que as nossas organizações sejam incríveis, a gente sabe que tinham candidaturas com organizações maiores ainda e máquinas maiores ainda”. 

O modelo de candidaturas coletivas se espalhou pelas periferias da capital e da Grande São Paulo. Apesar de não haver ainda uma regulamentação desse formato, ele tem sido a aposta. Na prática, vários membros compõem a candidatura, embora apenas um deles assume oficialmente. Porém, há o compromisso de que os demais ‘co-candidatos’ irão atuar junto. 

Outra candidatura nesse modelo foi a Bancada Feminista, na qual estava a moradora de Itaquera, na zona leste, Carolina Iara Ramos de Oliveira, 27. A candidata intersexo citou as dificuldades e as tentativas de intimidação durante a campanha.

“A principal dificuldade têm sido os ataques transfóbicos que recebo”, diz Carolina. “Tenho de destacar o ataque que tivemos numa live, em que muitos homens xingavam e faziam ameaças”, disse. 

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Natural de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, Erika Hilton (PSOL), 27, será a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo. Eleita com mais de 50 mil votos, foi a mulher mais votada, mas durante a campanha também foi vítima de ataques

‘Você se orgulha de ser traveco?’ foi uma das frases direcionadas para a então candidata. 

Segundo números do MonitorA, iniciativa da Revista AzMina, junto ao InternetLab, com parceria do Instituto Update, Erika foi a candidata ao legislativo paulistano mais ofendida no Twitter durante a campanha eleitoral.

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Erika Hilton foi a que recebeu mais ataques na disputa pela Câmara de SP, segundo levantamento @Rafael Canoba/Divulgação

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco, também confirma a violência. De acordo com os dados, 8 a cada 10 candidatas negras sofreram violência virtual, sendo que 20,72% receberam mensagens machistas e/ou misóginas no ambiente online, 18% recebeu mensagens racistas e 17% teve uma reunião virtual invadida. 

Servidor público municipal há 18 anos, Danilo Cortez de Souza, 37, o Danilo do Posto de Saúde, do partido Podemos, foi o quinquagésimo com mais votos. 

Nesta segunda tentativa de eleição, Danilo somou mais de 19 mil votos. Trabalhador do setor administrativo da UBS Vila Maria, o então candidato disse à Agência Mural que a “falta de representatividade política” era o principal problema na subprefeitura.

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O servidor público Danilo do Posto de Saúde (Podemos) foca a campanha em ações de melhoria da área onde atua @Sidney Pereira/Agência Mural

REELEITOS

Alguns nomes com presença nas periferias também foram reeleitos. De origem indígena, a petista Juliana Cardoso nasceu e foi criada na periferia da zona leste. Com 28.402 votos, foi a trigésima mais votada. 

Alguns nomes tarimbados na Casa e conhecidos por manterem redutos eleitorais também seguem, como os irmãos Arselino e Jair Tatto, do PT. 

Se por um lado, alguns candidatos estreantes enfatizaram a falta de dinheiro para fazer campanha, Milton Leite (DEM) foi no caminho oposto e teve a candidatura mais cara do Brasil para vereador. 

O ex-presidente da Câmara Municipal tem como principal reduto eleitoral a zona sul, onde angariou votos e em duas eleições seguidas foi o segundo mais votado na cidade.

Leite vai para o sétimo mandato consecutivo. A influência é tanta que alguns bairros da zona sul, como Campo Limpo, M’Boi Mirim e Cidade Ademar, conhecidos como ‘Miltonlândia’. Ele foi o dono da campanha eleitoral mais cara do Brasil. 

Na declaração ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) receita de R$ 2,4 milhões, dos quais R$ 1,9 milhão são do fundo eleitoral, verba destinada às campanhas. Além disso, centenas de moradores foram contratados na zona sul para atuar nas ruas, na entrega de ‘santinhos’ e segurar bandeiras em avenidas da região.

VEREADORES ELEITOS EM SÃO PAULO

Eduardo Suplicy (PT) – 167.552 votos
Milton Leite (DEM) – 132.716 votos
Delegado Palumbo (MDB) – 118.395 votos
Felipe Becari (PSD) – 98.717 votos
Fernando Holiday (Patriota) – 67.715 votos
Erika Hilton (PSOL) – 50.508 votos
Silvia da Bancada Feminista (PSOL) – 46.267 votos
Roberto Tripoli (PV) – 46.219 votos
Thammy Miranda (PL) – 43.321 votos
André Santos (Republicanos) – 41.584 votos
Rute Costa (PSDB) – 41.546 votos
Eduardo Tuma (PSDB) – 40.270 votos
Sansão Pereira (Republicanos) – 39.709 votos
Luana Alves (PSOL) – 37.550 votos
Atilio Francisco (Republicanos) – 35.345 votos
João Jorge (PSDB) – 34.323 votos
Faria de Sá (PP) – 34.213 votos
Carlos Bezerra Jr. (PSDB) – 34.144 votos
Rubinho Nunes (Patriota) – 33.038 votos
Eli Corrêa (DEM) – 32.482 votos
Donato (PT) – 31.920 votos
Rodrigo Goulart (PSD) – 31.472 votos
Alessandro Guedes (PT) – 31.124 votos
Janaína Lima (Novo) – 30.931 votos
Adilson Amadeu (DEM) – 30.549 votos
Tripoli (PSDB) – 30.495 votos
Jair Tatto (PT) – 29.918 votos
Celso Giannazi (PSOL) – 28.535 votos
Dra Sandra Tadeu (DEM) – 28.464 votos
Juliana Cardoso (PT) – 28.402 votos
Toninho Vespoli (PSOL) – 26.748 votos
Marlon do Uber (Patriota) – 25.643 votos
George Hato (MDB) – 25.599 votos
Aurélio Nomura (PSDB) – 25.316 votos
Senival Moura (PT) – 25.311 votos
Alfredinho (PT) – 25.159 votos
Arselino Tatto (PT) – 25.021 votos
Fábio Riva (PSDB) – 24.739 votos
Isac Félix (PL) – 23.929 votos
Camilo Cristofaro (PSB) – 23.431
Ricardo Teixeira (DEM) – 23.280 votos
Edir Sales (PSD) – 23.106 votos
Ely Teruel (PODE) – 23.084 votos
Marcelo Messias (MDB) – 23.006 votos
Elaine do Quilombo Periférico (PSOL) – 22.742 votos
Gilberto Nascimento Jr. (PSC) – 22.659 votos
Eliseu Gabriel (PSB) – 21.122 votos
Dr Milton Ferreira (PODE) – 20.126 votos
Sandra Santana (PSDB) – 19.591 votos
Danilo do Posto de Saúde (PODE) – 19.024 votos
Cris Monteiro (Novo) – 18.085 votos
Sonaira Fernandes (Republicanos) – 17.881 votos
Paulo Frange (PTB) – 17.796 votos
Missionário José Olimpio (DEM) – 17.098 votos
Rinaldi Digilio (PSL) – 13.673 votos

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

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