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Eleitos das periferias para Câmara de SP têm estreantes, bancadas coletivas e ‘velha guarda’

Saiba quem são os vereadores em São Paulo e quais vieram das periferias da capital

Eleitos neste domingo (15), alguns dos vereadores de São Paulo na nova Câmara Municipal são conhecidos nas periferias da capital paulista pelo histórico de ocuparem cargos públicos e por manterem redutos eleitorais em alguns bairros da capital. 

São os casos de Alessandro Guedes e Senival Moura, ambos do PT, com cerca de 31 mil e 25 mil votos, respectivamente. Milton Leite (DEM), com mais de 132 mil votos, foi o segundo mais votado na cidade, atrás de Eduardo Suplicy (PT), que somou 167.552.

Por outro lado, a eleição também trouxe outros candidatos que ocuparão pela primeira vez uma cadeira na Câmara, apesar de longa atuação nos bairros mais pobres do município. A candidatura coletiva Quilombo Periférico (PSOL) é um dos exemplos.

A chapa foi composta por membros da zona sul (Alex Barcellos, do Campo Limpo, e Erick Ovelha, do Jardim São Luís), da zona leste (Júlio Cézar de Andrade, de Guaianases, Débora Dias, de Sapopemba, e Elaine Mineiro, de Cidade Tiradentes), além de Samara Sosthenes, do centro.

Quilombo Periférico recebeu 22 mil votos em São PauloDivulgação

Em entrevista à Agência Mural, Elaine Mineiro, a cabeça da chapa, disse que, historicamente os quilombos foram espaços de organização e resistência do povo negro e escravizado e que hoje esta população vive nas periferias. Por conta disso, o grupo escolheu o nome para representar a população nas urnas. 

Com 22.742 votos, a chapa conseguiu um espaço na Câmara. Após a vitória, Elaine destacou a importância da conquista. “A gente precisa comemorar porque o que a gente fez foi lindo, histórico. Ganhamos de primeira”, disse. “E por mais que as nossas organizações sejam incríveis, a gente sabe que tinham candidaturas com organizações maiores ainda e máquinas maiores ainda”. 

O modelo de candidaturas coletivas se espalhou pelas periferias da capital e da Grande São Paulo. Apesar de não haver ainda uma regulamentação desse formato, ele tem sido a aposta. Na prática, vários membros compõem a candidatura, embora apenas um deles assume oficialmente. Porém, há o compromisso de que os demais ‘co-candidatos’ irão atuar junto. 

Outra candidatura nesse modelo foi a Bancada Feminista, na qual estava a moradora de Itaquera, na zona leste, Carolina Iara Ramos de Oliveira, 27. A candidata intersexo citou as dificuldades e as tentativas de intimidação durante a campanha.

“A principal dificuldade têm sido os ataques transfóbicos que recebo”, diz Carolina. “Tenho de destacar o ataque que tivemos numa live, em que muitos homens xingavam e faziam ameaças”, disse. 

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Natural de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, Erika Hilton (PSOL), 27, será a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo. Eleita com mais de 50 mil votos, foi a mulher mais votada, mas durante a campanha também foi vítima de ataques

‘Você se orgulha de ser traveco?’ foi uma das frases direcionadas para a então candidata. 

Segundo números do MonitorA, iniciativa da Revista AzMina, junto ao InternetLab, com parceria do Instituto Update, Erika foi a candidata ao legislativo paulistano mais ofendida no Twitter durante a campanha eleitoral.

Erika Hilton foi a que recebeu mais ataques na disputa pela Câmara de SP, segundo levantamentoRafael Canoba/Divulgação

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco, também confirma a violência. De acordo com os dados, 8 a cada 10 candidatas negras sofreram violência virtual, sendo que 20,72% receberam mensagens machistas e/ou misóginas no ambiente online, 18% recebeu mensagens racistas e 17% teve uma reunião virtual invadida. 

Servidor público municipal há 18 anos, Danilo Cortez de Souza, 37, o Danilo do Posto de Saúde, do partido Podemos, foi o quinquagésimo com mais votos. 

Nesta segunda tentativa de eleição, Danilo somou mais de 19 mil votos. Trabalhador do setor administrativo da UBS Vila Maria, o então candidato disse à Agência Mural que a “falta de representatividade política” era o principal problema na subprefeitura.

O servidor público Danilo do Posto de Saúde (Podemos) foca a campanha em ações de melhoria da área onde atuaSidney Pereira/Agência Mural

REELEITOS

Alguns nomes com presença nas periferias também foram reeleitos. De origem indígena, a petista Juliana Cardoso nasceu e foi criada na periferia da zona leste. Com 28.402 votos, foi a trigésima mais votada. 

Alguns nomes tarimbados na Casa e conhecidos por manterem redutos eleitorais também seguem, como os irmãos Arselino e Jair Tatto, do PT. 

Se por um lado, alguns candidatos estreantes enfatizaram a falta de dinheiro para fazer campanha, Milton Leite (DEM) foi no caminho oposto e teve a candidatura mais cara do Brasil para vereador. 

O ex-presidente da Câmara Municipal tem como principal reduto eleitoral a zona sul, onde angariou votos e em duas eleições seguidas foi o segundo mais votado na cidade.

Leite vai para o sétimo mandato consecutivo. A influência é tanta que alguns bairros da zona sul, como Campo Limpo, M’Boi Mirim e Cidade Ademar, conhecidos como ‘Miltonlândia’. Ele foi o dono da campanha eleitoral mais cara do Brasil. 

Na declaração ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) receita de R$ 2,4 milhões, dos quais R$ 1,9 milhão são do fundo eleitoral, verba destinada às campanhas. Além disso, centenas de moradores foram contratados na zona sul para atuar nas ruas, na entrega de ‘santinhos’ e segurar bandeiras em avenidas da região.

VEREADORES ELEITOS EM SÃO PAULO

Eduardo Suplicy (PT) – 167.552 votos
Milton Leite (DEM) – 132.716 votos
Delegado Palumbo (MDB) – 118.395 votos
Felipe Becari (PSD) – 98.717 votos
Fernando Holiday (Patriota) – 67.715 votos
Erika Hilton (PSOL) – 50.508 votos
Silvia da Bancada Feminista (PSOL) – 46.267 votos
Roberto Tripoli (PV) – 46.219 votos
Thammy Miranda (PL) – 43.321 votos
André Santos (Republicanos) – 41.584 votos
Rute Costa (PSDB) – 41.546 votos
Eduardo Tuma (PSDB) – 40.270 votos
Sansão Pereira (Republicanos) – 39.709 votos
Luana Alves (PSOL) – 37.550 votos
Atilio Francisco (Republicanos) – 35.345 votos
João Jorge (PSDB) – 34.323 votos
Faria de Sá (PP) – 34.213 votos
Carlos Bezerra Jr. (PSDB) – 34.144 votos
Rubinho Nunes (Patriota) – 33.038 votos
Eli Corrêa (DEM) – 32.482 votos
Donato (PT) – 31.920 votos
Rodrigo Goulart (PSD) – 31.472 votos
Alessandro Guedes (PT) – 31.124 votos
Janaína Lima (Novo) – 30.931 votos
Adilson Amadeu (DEM) – 30.549 votos
Tripoli (PSDB) – 30.495 votos
Jair Tatto (PT) – 29.918 votos
Celso Giannazi (PSOL) – 28.535 votos
Dra Sandra Tadeu (DEM) – 28.464 votos
Juliana Cardoso (PT) – 28.402 votos
Toninho Vespoli (PSOL) – 26.748 votos
Marlon do Uber (Patriota) – 25.643 votos
George Hato (MDB) – 25.599 votos
Aurélio Nomura (PSDB) – 25.316 votos
Senival Moura (PT) – 25.311 votos
Alfredinho (PT) – 25.159 votos
Arselino Tatto (PT) – 25.021 votos
Fábio Riva (PSDB) – 24.739 votos
Isac Félix (PL) – 23.929 votos
Camilo Cristofaro (PSB) – 23.431
Ricardo Teixeira (DEM) – 23.280 votos
Edir Sales (PSD) – 23.106 votos
Ely Teruel (PODE) – 23.084 votos
Marcelo Messias (MDB) – 23.006 votos
Elaine do Quilombo Periférico (PSOL) – 22.742 votos
Gilberto Nascimento Jr. (PSC) – 22.659 votos
Eliseu Gabriel (PSB) – 21.122 votos
Dr Milton Ferreira (PODE) – 20.126 votos
Sandra Santana (PSDB) – 19.591 votos
Danilo do Posto de Saúde (PODE) – 19.024 votos
Cris Monteiro (Novo) – 18.085 votos
Sonaira Fernandes (Republicanos) – 17.881 votos
Paulo Frange (PTB) – 17.796 votos
Missionário José Olimpio (DEM) – 17.098 votos
Rinaldi Digilio (PSL) – 13.673 votos

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Guaianases, São Paulo

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